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O Estertor do Governo

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Ideias

2014-10-24 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

O último ato de agonia do governo é este Orçamento. Na verdade, o governo pretende passar a ideia de que a sua política teve sucesso que a causa do insucesso é dos outros e que tudo vai mudar no futuro e, finalmente merece a confiança dos eleitores para um novo mandato. Puro maquiavelismo eleitoral. Esperamos que a propaganda descarada não iluda os eleitores.

Mas examinando com mais rigor o Orçamento, verifica-se que parte dos pressupostos macroeconómicos ilusórios e falseados. É que o crescimento não pode ser de 1.5%, nem as previsões de exportações se irão realizar, dado o cenário recessivo para a Europa. E não se realizando os pressupostos, tudo o resto cai como um baralho de cartas.

Em segundo lugar, é falso que a carga fiscal vá diminuir. Vamos pagar ainda mais impostos e se alguns diminuem aqui e além, como insiste a propaganda do governo, sobem outros e alguns são mesmo criados de novo- os ditos “impostos verdes”- que vão sobrecarregar todos os cidadãos. Podem ser “bondosos”, mas vão à carteira de todos os portugueses. E já não falamos na diminuição das prestações sociais para os mais desfavorecidos que, no discurso do governo” têm culpa da situação”. Como se diz na primeira página do jornal O Público de 16 de Outubro: Orçamento de 2015- Austeridade para a Maioria, alívio só para alguns. E ainda segundo O Público, a carga fiscal atinge o máximo histórico.

Mas o patético da política fiscal é a decisão de condicionar a descida da sobretaxa sobre o IRS ao comportamento da receita fiscal em 2015. Isto é, se os contribuintes se portarem bem e pagarem os seus impostos, talvez tenham um bónus Eu nunca vi esta enormidade em política fiscal. Mas esta gente é expedita em mentir aos portugueses.

Entretanto tudo é vago no que respeita à redução da despesa. Fala-se em diminuição dos consumos intermédios, corte em estudos e pareceres e 190 milhões de Euros de poupança em outras despesas. Nada se diz de concreto, nem interessa ao elenco governativo Há dias recebi um email do qual constava o cv dos membros do governo. A generalidade deles veio dos grandes gabinetes de advogados, das administrações de empresas ( normalmente públicas) e das juventudes partidárias. Tudo gente que mama no Estado. Se alguma despesa diminuiu, resulta de cortes dos vencimentos dos funcionários públicos e das pensões. Façam-se as contas e facilmente se verificará.

O Orçamento é uma coisa séria, não um instrumento de propaganda. Fechados numa torre de marfim de ignorância e incompetência assumem-se como salvadores da pátria ,mas não se demitem pelo que há apenas uma forma de resistência: não os tomar a sério. Eles caem e não é necessário o António Costa dar-lhes um empurrão. De resto em Portugal os governos caem por dentro. Só que desta vez a queda vai ser um tsunami.

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