Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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O edifício da Rua do Castelo e o Arquivo Distrital de Braga

O Movimento Escutista Mundial (IV)

Ideias

2015-12-06 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Bem no centro de Braga encontra-se um edifício que, se não está abandonado, poucas pessoas saberão quem lá se encontra e os serviços que lá funcionam. Refiro-me ao edifício da antiga Escola Comercial de Braga, que ocupa uma grande parte da rua do Castelo.
Propriedade da Universidade do Minho e, também, da “EP-Estradas de Portugal, S.A.”, o edifício é gigantesco, com um enorme potencial para um aproveitamento necessário e urgente, muito urgente.

A história deste edifício está repleta de episódios, alguns caricatos, marcados por atrasos e avanços na sua construção, e demorou dezenas de anos até ser concluído.
Logo que foram demolidas as antigas muralhas do castelo de Braga, em maio de 1906, de imediato idealizaram uma construção digna que preenchesse este espaço urbano, que então ficou amplamente exposto. Os anos passaram, as obras iniciaram-se, mas os atrasos eram constantes, devido à falta de verbas para a sua conclusão e às constantes alterações políticas que então o nosso país atravessava. Passadas mais de duas dezenas de anos desde o início da sua construção, uma autêntica “obra de Santa Engrácia”, o edifício foi finalmente inaugurado, no dia 27 de novembro de 1937, passam agora 78 anos.

A função que lhe foi destinada foi a do ensino, uma vez que lá foi instalada a Escola Comercial de Braga. De referir que esta escola funcionou, até 1937, num edifício velho, situado na rua das Carvalheiras, sem as mínimas condições de higiene e onde a luz natural nem sequer lá entrava. Eram urgentes, por isso, novas instalações para a Escola Comercial de Braga.
Com a mudança da Escola Comercial de Braga para este novo e notável edifício, os alunos puderam então desfrutar de um ma-gnífico espaço, bem no centro da cidade, possuidor de salas de aulas amplas e confortáveis, corredores espaçosos e áridos, onde a luz natural iluminava o interior do edifício durante várias horas do dia.

A cerimónia de inauguração deste edifício foi marcada por uma grande solenidade, estando presentes algumas das mais destacadas figuras nacionais e também desta região.
Atualmente propriedade da Universidade do Minho e da ““EP-Estradas de Portugal, S.A.”, este edifício tem sido votado quase ao abandono, assim permanecendo há vários anos.

Responsável por um espólio documental gigantesco, onde se inclui, desde 1976, por decreto de 11 de agosto, o Arquivo Distrital de Braga, a Universidade do Minho entendeu que as instalações onde atualmente funciona a Biblioteca Pública de Braga e o Arquivo Distrital de Braga, no edifício do antigo Paço Episcopal de Braga, na Praça do Município, não são as mais adequadas ao bom funcionamento destes serviços. Decidiu, por isso, construir um edifício enorme, que se encontra na sua fase final de construção, e que se situa na rua Abade Loureira. Determinou ainda que para lá será deslocado todo o imponente e riquíssimo Arquivo Distrital de Braga, cujas mudanças ocorrerão, prevê-se, já no início do próximo ano.

Não querendo aqui entrar em qualquer tipo de polémica, que nem sequer faz parte da minha forma de ser e que dispenso totalmente, cumpre-me, no entanto, discordar desta situação.
Desta forma, sendo o edifício da antiga Escola Comercial de Braga co-propriedade da Universidade do Minho, estando situado em pleno centro histórico e com um espaço mais do que suficiente para albergar todo o espólio do Arquivo Distrital de Braga seria, no meu entender, muito mais meritório, elevado até, efetuar as obras necessárias e colocar lá o Arquivo Distrital de Braga, ou até a própria Biblioteca Pública de Braga. Nesse edifício, facilmente lá podem ser construídos três ou quatro andares modernos e espaçosos, e sem desvirtuar a fachada do edifício.

Dividindo o Arquivo Distrital de Braga e a Biblioteca Pública de Braga por estes dois edifícios, não duvido que todos os que quisessem consultar estes imponentes serviços, património de todos, teriam melhores oportunidades de o fazer se os mesmos se situassem no centro histórico.
Até para o centro da cidade, que muitas vezes se questiona os motivos de alguma desertificação, encontrar-se-ia aqui um contributo para mais movimento e para mais consulta. Neste caso, a consulta e a manutenção das fontes que guardam a nossa memória coletiva.

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