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Braga, quinta-feira

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O direito a ser criança

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O direito a ser criança

Voz às Escolas

2019-12-16 às 06h00

João Andrade João Andrade

Para os pais cujos filhos têm agora cinco anos, aproxima-se um momento de decisões e dúvidas. No caso dos pais cujos filhos só farão seis anos após 15 de setembro de cada ano, uma outra dúvida emerge: devo matricular já o meu filho no 1.º ano de escolaridade, ou devo mantê-lo mais um ano no pré-escolar? Neste caso, o meu conselho é, claramente: mantê-lo mais um ano no pré-escolar. A decisão de o ingressar mais cedo na escolaridade obrigatória só deve ser tomada se houver uma certeza absoluta de que essa é, concreta e comprovadamente, a melhor opção para o seu filho. A ser tomada, só o deve ser se essa for, não só, a opinião da família, respetiva educadora de infância, como também a de um profissional da área da psicologia educativa. Isto porque as consequências de uma entrada desajustada no sistema educativo são demasiado grandes: podemos estar a condenar uma criança a estar (até que venha, por obrigação, a reter um ano, com todas consequências inerentes…) desajustada face aos patamares cognitivo e afetivo esperados para cada ano do seu percurso. Tomar uma opção desajustada pode obrigá-la a um potencial sobre esforço e potencial frustração em cada um dos anos do seu percurso. Inclusivamente, a decisão errada pode condenar um aluno de potencial excelência a um percurso de mediania… Em contraponto, quais as vantagens de uma inserção precoce? Um ano a menos de preparação no Jardim de Infância? Um ano mais cedo na universidade ou no trabalho? Ou um ano mais cedo no lar de idosos…?
Cada criança tem direito a uma infância feliz, percorrendo um caminho que se lhe adeque e a potencie. Os programas educativos atuais, exigentes desde o primeiro ano do primeiro ciclo, partem do pressuposto de que todas as crianças estão num patamar de desenvolvimento esperado. Uma outra consequência da inserção precoce das crianças é a maior dificuldade em ingressarem na escola de primeira escolha da família, porque, sendo condicionais, perdem prioridade de colocação face a todas as outras crianças.

Numa outra nota, mas na mesma linha, de escolas que se constituam como espaços para a construção de crianças felizes e realizadas, duas iniciativas que culminaram recentemente, mas a louvar. O culminar da primeira dessas iniciativas aconteceu, para Braga, no passado sábado, no Auditório do Colégio João Paulo II, com a entrega, a nove escolas do Concelho (entre as quais se inclui a Escola Básica 2/3 de Nogueira), do selo de «Escola Amiga da Criança». O selo é uma iniciativa conjunta da Confederação Nacional das Associações de Pais, da Editora LeYa e do psicólogo Eduardo Sá, visando distinguir escolas que concebem e concretizam ideias que contribuam para um desenvolvimento mais feliz de cada criança no espaço escolar. Assim, pretende-se o reconhecimento e a partilha das ideias excecionais que proporcionem às crianças e jovens um percurso enriquecedor e um desenvolvimento pessoal e social integrado e harmonioso, organizadas em sete áreas distintas: alimentação saudável; sustentabilidade; saúde; espaço escolar; digital; envolvimento da família e cidadania/inclusão.
Uma outra iniciativa, esta do Município de Braga, fortemente louvável pelo grande impacto nas comunidades escolares e que culminou recentemente, foi a edição deste ano do Orçamento Participativo Escolar. O princípio geral subjacente é delegar nos mais jovens e nas comunidades educativas a decisão relativamente ao destino de uma fração do orçamento do Município. Atribuindo direitos, deveres e responsabilidades, convidando os agentes educativos a identificar, debater e priorizar projetos para as escolas do concelho.

Num total de 100.000 €/ano, a distribuir pelos projetos mais votados, até 20.000€/cada, é de relevar que os projetos apresentados e escolhidos são, na sua vasta maioria, projetos destinados ou à inclusão ou à melhoria dos espaços escolares utilizados diariamente pelas crianças, particularmente pelas mais novas.
Nos últimos dois anos, fruto da responsabilidade dos proponentes, bem como da vontade da Ex.ma Vereadora da Educação e Cultura, Dr.ª Lídia Dias, conseguiram-se financiar seis projetos em cada ano.
Cabe referir que os projetos são votados numa assembleia que inclui representantes do município, dos diretores de escolas, bem como, e particularmente, de representantes das associações de estudantes de cada agrupamento.
As escolas são espaços complexos, impactado por todas as dimensões e dinâmicas, quer as positivas, quer as negativas, do meio envolvente. Cabe-lhe a ela a obrigação de mitigar e contrariar as consequências das dimensões negativas e potenciar tudo o que de positivo e bom somos, em conjunto, capazes.
Tal como as duas grandes iniciativas que aqui meritoriamente destacamos, inúmeras outras, pequenas, quase invisíveis, mas fortemente impactantes, acontecem todos os dias nas escolas, fruto da entrega dos seus profissionais, dos seus alunos ou da comunidade envolvente. Que fazem das escolas um espaço onde a maioria (que um dia desejamos integral) das crianças se constrói feliz.
Nesta época, que se deseja em família, seja a que um dia nos acolheu ou a que a si própria se escolheu, para todos os melhores desejos de Festas Felizes e de um Excelente Ano Novo!

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