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O comércio na dinamização da reabilitação urbana

O futuro depois do COVID 19

Escreve quem sabe

2014-10-24 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

A necessidade de se reabilitar e regenerar as cidades, requalificando os centros urbanos e recuperando os edifícios degradados, é uma matéria consensual para todos os quadrantes da sociedade portuguesa.
Consensual parece ser também a ideia de que não será desejável nem sequer possível a aposta na construção nova que caraterizou o mercado nos últimas décadas, e que originou quase o colapso do mercado do arrendamento em favor do mercado da habitação própria.
Assumindo-se o setor da Construção e Imobiliário como um dos principais motores da economia portuguesa, mas que entrou em crise profunda nos últimos 5 anos, é fundamental a inversão da atividade neste setor a curto e médio prazo.
A reabilitação urbana parece a grande aposta do setor para iniciar este processo de inversão de tendência, apostando nas oportunidades que surgirão ao nível da requalificação das cidades, para que se tornem mais atrativas para aí se viver, trabalhar ou simplesmente passear.
Neste processo o comércio surge como um potente dínamo da reabilitação urbana pela capacidade de resposta que apresenta sempre que é incentivado a investir na sua modernização; pelo efeito multiplicador que gera noutras atividades económicas em termos de dinamização dos negócios; pelo efeito de contágio na reabilitação dos edifícios vizinhos e nas frações destinadas a outros usos (sobretudo, no habitacional); pela capacidade de renovar de forma cíclica os investimentos na reabilitação das instalações para se manter atualizado e competitivo.
Em Braga, os setores do comércio e serviços constituem a especialização funcional principal em termos de atividade económica. Desde a sua fundação que Braga é uma cidade eminentemente comercial.
Por isso mesmo, em Braga, a importância do comércio na requalificação urbana está à vista de todos e com provas dadas a nível nacional e internacional com o impacto que gerou a implementação de dois projetos de urbanismo comercial.
Em meados dos anos de 90, em Braga, verifica-se um grande número de estabelecimentos de comércio e serviços desatualizados, sob o ponto de vista físico e dos métodos de gestão e de venda; o espaço urbano da maior parte das artérias do centro histórico aparentava um aspeto desorganizado e desqualificado, pouco propício para os atos de passear, socializar ou de fazer compras; o centro de Braga registava uma perda da capacidade atração de novos consumidores, face ao emergir de algumas cidades vizinhas, que até então sofriam de forma significativa do efeito de atração que Braga gerava junto dos seus residentes.
Com a operacionalização do 1º Projeto de Urbanismo Comercial de Braga (PROCOM), que implicou um investimento público e privado de aproximadamente 23 milhões de euros (15 milhões de investimento das empresas, 7,5 milhões de investimento municipal na requalificação do espaço público e cerca 320 mil euros em ações coletivas de promoção do comércio) tudo mudou. Modernizaram-se 171 estabelecimentos comerciais dum universo de 372, transformaram-se 8 artérias em área pedonais, criou-se um parque de estacionamento subterrâneo de grande dimensão e dotou-se o espaço público de mobiliário urbano uniforme e moderno.
Transformou-se Braga, na capital do comércio, e criaram-se condições únicas para que o centro se tornasse num área aprazível e com grande potencial de exploração em termos comerciais e turísticos.
Face ao enorme sucesso deste como doutros projetos PROCOM pelo país fora, o termo urbanismo comercial entrou no vocabulário dos técnicos, políticos e investigadores.
Hoje julgo ser insuficiente pensar projetos desta natureza apenas sob o ponto de vista do urbanismo e do comércio. As dimensões turística e cultural das cidades são igualmente fulcrais no processo de uma intervenção planeada e pró-ativa de requalificação de uma cidade como Braga, tendo em vista garantir a vitalidade e viabilidade do seu centro histórico.
A cidade, como o comércio, enfrenta hoje dois grandes desafios que tem de aproveitar para ganhar o futuro: por um lado, preparar a sua oferta para um “novo” segmento de mercado que tem crescido na casa dos dois dígitos nos últimos 4 anos, ritmo que se prevê continuar a manter na próxima década - o segmento do turismo; por outro lado, deverá ser capaz de incorporar na sua proposta de valor a criatividade, o design e a inovação para tornar a sua oferta distintiva e capaz de competir no mercado global.

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