Correio do Minho

Braga, segunda-feira

O desenvolvimento do território e a proximidade do interior

A sombra da vida

Escreve quem sabe

2018-03-18 às 06h00

Manuel Barros

O desenvolvimento assimétrico do País, e a desertificação acentuada e crescente do interior, estão na ordem do dia. Um problema de grande atualidade, que exige medidas imediatas e soluções de longo prazo. Apesar do carater impulsivo das atitudes em relação aos problemas que têm assolado o País, e as suas trágicas consequências, não podemos, reduzir este problema ao ordenamento floresta, à prevenção dos incêndios e ao reforço das medidas na área da proteção civil. São com toda a certeza, problemas críticos que exigem solução urgente e prioritária. Mas não podem ser tratados de forma isolada, e como panaceia de todos os males das políticas do território, tal como afirmou o Primeiro-ministro, António Costa, o interior não pode estar condenado ao empobrecimento. Sendo preciso inverter esta situação.
Mais do que a implementação de políticas públicas e produzir legislação, que muitas vezes não saem do papel, ou se transformam em repostas conjunturais, que são surtem os devidos efeitos estruturais. Respostas de que precisamos para resolver um problema, que se arrasta ao longo das últimas décadas. O pro-blema é estruturante, e vai muito para além de toda esta mobilização. A situação está a agravar-se em todo o território nacional, envolve os Açores e a Madeira e está a alargar- se, gradualmente ao litoral. Encurtando mesmo, a dimensão das áreas onde se concentram os agentes produtores de riqueza, as oportunidades de emprego, as melhores condições de vida e, sobretudo, a população jovem qualificada em situação laboral precária, cada vez mais generalizada.
As medidas a adotar, de que o governo tem vindo a falar, tem que capazes de acompanhar os mecanismos de proximidade, que os agentes políticos e económicos, e a própria sociedade civil através das instituições sociais, culturais e humanitárias estão a implementar. Através de uma verdadeira economia de partilha, uma tendência que está ganhar força, e deverá ser uma resposta futura para os desafios de desenvolvimento integrado. Sendo necessário apostar e incentivar o esforço feito e sustentado, nas parcerias e nas redes que estão a ser criadas à margem das políticas públicas vigentes. Apesar da ajuda que têm vindo a assegurar para a solução das situações de crise e que são incapazes de responder aos problemas conexos que estão a surgir. Problemas estruturais que se colocam aos gestores dos territórios de proximidade.
Um papel que exige um processo de descentralização efetivo, e uma mudança do modelo de governança, para que as aspirações e ambições dos cidadãos sejam asseguradas de forma sustentada, estruturante e duradoura. Neste contexto a Universidade do Porto, organizou uma sessão para assinatura de um conjunto de protocolos de cooperação que envolveu cerca de 50 Municípios de diversas regiões do País. Um protocolo que prevê, o acesso a um banco de currículos de estudantes e diplomados, registados no Gabinete de Apoio ao Estudante e Empregabilidade da U.Porto, com o objetivo de apoiar o acesso e o recrutamento de diplomados com os perfis mais adequados às oportunidades de emprego qualificado, identificação das competências e necessidades mais procuradas pelo mercado empresarial e potenciar o desenvolvimento de projetos de investigação, que permitam introduzir dinâmicas de inovação nestes territórios.
Promoveu ainda neste evento, assinou um Memorando de Entendimento com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, a Universidade de Vigo e o Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa, com o propósito comum de que a expansão e o reforço da cooperação transfronteiriça das quatro universidades. Uma ação da Universidade do Porto virada para todo o País, que aposta na sua dimensão nacional e internacional.
A Universidade está a criar uma espécie de banco de currículos nas mais variadas áreas de conhecimento Fazendo chegar os perfis dos estudantes e diplomados às PME de Norte a Sul do país. Por outro lado, quer ajudar essas empresas e os municípios a conhecer os jovens dos seus territórios, nas 14 faculdades e que investigam nas mais variados centros e estruturas de interface, "promovendo um contacto mais chegado dos estudantes com a própria realidade dos meios de onde vierem" e potenciando a partilha de oportunidades de emprego qualificado, para facilitar até o regresso às terras de origem no final do curso.
Uma dimensão aspiracional que está no centro do processo de desenvolvimento dos territórios. Na capacidade de atraírem e fixarem novas gerações e recursos mais qualificados onde o emprego, a habitação, o planeamento, a coesão social, a segurança, a mobilidade, a infraestruturas de apoio ao desporto à cultura e ao lazer, a valorização do meio ambiente e a promoção da felicidade intergeracional dos cidadãos. Um processo em que as Instituições de Ensino poderão dar um impulso fundamental, através da implementação de programas e projetos de cooperação, de forma a apoiar a empregabilidade e combater a desertificação do interior.

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