Correio do Minho

Braga, sexta-feira

O destino dos refugos!

Bragafado 2018: a trindade do fado tradicional

Ideias

2017-02-22 às 06h00

Pedro Machado

Os sistemas de tratamento de resíduos debatem-se atualmente com dois grandes problemas: a deposição ilegal de resíduos indiferenciados na via pública ou em locais ermos e a falta de solução de valorização para os refugos das unidades de Tratamento Mecânico.
Desde que o Estado Português decidiu privatizar a receção de Resíduos Industriais Banais (RIB’s) que sempre perspetivei e alertei as entidades competentes que iriam proliferar microlixeiras um pouco por toda a parte.

Efetivamente, um dos problemas que nos preocupam tem a ver com a deposição de resíduos indiferenciados junto aos ecopontos ou em locais mais ermos. Os pequenos industriais e comerciantes não estão disponíveis para pagar tarifas um pouco mais elevadas, mas principalmente para assumir custos de transporte e logística para se deslocarem aos aterros privados, abandonando assim ilegalmente os resíduos.

É uma situação lamentável, mas previsível e cada vez mais frequente. Claro que estas situações resultam da falta de civismo, mas, por mais sensibilização que se faça, há que disponibilizar soluções de deposição legal acessíveis e dentro da nossa área geográfica.
É também de grande importância a co-responsabilização dos cidadãos para que não compactuem com estas situações, sempre que tiverem conhecimento de que alguém abandonou resíduos junto aos ecopontos ou noutros locais, denunciem às autoridades competentes, nomeadamente o SEPNA da GNR, o município e a Braval, para que possamos, pelo menos, minimizar o problema.

Quando, em 2014, foi apresentado o PERSU 2020 (Plano Estratégico de Resíduos Sólidos Urbanos), arrojado em termos de reciclagem, cada sistema fez o seu plano de ação, aprovado pelo Ministério do Ambiente, através da APA (Agência Portuguesa do Ambiente), prevendo investimentos em Tratamentos Mecânicos para retirar os resíduos recicláveis dos resíduos indiferenciados, e envio para reciclagem.

Surgiu então, derivado deste tratamento, uma outra questão que nos preocupa, que tem a ver com os refugos da unidade de Tratamento Mecânico, os chamados CDR’s (Combustíveis Derivados de Resíduos).
É urgente uma solução para estes refugos, para não se encher os aterros com materiais com valor e potencial de valorização, pelo menos, energética.

Os empresários, o Estado, as associações ambientalistas deveriam unir-se para encontrar uma solução que, na minha opinião, seria uma unidade de valorização energética que abrangesse o eixo Litoral- noroeste, ou seja, de Valença, Viana do Castelo, Barcelos, Braga, Guimarães até Vila Real, ou seja, os sistemas Valorminho, Resulima, Braval, Resinorte e Resíduos do Nordeste.
Já em 2008, no Relatório & Contas da Braval, preconizávamos esta solução: “gostaríamos de comungar o pensamento que a solução mais equilibrada para a nossa região Litoral-Noroeste seria uma unidade de valorização de toda a fração de refugo proveniente da triagem da totalidade dos resíduos domésticos e equiparados”.

Devemos continuar sempre a massificar a sensibilização ambiental dos cidadãos, separar os resíduos, mas como não se consegue retirar a montante tudo o que é reciclável, o refugo não deve ir para o aterro e a pagar TGR (Taxa de Gestão de Resíduos), cada vez mais elevada, por um resíduo que tem potencial de valorização.
O Estado deveria conceder aos municípios e empresários estas soluções, o resíduo urbano deve ser valorizado na sua totalidade, é impensável continuar a depositá-lo nos aterros sanitários e a pagar TGR.

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