Correio do Minho

Braga, terça-feira

O Estado da Educação

Obrigado, Pedro Passos Coelho

Voz às Escolas

2017-12-18 às 06h00

Jorge Saleiro

Foi recentemente publicada a edição de 2016 do “Estado da Educação”. Da responsabilidade do Conselho Nacional de Educação, esta é já a sétima publicação, iniciada em 2010, e que, para cada um dos anos, traça o retrato da educação em Portugal, sintetiza um vasto manancial de dados, extrai conclusões e suscita questões para o futuro.

Estes dados são tratados e enquadrados, tanto do ponto de vista da evolução do estado das coisas, como do ponto de vista da sua relação com a realidade internacional. A este estudo, a obra acrescenta uma série de trabalhos de investigação que se correlacionam com os vários capítulos e temáticas.

A cada publicação, o “Estado da Educação” provoca reações e oferece a possibilidade de perceber o que, em cada ano, provoca mais impacto na comunicação social e na opinião pública. Trata-se, portanto, de uma das mais relevantes publicações na área da educação, incontornável para quem se interessa por Educação.

De uma observação rápida pelos destaques da comunicação social, sobressai, este ano, a preocupação com a retenção e o abandono escolar, com as aulas expositivas, a redução de crianças a frequentar o pré-escolar e o envelhecimento e redução do corpo docente. Questões que, sem dúvida, exigem atenção, análise e intervenção para que se obtenham melhorias nos resultados.

Quanto à questão das retenções e abandono escolar, espera-se que a implementação do Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar comece a dar frutos, trazendo, de caminho, uma evolução e melhoria das práticas pedagógicas. No entanto, no que se refere às práticas em sala de aula, convém abordar o problema dos programas que, reconhecidamente, são apontados como fator de perturbação do bom decurso das aprendizagens. Releva, igualmente, para esta matéria, o número de alunos por turma. Mas este problema parece ter começado a ser tratado.
A redução da taxa de crianças no pré-escolar, dissociada da redução demográfica que assola o nosso país, levanta questões a serem respondidas pelo sistema público do pré-escolar.

No que diz respeito à redução do número de professores e ao envelhecimento do corpo docente (30 mil professores saíram do sistema nos últimos 10 anos e apenas 0,4% dos docentes têm menos de 30 anos), a questão é mais melindrosa. Fruto de anos de políticas de restrição e da iminente aposentação de um elevado número de docentes, poderá criar-se um fosso geracional nas escolas e uma menos eficaz transmissão da identidade que cada escola foi construindo ao longo dos anos.
Mas, para além destes destaques, outros tópicos emergem desta publicação como merecedoras de referência.

É referido que os resultados nas avaliações internacionais do final do primeiro ciclo e aos 15 anos têm revelado claras melhorias nas aprendizagens dos alunos portugueses, bem como se realça o aumento da percentagem de escolas portuguesas inseridas em meios socioeconómicos desfavorecidos, capazes de mitigar a desvantagem dos seus alunos.
O estudo assinala que os docentes portugueses são muito qualificados na educação pré-escolar e nos ensinos básico e secundário embora sintam que são pouco reconhecidos e respeitados e declarem terem o maior número de horas de trabalho por semana. Ainda assim, Portugal tem uma percentagem de professores muito satisfeitos, superior à média dos países europeus analisados.

É destacada a situação da Suécia e a quebra nos valores alcançados pelas aprendizagens, correlacionados com as mudanças no sistema de gestão escolar que, não sendo uma questão do sistema educativo português, é de considerar numa altura em que a questão da descentralização na educação volta a ser equacionada. Aprenda-se com os erros dos outros.

Ficamos a saber que, apesar de tudo, Portugal é dos países onde os alunos menos faltam e em que a opinião dos pais em relação à escola é globalmente favorável. Inclusivamente, no que diz respeito ao bem-estar, os alunos portugueses do 4º ano envolvidos no estudo são os que declaram sentir-se melhor na escola, revelando um elevado sentido de pertença e bem-estar e afirmando que os seus professores têm um grande sentido de envolvimento com os alunos.

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