Correio do Minho

Braga, quarta-feira

O estado do Ensino Superior

Saúde escolar: parceiro imprescindível das escolas de hoje

Conta o Leitor

2011-02-23 às 06h00

Leitor

O ensino universitário português conheceu nos últimos anos alte-rações de fundo que modificaram e condicionaram profundamente o normal funcionamento da instituição. O Processo de Bolonha, com todos os seus prós e contras, transformou toda uma noção de instituição pré-concebida ao longo dos anos.

Sem um conjunto de meios que proporcione igualdade de oportunidades com muitas universidades europeias, Portugal arrisca-se seriamente a ficar para trás no comboio do desenvolvimento académico europeu. Chegamos, portanto, a uma conclusão simples e real: o processo de Bolonha não foi promotor de uma maior igualdade entre os estudantes europeus, pese embora o facto dos métodos de avaliação serem no nosso ponto de vista muito mais eficientes que o modo de avaliação do sistema antigo.

Parece-nos de todo evidente que a licenciatura e o mestrado no período pré-Bolonha eram muito mais completos do que no modelo actual a nível de conteúdos. Com licenciaturas de três anos é de todo impossível atingir um limiar de conhecimento minimamente aceitável e, por conseguinte, parece-nos questionável até que ponto é que um aluno com uma licenciatura de três anos estará pronto para absorver toda a exigência da pós-graduação. Embora a exigência nos mestrados esteja num patamar menor, julgamos que o facilitismo não nos pode ser imposto.

É importante aferir que, como referimos anteriormente, os métodos de avaliação de Bolonha nos parecem mais justos e eficientes, sendo que nem sempre este tipo de avaliação seja cumprido na íntegra. Bradamos à necessidade da execução efectiva dos modelos de avaliação de Bolonha nas aulas nomeadamente através do fomento da discussão, debate de ideias e apresentação de diversos pontos de vista acerca de uma determinada matéria em estudo.

Queremos que as licenciaturas e as pós-graduações sejam, no seu todo, processos de aprendizagem contínua com uma participação real do aluno não só através do seu trabalho em casa mas também por via dos debates que devem ser promovidos em contexto de aula. Mais que terminar com Bolonha, é urgente reformular todo um processo. Essa mesma reformulação pode tornar-se paulatinamente uma realidade, bastando para isso existir empenho da universidade portuguesa.

Como estudantes de licencia-tura ou mestrados ligados ao departamento de história desta academia sentimos constantemente o peso de um processo que em parte começa a ficar falido. A diminuição da projecção dos mestrados pela massificação dos mesmos não nos parece de todo salutar nem tão pouco contribui para a melhoria do ensino, nem sequer para a criação de quadros competentes, embora saibamos que esta última premissa é necessária e urgente. Não obstante, consideramos que o facilitismo não deve nunca ser o caminho, pelo contrário, julgamos que a universidade portuguesa deve apostar na qualidade do seu ensino assim como na pré-selecção dos candidatos aos mestrados.

Temos a profunda consciência que o processo de Bolonha limitou em muito os horizontes de conhecimento dos estudantes e, paradoxalmente, julgamos que o mesmo ainda não foi verdadeiramente assimilado, quer por alunos, quer por professores. Daí insistirmos na necessidade, por parte dos docentes, de abertura ao debate e, aos alunos, de uma postura de trabalho diferente.

Por isso mesmo, e porque sabemos que estamos subjugados a uma escala europeia não pedimos a mudança radical do ensino superior mas sim alguns ajustes de forma a pré-seleccionar os candidatos às pós-graduações nesta academia assim como um maior fomento daquilo que a universidade deve ser: um templo do saber. Não queremos formar um ensino de casta mas sim um ambiente profundamente académico no qual exista por parte de todos os alunos um espírito crítico, absolutamente necessário para o desenvolvimento do progresso intelectual de cada um e para o próprio prestígio das pós-graduações desta casa.

Artigo elaborado por:
André Rocha (mestrado de História)
David Vieira (mestrado de Património e Turismo Cultural)
Fábio Silva (ex-aluno da licenciatura de História)
Hélder Carvalhal (ex-aluno da licenciatura de História)
José Lopes (mestrado de Património e Turismo Cultural)
Luís Cerqueira (licenciatura de História)

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