Correio do Minho

Braga, quinta-feira

O Estado da Nação

A União Europeia e os Millennials: um filme pronto a acontecer

Ideias Políticas

2012-09-18 às 06h00

Francisco Mota

Terminado o período de férias é com grande prazer que volto a escrever para os nossos estimados leitores. Muitos seriam os assuntos e temas que poderia escolher para reflectir, contudo parece-me que a emergência social que vivemos carece de uma exposição sobre o Estado da Nação.

Portugal e os portugueses assistiram, por parte do primeiro-ministro, a um ataque ao que de mais sagrado se tinha conquistado neste período de execução das medidas de recuperação da soberania nacional, a coesão social. A apresentação da alteração da TSU demonstrou claramente uma desorientação deste executivo, na medida em que teve mais que tempo, desde a altura do chumbo do Tribunal Constitucional face ao corte dos subsídios de férias na função pública, para pensar em medidas que visassem o corte na despesa do estado em vez, da aplicação de mais esforços para as famílias. A proposta em questão é única no mundo e é inviável numa economia como a nossa, em que se caracteriza pela predominância das pequenas e médias empresas, das quais depende directamente a subsistência da entidade patronal.

A opção passa por recuar e procurar soluções noutro sentido. Não podemos cair no erro de pôr em causa a coesão social que traria implicações gravíssimas no percurso que Portugal e este governo se comprometeram percorrer perante o programa de assistência financeira. Se por um lado tem que haver sensibilidade por parte do governo em auscultar os parceiros sociais e compreender que poderá estar a alimentar uma crise política em que nada beneficia a conjuntura interna, por outro lado tem que haver por parte do maior partido da oposição, o PS, a responsabilidade de ser objectivo sem que se esqueça do seu passado, apresentando soluções viáveis e concretizáveis, deixando assim de lado um discurso populista e incendiário.

Nenhum de nós se esquece quem nos trouxe até aqui, e as razões pelas quais Portugal se viu obrigado a ficar nas mãos dos credores. Mas verdade seja dita, também ninguém se esquece ao que este governo se comprometeu e, assim sendo é necessário pôr em prática o corte nas gorduras do estado. Isso implica a privatização de empresas públicas como a RTP, a CP ou a TAP. Não podendo esquecer o corte com as Fundações, o fecho de empresas municipais com prejuízos avultados ou o término e junção de municípios supra endividados.

Contudo, os portugueses não podem considerar que o esforço colectivo não valeu de nada, porque o país que hoje temos está, sem dúvidas melhor o que há um ano atrás. O risco de implosão foi reduzido em mais de 50%, a balança comercial coloca as exportações como nunca, o corte na despesa superou largamente as expectativas e a imagem externa de Portugal está reforçada e com nota bastante positiva.

Acredito convictamente que uma iniciativa mal ponderada não fará os portugueses desacreditarem no esforço comum na construção de um novo Portugal. O estado da nação carece de uma reconquista da confiança de todos nós com novos sinais por parte de quem nos governa.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias Políticas

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.