Correio do Minho

Braga, quinta-feira

O dia em que de ti surgiu o Adeus…

Um ano em que a Europa respirou cultura

Conta o Leitor

2012-08-18 às 06h00

Escritor

Por André Araújo

Será hipocrisia ou meramente um sentimento. As horas foram um factor de sofrimento e com elas vinham as lágrimas que na alegria de saírem dos meus olhos, sentiram-se mais feliz que uma mera e adorada pétala de rosa. Existia um jardim que fora plantado ao longo de um caminho que foi longo, mas no seu sentimento foi curto. Já a noite crescia quando o puro som do amor começa a romper e já as estrelas brilhavam quando o som da tua voz passou nas auto-estradas da minha cabeça. Porque encostei a cabeça e adormeci a pensar em ti? Seria a minha consciência a dizer que seria o teu último adeus? A noite continuou e eu a dormir fiquei. Ao longo daquele raiar de noite as palavras foram-se formando no meu íntimo e eu sentia de uma maneira ou de outra que aquela seria a noite em que o adeus estaria próximo, mas pela virtude do destino, ou meus pés não quiseram sair do buraco onde estavam. Os lagos de palavras eram mais que um adeus, eram lagos de gosto de ti, és e sempre serás mais que um neto, e eu dizia nesses lagos, ficaras sempre no meu coração. Pergunto-me porque não uso vírgulas nem as aspas? Porque são a mal formação do sentimento verdadeiro deste adeus. Poderá ser um simples adeus para estas palavras, mas para mim, eu que escrevo em forma de alguém em que a alma está meramente hipnotizada é um adeus sentido através das veias do meu coração que penetram o meu verdadeiro sentimento. As horas foram passando e as minhas persianas foram abrindo e vendo as horas a passar, recordo que no raiar das três da manhã acordo a sentir uma dor na minha estrada do sentimento em que solto uma lágrima, mas sem dor, a guardei outra vez. Percorri a casa a procura de respostas enquanto esperava que o telefone tocasse aquela melodia que me acordaria no dia a seguir a desesperar de choro. Foram-se formando palavras ao longo daqueles escassos minutos em que estive acordado, foram-se formando filmes em forma de curtas que na minha cabeça se exibiam, mas porquê? Estaria eu preocupado. Deveras sim. Retorno a cama no intuito de dormir mais descansado, mas o sucesso disso nunca aconteceu, até porque os filmes continuavam na minha cabeça. Viro para um lado e para o outro. Fecho e abro os olhos. Adormeço e acordo. Bocejo e não tenho sono. São estes os programas duos que naquela desprezada noite eu senti. Foi então que fecho as minhas persianas do no meu corpo, para voltar a dormir. Então sonho com rios e mares e finjo ser uma pessoa que nunca foi, um poeta de verdade que vive por rimar, mas sem rima, morre por falta de amar. Pergunto me eu, do que falo aqui, do adeus, e é do adeus que aquele poeta ditou um texto, é do adeus que aquele poeta acenou, é do adeus que aquele poeta me acorda. Era um poeta que sentia o que eu sentia, era um poeta que citava o que eu escrevia, porque aquela era a noite do adeus. Será demasiado repetir adeus? Uns acham que sim, e outro nem por isso, porque no término desta história, só existe um adeus, que é o adeus de uma pessoa que foi que só ficará dentro de mim, mas continuando que as linhas são grandes. Não sei as horas em que voltei a acordar, mas seriam menos que as sete da manhã, em que eu acordo e ouço o chilrear dos pequenos seres que pensam que são mais que um avião que pensam que têm o ar nas suas asas. De repente sinto o sol a bater nas frinchas da minha janela que naquela pequena manhã toca suavemente no meu quarto, mas foi como uma despedida daquele sol maravilhoso, que tão depressa pousou na minha janela, como já estava em escassos segundos a pousar no telhado do meu prédio, contudo e como o ar de sono ainda batia nos meus olhos deitei-me outra vez no meu leito e no meu suave lugar e mero sonhador. Volto a adormecer, mas desta vez na esperança de que não acorde sem ver de quem era aquele adeus que surgiu nas minhas auto-estradas do sentimento. É então que alguém suavemente me acorda e me diz que alguém mais que eu, mas sendo mais pequeno que eu, tinha partido para uma viagem onde só existe um bilhete de ida e não de ida e volta. O desaparecimento daquele olhar, o desaparecimento daquele sorriso desabou o meu campo de plantações que ao longo de vários anos fora plantado. E agora pergunto, meu querido avô porque partiste sem dizer-me um adeus? Será que o poeta era intermediário teu? Ou seria apenas a pura sensação de que tu me deixarias depressa? Chorei lágrimas invisíveis aos olhos, mas visíveis ao coração. Fiz caminhos visíveis aos meus sentimentos, mas invisíveis aos sentimentos dos outros. Aquele acorda que temos que ir para cima, cortou a minha vontade de pensar que tu eras mais que um avô para mim, deu-me mais força para acreditar que tu eras um amigo e não um avô! Agora e terminando estas palavras e descrevendo este adeus, quero dizer as minhas estradas e não auto-estradas que por vezes não são as lágrimas visíveis que dão por conta do amor que se tem por algo ou por alguém, mas sim aquilo que está dentro da nossa arca dos sentimentos, que vibra dentro de nós, é essa grande, mas pequena arca, que paira as nossas sensações e que transmitias assim que o amor quer, porque amar é ser mais que alguém amado e dizer, eu amo-te, é deliciar o outro ser pequeno ou grande o quanto grande é o nosso amor por ele, eu, este escravo das palavras, não digo eu amo-te, mas sim digo, eu sinto-te dentro da minha arca e quero continuar a sentir-te porque tu és o meu maior sentimento e por mais saudade que eu tenha de ti e do teu sorriso esta será e se sempre continuará a ser o dia em que o adeus de ti surgiu não pela tua humilde boca, mas pela tua humilde vontade de me amar, agora fica a duvida desta arca, porque me olhavas sempre que eu pensava em ti? Porque não tinhas receio de chamar por este escravo de palavra que tristemente escreveu estas fraternas palavras? São estas e outras respostas que ficaram guardadas no íntimo dessa arca do sentimento, por debaixo daquele forro que será só nosso e que contem imensas imagens e filmes reais que ao longo da minha vida ficaram guardadas e ficará sempre aquela celebre frase “ apanhas as laranjas podres” não é uma frase grande em termo de importância, mas em termos de sentimento é extremamente grande… Assim fala a saudade de quem sempre adorou esta pessoa, porque foi mais que um avô, foi um amigo para mim… Dedico-te, mesmo apesar de não estares aqui comigo este texto… ADEUS…

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