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O Conservatório, a Profª Adelina Caravana e a Drª Madalena Perdigão

A escola no pós-pandemia

O Conservatório, a Profª Adelina Caravana e a Drª Madalena Perdigão

Escreve quem sabe

2021-03-26 às 06h00

Carlos Alberto Pereira Carlos Alberto Pereira

Perdoar-me-ão os leitores por ousar “pular a cerca” da temática sobre a qual incidem estas crónicas, mas um imperativo de justiça, motivado pela tripla efeméride que o Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga está a viver, neste ano de 2021, assim mo exige o facto de nele ter sido professor efetivo durante 26 anos, até me aposentar.
O Conservatório de Música de Braga foi criado pela iniciativa da professora Adelina Caravana, no dia 7 de novembro de 1961. Foi, graças a este ato criador, cujo 60º aniversário comemoraremos no último trimestre de 2021, e aos resultados obtidos, que foi possível reunir as condições para que a Fundação Calouste Gulbenkian, pelas mãos da Drª. Madalena Perdigão, a criadora e diretora do Serviço de Música (1958-1974), construísse este emblemático edifício da cidade de Braga, cujas bodas de ouro celebraremos no próximo dia 31 deste mês, por ser o dia em que este foi solenemente inaugurado, no ano de 1971. Por fim, o ano letivo de 1971/1972 é também um marco importante na vida desta instituição, uma vez que marca o início do ensino artístico público na cidade de Braga, tendo a professora Adelina Caravana dirigido esta instituição durante longos anos.
Esta transferência do ensino privado para o ensino público, resulta da publicação de do Despacho do Ministro da Educação, de 23 de Setembro de 1971, exarado ao abrigo do Decreto-Lei nº 475876, de 10 de Março de 1967, passando a ser uma “Escola Piloto”, na dependência administrativa do Liceu Nacional D. Maria II, funcionando com ensino pré-primário, primário, ciclo preparatório e liceal, secção de Música com cursos complementares e curso superior de Piano, secção de Ballet, secção de Artes Plásticas e Fotografia e secção de Arte Dramática. Ao abrigo do Decreto 18881, de 1930, o Conservatório, na área da Música, passou a albergar todos os níveis de ensino, desde o "jardim de infância ou pré-primário" até ao superior. Em 1983, a publicação do Decreto-Lei 310/83, que visava «estruturar o ensino das várias artes – música, dança, teatro e cinema», tendo criado as Escolas Superiores de Música de Lisboa e do Porto, retirou aos conservatórios as competências que tinham na esfera do ensino superior.
Neste percurso para a emancipação, no dia 19 de março de 1984, a Fundação Gulbenkian fez, por escritura pública, a doação do edifício do Conservatório ao Ministério da Educação, salvaguardando: «destina-se a nele ser ministrado o ensino da música e disciplinas afins,» e «não podendo ser utilizado para fim diverso sem prévio consentimento da doadora» e onde o Estado Português declarou: «aceita a doação do prédio e seu equipamento, nos termos exarados, pelo que fica obrigado a utilizá-los para a finalidade indicada pelo doador». Foram testemunhas deste ato, o Ministro da Educação, José Augusto Seabra, e o Governador Civil de Braga, Artur Sousa Lopes.
É a minha profunda convicção que, não fora a pandemia, o Conservatório já teria brindado a sua cidade e o seu país com um riquíssimo e variado programa cultural a desenvolver ao longo de 2021, honrando, desta forma, a ação destas duas Grandes Mulheres, a Profª Adelina Caravana e a Drª Madalena Perdigão, que constituem os dois pilares desta escola artística que foi criada e tem permanecido viva, “aqui, na paisagem, tão longe da capital”, ambas são credoras na nossa admiração e respeito. Com propriedade, e de forma carinhosa, poderíamos chamar-lhes as “mães” do Conservatório Música Calouste Gulbenkian de Braga, porque cada uma delas, à sua maneira, deu o seu precioso contributo que sustentou o seu desenvolvimento ao longos destes 60 anos, mas sobretudo porque sempre amaram esta instituição de educação artística.
Seja-me permitido encerrar esta crónica recorrendo aos últimos do poema - “Equívoco”, escrito pela Profª Adenina Caravana, datado de 25 de maio de 1991, dia em que o Conservatório homenageou a sua fundadora com um concerto e atribuiu o seu nome ao grande auditório.

Agradeço tanto a todos!!...
Corações a esvoaçar
na alegria das palavras,
nos sons lindos de encantar...
Rostos que brilham e riem,
abraços vivos, sem fim!
Bendito sejas, meu Deus!
Eu é que estava enganada.
Agora, sei mais da vida!

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