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O edifício dos Correios ou as obras de Santa Engrácia à moda de Braga

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Ideias

2015-05-24 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Se compararmos Braga com cidades como Lisboa ou Porto, verificamos que não são vários os edifícios que, no seu centro histórico, chamam a atenção pela sua imponência e pela sua riqueza patrimonial.
Existem, no entanto, alguns que atraem muitos que por lá passam, devido ao seu valor patrimonial, como o edifício da Arcada, do Banco de Portugal, da Caixa Geral de Depósitos, do Palácio do Raio (agora em fase de recuperação) ou o Theatro Circo, para dar apenas alguns exemplos.

Desta forma quero destacar aqui, hoje, um dos mais emblemáticos edifícios bracarenses, o edifício dos Correios.
Quando foi iniciada a sua construção, em 1916, ninguém imaginaria que o mesmo se iria tornar numas pequenas “obras de Santa Engrácia”. Recorde-se que as obras da Igreja de Santa Engrácia, depois transformada em Panteão Nacional, em Lisboa, iniciaram-se em 1682 e apenas terminaram 284 anos depois, em 1966. No que se refere ao edifício dos Correios, a sua construção não durou 284 anos, mas demorou 16 anos, marcada por vários contratempos, como de seguida iremos verificar.

Como referi, as obras do edifício dos Correios iniciaram-se em 1916, sendo as mesmas entregues a um empreiteiro. De início, a construção decorreu conforme o previsto, ou seja, com uma celeridade que todos previam que terminasse dentro do prazo. No entanto, divergências de vária ordem com o empreiteiro estiveram na origem de uma longa paragem. Nos anos seguintes, o edifício ficou praticamente abandonado, deteriorando-se a própria estrutura, devido à falta de proteção e às intempéries que anualmente ocorriam.

A indignação atingiu os bracarenses e várias instituições desta localidade, tendo a Federação dos Sindicatos Agrícolas do Norte, em junho de 1922, através do seu gerente técnico - Guilherme da Costa e Sá, enviado ao Administrador Geral dos Correios e Telégrafos, em Lisboa, um pedido para o prosseguimento das obras. Nessa carta, Guilherme de Sá referia que as obras se encontram de há muito paralisadas em manifesto prejuízo até do próprio Estado, pois que as paredes do aludido prédio em construção dia a dia se estão danificando por falta de resguardo que lhes evite a deterioração com as intempéries do tempo.

Perante este cenário, segundo esta missiva, a única solução era o prosseguimento das obras de construção do edifício dos Correios, tal a urgente necessidade do mesmo.
Depois dos protestos dos bracarenses e dos pedidos de entidades desta localidade, as obras lá continuaram. No entanto, um novo acontecimento ocorreu em Braga - o 28 de maio de 1926 - que acabou por causar nova e longa paragem na construção deste edifício.

Durante os três anos seguintes, as obras do edifício dos Correios voltaram de novo a parar. Só com a intervenção do governo de Oliveira Salazar e de alguns dos seus ministros, ligados a Braga, o edifício acabou por sofrer um impulso decisivo, até à conclusão das obras. Estas reiniciaram-se em 1929 e, no ano seguinte, estavam praticamente concluídas. Estávamos em 1930. No entanto, razões de vária ordem, impediram que o mobiliário necessário para equipar este edifício fosse colocado, o que causou um atraso de mais dois anos. Deste modo, apenas em 1932 ficou pronto a ser inaugurado!

A inauguração do novo edifício dos Correios de Braga ocorreu, portanto, no dia 14 de junho de 1932, 16 anos após o início da sua construção.
É curioso verificarmos que até no momento da inauguração verificaram-se atrasos consideráveis, ou seja, a inauguração estava prevista para as 19 horas, mas ocorreu apenas às 21.20 horas, porque os membros do Governo que iriam presidir a estas cerimónias atrasaram-se mais de duas horas, depois de terem ido inaugurar a estrada Braga-Chaves, também ela com uma construção que durou mais de meio século!

A longa espera pela conclusão destas obras acabou, apesar de tudo, por funcionar como um momento importante para Braga, pois entrava em funcionamento um dos mais belos e úteis edifícios dos Correios, Telégrafos e Telefones do país.
Na inauguração marcaram presença os Ministros do Interior, da Guerra e do Comércio, o Comandante da 1.ª Região Militar de Braga, o Administrador Geral dos Correios e Telégrafos de Portugal e ainda representantes das principais entidades de Braga.

No momento da inauguração, no exterior do edifício, a população ansiosa acumulou-se durante várias horas, de tal forma que tiveram que ser formados vários e resistentes cordões de polícia!
O atraso de mais de duas horas na inauguração permitiu, no entanto, que todos pudessem apreciar a magnífica iluminação que o edifício ostentava, considerada na altura uma das mais completas e atraentes iluminações de Braga.

Situado na Avenida da Liberdade, mesmo ao lado do Theatro Circo, verificamos que deste magnífico edifício atualmente apenas resta a sua fachada principal, estando o seu interior ocupado por lojas comerciais.

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