Correio do Minho

Braga, quarta-feira

O Dia da Nossa Escola

O governo continua a arder

Voz às Escolas

2013-01-10 às 06h00

Manuela Gomes

6 de janeiro de 1983: Os alunos da ESAS recusam-se a cumprir as ordens do poder central e não comparecem às aulas. Assim nasceu o dia da nossa escola.


Revisitando a História de Portugal, é inevitável considerar que alguns comportamentos não deixam de evidenciar raízes profundas, muitas vezes legítimas, outras vezes produtos de análises distorcidas ou manipuladas. Contudo, e apesar da pluralidade de interpretações relativamente à formação e independência do nosso reino, duas localidades assumem papel determinante no processo: Guimarães e Braga. E por mais voltas que a construção da História possa operar nessas interpretações, Afonso Henriques e os Arcebispos de Braga jamais poderão ser eliminados da narrativa desse período. De lá para cá, muita água correu nos moinhos, mas não deixa de ser pertinente assinalar que a História, apesar da relevância das condições estruturantes ou conjunturais que, em determinado momento, interferem no curso dos tempos, é, acima de tudo, feita pelas pessoas e, frequentemente, é o poder do coletivo, dos anónimos, que determina o seu rumo.

Para a Educação nunca poderão existir tempos de conformismo. A Escola terá sempre de ser o espaço onde a esperança se desenha e a mudança possa acontecer.

Em 1983, o Ministério da Educação alterou o calendário das férias de Natal. Ao contrário do habitual, o dia 6 de janeiro, tradicionalmente Dia de Reis, passou a ser dia de aulas. Num ato de contestação e na defesa das tradições locais, os estudantes da ESAS decidiram não comparecer às aulas nesse dia, surpreendendo a restante comunidade educativa. A partir daí, todos os anos, a receita «ninguém vai às aulas!» repetir-se-ia infalivelmente, de tal modo que o 6 de Janeiro acabou por ser consagrado o «dia da escola».

Atendendo a que, este ano, este dia correspondia a um domingo, a ESAS escolheu encerrar as Comemorações dos 40 ANOS no dia 7 de janeiro, homenageando, de novo, esse ato de identidade que a escola passou a integrar na sua ação educativa.

Ao longo deste ano, tentámos registar o apreço desta comunidade por todos aqueles que através de iniciativas e de projetos vários definiram um rosto e um rumo a esta instituição.
E ao homenagear o passado, congratulámo-nos pelo nosso presente. Assim, seja qual for o destino desta instituição, na essência, não dependerá de nenhuma pessoa em particular…

Continuará a depender da força do nosso coletivo e esse é o verdadeiro rosto da Escola Secundária de Alberto Sampaio.

Ao longo destes últimos anos, tive o privilégio de trabalhar com pessoas admiráveis e com os meus colegas de direção que muito estimo e a quem nunca terei oportunidade de fazer justiça.
Às vezes, novos desafios não deixam de ser tão-só e apenas novos desafios. A ESAS terá sempre o conteúdo humano certo para escrever essas páginas.

Neste momento, não podemos deixar de agradecer a todos quantos nos acompanharam e acompanham na defesa da nossa escola, das nossas escolas, da nossa cidade.
À Companhia de Música de Braga que nos acompanhou na Cerimónia de Abertura e ao Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, cujo Coro de Câmara e Orquestra estiveram presentes no encerramento das comemorações, queremos aqui também registar a nossa especial gratidão.

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