Correio do Minho

Braga, segunda-feira

O Escutismo e os Valores de Abril

Desprezar a Identidade, Comprometer o Futuro

Escreve quem sabe

2014-04-25 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

No prefácio que escreveu para o ‘Escutismo para Rapazes’, é o próprio Baden-Powell que nos diz, com uma clareza cristalina qual é a missão do Escutismo, “não foi apenas para vos divertirdes e correr aventuras que vos fizestes escuteiros capazes e hábeis, mas que, tal como os pioneiros, exploradores e fronteiros que ides imitando, vos estais preparando para servir a vossa Pátria e serdes úteis aos outros que poderão precisar de auxílio. Tal é a aspiração dos melhores entre os homens”. A Constituição da Organização Mundial do Escutismo vem definir o Escutismo como “um movimento educativo para jovens, fundado sobre a ação voluntária; é um movimento de caráter não político, aberto a todos, sem distinção de origem, raça ou religião, de acordo com os objetivos, princípios e método, tal como foram concebidos pelo fundador”.
A palavra movimento significa uma série da atividades organizadas visando um objetivo. Um movimento implica, portanto, um objetivo a atingir e uma organização que permita a sua consecução.
O facto de ser fundado sobre o voluntariado, permite colocar em relevo que a adesão é livre e responsavelmente aceite pelos seus membros, jovens e adultos, que abraçam os princípios fundamentais do movimento.
Na sua qualidade de movimento educativo, o escutismo é um movimento não político, no sentido em que não está implicado na luta pelo poder que constitui o ponto central em política e que, normalmente, se reflete no sistema dos partidos políticos. Esta caraterística “não político”, não significa que o Escutismo esteja completamente isolado das realidades políticas, no seio de um país. Em primeiro lugar, porque sendo um movimento cuja finalidade é de ajudar os jovens a tornarem-se cidadãos responsáveis, esta educação cívica não pode ser efetuada sem uma tomada de consciência das realidades políticas do país. Em segundo lugar, porque é um movimento educativo e, como afirma Paulo Freire “a educação é um ato eminentemente político” que leva a fazer opções livres, a assumir responsabilidades, a desenvolver o sentido de justiça, de liberdade, de cooperação e de paz.
Educar para a cidadania é pois a razão de ser do Movimento Escutista e, neste sentido, com a abertura que a “Revolução dos Cravos” proporcionou, tivemos a oportunidade de alargar este conceito, tendo a pedagogia da participação, aliada aos valores da Justiça e da Paz, contribuído para uma afirmação crescente, moderna e livre desta cidadania que todos buscávamos, por forma a que o receio de Paulo Freire: “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor” não se materialize na nossa ação educativa, onde o jovem é o artista da sua própria educação. Seguindo, desta forma, as palavras de Bento XVI, na sua Mensagem para a Jornada Mundial da Juventude de 2007: “O futuro está nas mãos de quem sabe procurar e encontrar razões fortes de vida e de esperança” que são uma verdadeira bússola neste percurso de vida e de vidas.
Aos Capitães e ao Povo de Abril a melhor homenagem de gratidão que lhes podemos prestar é «Viver Abril», não no sentido de ficar agarrado a um momento, mas construindo, quotidianamente, um mundo melhor, tendo como elemento central a dignificação do ser humano e de um modo especial os mais frágeis: as crianças, os jovens e os idosos, para que a preocupação de Luther King “o que me preocupa não é o grito dos maus, mas sim o silêncio dos bons”, deixe de fazer sentido nesta Terra de Abril.

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