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O devir da lusofonia - um manual de promoção da língua portuguesa

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O devir da lusofonia - um manual de promoção da língua portuguesa

Voz às Bibliotecas

2020-03-12 às 06h00

Victor Pinho Victor Pinho

“Se pretendemos uma verdadeira política da língua e que a língua portuguesa preserve o seu papel de língua internacional, é indispensável que os representantes políticos (…) actuem como embaixadores e abdiquem de uma certa “anglomania” (…) . A intransigência lusófona também passa por relembrar algumas regras de base: numa instância internacional na qual a língua portuguesa é a língua de trabalho, é inadmissível que os agentes lusófonos comuniquem em inglês (…).” escreve Isabelle de Oliveira no livro “O Devir da Lusofonia”, recentemente apresentado na Biblioteca Municipal de Barcelos, com chancela da Porto Editora.

Defende que se deviam instituir prémios para homenagear os méritos de todos aqueles que contribuem para aumentar a visibilidade da lusofonia, incentivando-os, valorizando o dinamismo, a excelência e a criatividade.
Trata-se de um livro, com prefácio do professor e jornalista José Rodrigues dos Santos e posfácio do advogado e dirigente desportivo J. Lourenço Pinto, que diz respeito à promoção da língua portuguesa na Europa e no mundo, envolvendo aspectos culturais, científicos e políticos. Um manual imprescindível a todos, políticos, técnicos, educadores, professores, jornalistas, desportistas, homens e mulheres que falam a língua de Camões.
Isabelle de Oliveira, é uma francófona lusa natural da freguesia de Negreiros, concelho de Barcelos, professora titular e directora de investigação em Ciências da Linguagem na Université de Paris-Sorbonne (Paris III) e presidente do Instituto do Mundo Lusófono, sediado em Paris.

Segundo a autora, “a lusofonia é a cola que nos une, uma comunidade que nos permite compreender melhor e agir melhor. Porque falar uma língua – falar português – é transmitir valores, veicular mensagens, inspirar povos… Falar português é falar a língua da dignidade e da diversidade cultural.”
Com mais falantes fora do que dentro das suas fronteiras, tal como o espanhol e o inglês e, ao contrário do francês, a língua portuguesa é uma das línguas mais faladas do mundo, sendo a língua oficial dos sete países fundadores da CPLP – Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Não foi Fernando Pessoa que afirmou que a minha Pátria é a Língua Portuguesa?

Depois de, na primeira parte do livro, dissertar sobre “A Lusofonia: Do Conceito à Realidade”, Isabelle de Oliveira questiona, na segunda parte, “Porquê uma Política da Língua num Contexto de Globalização?”.
A autora defende que a melhor estratégia para defender uma língua é falá-la, mantendo-a viva e, com ela, a sua identidade e a sua cultura, cabendo aos países lusófonos a promoção da língua portuguesa. Deverá haver uma estratégia internacional para a língua portuguesa, através de uma visão ambiciosa e inovadora, moderna e progressista.
Defendendo que o futuro da lusofonia está em África, e que a língua portuguesa, apesar de estar em risco, pode ser uma mais valia nas trocas internacionais, refere que há países que se encontram numa “espiral de crescimento vertiginoso” e que nos pode aproximar de outros espaços linguísticos (francófomo, hispanófono ou arabófono) ou diluir-se num continente com centenas de língua autóctones.

Finalmente, na parte terceira do livro procede à análise dos desafios da lusofonia, apresentando algumas propostas de acções para a lusofonia.
Em primeiro lugar o Ensino e a Investigação, desempenhando um papel crucial as instituições de ensino e as universidades, através da implementação de programas de ensino inovadores que fomentem o ensino bilingue e que facilitem a aprendizagem.
Em segundo lugar, o Universo da Comunicação, nomeadamente na comunicação internacional. Segundo a autora, para que a língua portuguesa se torne uma das principais línguas do mundo é preciso reforçar e legitimar a sua presença nos “espaços emblemáticos” do universo internacional: a Internet e os meios de comunicação social, a economia, a diplomacia europeia e o multilateralismo.

Depois, a Dimensão Cultural, procurando transformar a língua portuguesa numa língua de criação. O incentivo ao florescimento de ideias, imagens, palavras, música e outros é crucial para o futuro da língua portuguesa. Mas, também é importante, “tentar abater” as fronteiras dos nossos espaços culturais e fazer circular os artistas e as obras.
Outra proposta tem a ver com o Universo Económico e Comercial. O português é a nova língua do poder e dos negócios e intervém em campos privilegiados, como a economia da cultura, do digital, do saber, social e ambiental.
Finalmente o quinto grande desafio da lusofonia é o Desporto. Através deste, a Lusofonia pode cruzar fronteiras e oceanos. Os nossos atletas, treinadores, dirigentes desportivos e tantos outros são verdadeiros embaixadores e promotores da língua portuguesa no mundo.

Isabelle de Oliveira conclui que “o nascimento de um imaginário para o reconhecimento mútuo dos lusófonos e a integração num movimento transnacional de promoção dos valores democráticos, afirmados em torno do português são condições necessárias à constituição de uma união geocultural de língua portuguesa susceptível de representar uma verdadeira realidade geopolítica num futuro próximo.”

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