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O Euro’ 2012 e a 2.ª Guerra Mundial: “parece impossível”

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

Ideias

2012-06-11 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

O Europeu de Futebol, que está a realizar-se na Polónia e na Ucrânia, tem sido marcado por alguns episódios emocionais e, até, de alguma tensão, fruto das consequências da Segunda Guerra Mundial.
A visita da selecção de futebol da Alemanha ao campo de concentração de Auschwitz, no sul da Polónia, foi um momento de grande simbolismo, tal como foram as declarações de um técnico da selecção alemã, quando referiu serem necessários capacetes de aço para travar os remates de um jogador português.
Para além da selecção da Alemanha, também a selecção da Itália e da Holanda visitaram o campo de concentração de Auschwitz.
Outra selecção a visitar este campo de concentração foi a Inglesa, que teve a companhia de um israelita e ex-técnico de futebol do Chelsea (Avram Grant), que perdeu vários familiares judeus neste campo de concentração. Nessa visita, Avram Grant foi claro ao referir “como um homem pode fazer isto a outro homem!”.
O campo de concentração de Auschwitz, situado a cerca de 70 quilómetros de Cracóvia (Polónia), foi mandado construir pelos alemães e era composto por três zonas:
- Auschwitz I, onde estava a administração de todo este complexo e estava inscrito, à entrada, a célebre frase 'O trabalho liberta'. Foi aberto no dia 20 de Maio de 1940;
- Auschwitz II, ou “Auschwitz - Birkenau”, situado em Birkenau, a 3 Km de Auschwitz, onde se executaram os prisioneiros, principalmente judeus e ciganos. Era o local da “Execução Final” e foi construído em 1941. O objetivo era exterminar os prisioneiros, socorrendo-se de quatro crematórios e câmaras de gás. Cada câmara de gás tinha capacidade para receber 2.500 prisioneiros por turno.
- Auschwitz III, onde estava situado um campo de trabalho, que os médicos visitavam em permanência para enviar os doentes e débeis para as câmaras de gás de Auschwitz - Birkenau. Iniciou as suas funções em 1942.
Quando o General Eisenhower (comandante supremo das Forças Aliadas na Europa e posteriormente Presidente dos EUA, de 1953 até 1961) visitou Auschwitz pela primeira vez, e perante tamanha desumanidade, proferiu apenas estas duas palavras “parece impossível!”. De seguida, ordenou que fosse feito o maior número de filmes e fotos sobre o Holocausto e obrigou ainda os alemães das cidades vizinhas a visitaram os campos de concentração e a enterrarem os mortos.
Algumas das selecções que estão no Europeu de Futebol de 2012, foram oportunas nas visitas que fizeram a estes campos de concentração, pois este terrível acontecimento jamais deverá ser esquecido. Analisemos alguns dos números da 2.ª Guerra Mundial:
- A 2.ª Guerra Mundial provocou destruições materiais nunca antes vistas. Na França foram destruídas 450 000 casas e 3100 pontes e na Alemanha 25% das casas e 3000 pontes. Durante esta Guerra foram destruídos cerca de 304 000 aviões e 607 000 carros de combate;
- A 2.ª Guerra Mundial provocou a destruição de cerca de 70% das infra-estruturas europeias e a destruição de 160 cidades;
- A 2.ª Guerra Mundial provocou mais de 56 milhões de mortos, repartidos desta forma: 6 000 000 judeus; 10 000 000 cristãos; 1 900 padres católicos queimados e assassinados; 610 000 franceses; 410 000 ingleses; 7 000 000 alemães; 415 000 italianos; 5 420 000 polacos; 21 100 000 russos; 250 000 norte americanos; 2 060 000 japoneses; 14 000 000 chineses e 4 720 000 de outros povos europeus;
- Os gastos com a 2.ª Guerra Mundial davam, sensivelmente, para construir: uma casa para cada família dos EUA, Grã-Bretanha, França, Bélgica, Espanha e Portugal; comprar um automóvel para cada família dos EUA, Grã-Bretanha, França, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Dinamarca e Noruega; construir uma Biblioteca e uma Universidade em cada cidade de 200 mil habitantes, nos EUA, Rússia e Grã-Bretanha; pagar os vencimentos de 100 000 professores e 100 000 enfermeiros durante 100 anos e ainda dava para pagar uma educação universitária para cada rapaz e rapariga dos EUA!
A situação económica e social que vivemos na actualidade está na base das palavras proferidas ontem, pelo Presidente da República português, quando referiu que “a crise pode trazer novos nacionalismos”. E neste contexto prefiro recordar as palavras de Edmund Burke: “Tudo o que é necessário para o triunfo do mal é que os homens de bem nada façam”.
A melhor homenagem que, na actualidade, poderia ser feita às vitimas do holocausto, era a selecção vencedora do Europeu de Futebol 2012 visitar, no dia seguinte, estes campos de concentração. Para que, como disse o General Eisenhower algum idiota não venha dizer “que isto nunca aconteceu”!

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