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Ideias

2019-11-29 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Ando inquieto. Será velhice, ceticismo!... Não sei. E, todavia as contas públicas atingiram o equilíbrio, a economia continua a crescer e a taxa de desemprego tem descido. E, todavia existem vários sinais de inquietação, em quanto o governo se faz de morto, atirando os problemas para debaixo da mesa. Espera que se resolvam com o passar do tempo. É uma boa estratégia do processo político; os fatos políticos vão aumentando de intensidade, mas depois vão-se diluindo na opinião pública e o governo lá vai surfando ao sabor das ondas.
Há, porém fatos políticos que enrijeceram e invadem sistematicamente a agenda política. Refiro-me ao Serviço Nacional de Saúde. As notícias aparecem diariamente na imprensa. Os recursos faltam, ou estão obsoletos, os médicos são incapazes de assegurar serviços de qualidade, faltam camas, muitas vezes ocupadas por pessoas de carência social, os médicos especialistas mudam-se para o setor privado que melhores salários e melhores condições de trabalho. Se continuarem a arrastar-se os problemas, o SNS entra numa fase de insustentabilidade.
Eu sei que há vários fatores que explicam esta situação. Em primeiro lugar, a agressividade do setor privado que pretende ficar com o suco, deixando os ossos para o público. Em segundo lugar, a população está a envelhecer e procura cada vez mais o SNS, reclamando por tudo e por nada. Em terceiro lugar, há mais de dez anos que não houve investimentos na saúde e os profissionais estão cansados, são mal pagos e estão desmotivados. A ministra diz que entende e que está a estudar o problema. Não chega. É preciso dinheiro mas o governo tem que escolher entre gastar dinheiro com os bancos (fala-se em mais 700 milhões para o Novo Banco e outro tanto para o Montepio) e para a TAP.
Outras vezes as políticas não são pensadas em termos de impacto. Refiro-me à CP. Vou todas as semanas ao Porto. Ora, desde que se passou a subsidiar os passes, o uso das viagens de comboio tornou-se insuportável. Não sei se é falta de carruagens encalhadas em qualquer sítio, ou incapacidade de gestão dos horários a afluência dos passageiros. Valha a verdade que esta é uma prática de anos. Os horários são feitos no gabinete e conforme as conveniências dos funcionários e os clientes que vão bugiar. E a dívida foi-se acumulando, mas como dizia um distinto gestor público: isso não interessa, o Estado paga.
E, perante isto, não se pode ficar admirado com a manifestação dos polícias e, sobretudo com a relevância do Movimento 0, aproveitado pelo líder do CHEGA. Esta gente não leu o Programa do Chega que se apresenta como partido conservador nos costumes, liberal na economia e nacionalista. Patrocina o fim do serviço público de saúde, educação e de transportes. E no que às manifestações diz respeito assume o fim dos privilégios dos sindicatos. No que respeita aos movimentos inorgânicos, nada diz, porque lhe convém numa primeira fase para criar o caos. Eu sei que o governo pouco conta. Os ministros são relações públicas e o único que verdadeiramente conta é Mário Centeno. E, mesmo este, com as limitações impostas por Bruxelas e pelos chineses que controlam parte importante da nossa economia.

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