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O CNE e o V Congresso Eucarístico Nacional (I)

As bibliotecas e as leituras no verão

O CNE e o V Congresso Eucarístico Nacional (I)

Escreve quem sabe

2024-06-21 às 06h00

Carlos Alberto Pereira Carlos Alberto Pereira

Na última crónica partilhei com os leitores as conclusões do V Congresso Eucarístico Nacional1, que foram apresentadas aos participantes e aos peregrinos no Monte do Sameiro, no final da Eucaristia Campal, aí celebrada e presidida pelo Cardeal D. José Tolentino de Mendonça, representante especial do Papa Francisco, encerrando o Congresso.
Hoje, gostaria de partilhar as oportunidades criadas pelas conclusões apresentadas a toda a Igreja em geral, mas de uma forma específica ao Escutismo Católico Português, por forma a enriquecer o Programa Educativo e o Método Escutista.

Definindo-se o Escutismo como um movimento de educação integral, isto é, atende a todas as éreas do desenvolvimento de crianças e jovens, onde estes são protagonistas da sua autoeducação, que o fundador procurou sempre valorizar com um conselho que ficou célebre com a seguinte expressão: «impele a tua própria canoa».
Por tudo isto, a primeira conclusão «Redescobrir que a centralidade eucarística vai para além do Domingo.», isto é, esta centralidade é uma caminhada, mas uma caminhada onde cada um deixa o suave perfume do Senhor, que se procura e, se tivermos vontade, sempre o entramos no troço do caminho percorrido. É um corajoso apelo a rompermos com a centralização do nosso olhar, não naqueles que nos podem ajudar num caminho, mas nos que nós podemos amparar no caminho. É um apelo a olharmos para a Eucaristia como um espaço agradável onde podemos sempre encontrar os outros e o Senhor, de certa forma é como os encontros que o Senhor proporcionou, a tanta gente, junto ao rio, na praia, na montanha, na cidade ou no campo. Neste sentido, o CNE deve procurar linhas de abordagem mais simples e diretas, procurando interlaçar a Fé e a sua vivência por forma a (re)descobrir a alegria na simplicidade dos encontros.

Na segunda conclusão «Manter as igrejas abertas e revalorizar a adoração eucarística» Para que as igrejas sejam espaços de acolhimento fraterno e familiar, sobretudo para os que deles mais necessitam. Por isso, as preocupações fundamentais da Igreja nos dias vindouros, devem ser os momentos de oração/adoração, que podemos encontrar nas palavras de Lucas (10, 40-42) quando Marta, em sua casa, interpelou Jesus dizendo: «Senhor, não te preocupa que a minha irmã me deixe só com todo o trabalho? Diz-lhe então que me venha ajudar.» Mas o Senhor respondeu: «Marta, Marta, andas preocupada e agitada com tantas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte que não lhe será tirada.»

É esta lucidez de discernir sobre as escolhas que quotidianamente fazemos que temos que saber ordenar nas prioridades que Jesus aqui estabelece. Claro as opções das duas irmãs são ambas importantes, numa analogia simples permitir-me-ei dizer que Marta escolheu a “Igreja” e empenhou-se para que todos se sentissem bem, mas Maria escolheu a “adoração eucarística”, ouvir o Senhor e por isso a melhor parte que não lhe será tirada.
Na terceira conclusão «Procurar o equilíbrio entre a Tradição e a necessidade de introduzir novas linguagens na liturgia» a necessidade de evolução aqui expressa é de uma importância capital, antes de mais porque o meu tempo foi muito diferente do tempo dos meus filhos e muitíssimo mais dos tempos dos meus netos, os tempos de hoje. Hoje o “protótipo” de Jesus [desculpem-me a rudeza desta expressão] que me apresentaram era diferente do de hoje, tal como o da Igreja, mas também não podemos substituir o personagem central do Presépio pelo Pai Natal que veio do frio. Nos nossos dias, estes tempos de globalização, devem ser oportunidades para que o Homem Novo possa emergir, quebrando barreiras que os tempos foram levantando para que a simplicidade do dizer «Pai Nosso» ou do «Partir do Pão» sejam exemplos, que o CNE possa trabalhar, de forma integrada nas seis áreas de desenvolvimento e nos oito elementos do método escutista, permitindo que as crianças e os jovens que nos são confiados possam, como Jesus Menino, «crescer em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens» (Lc 2 – 52).

1https://congressoeucaristico.pt/conclusoes-do-5-o-congresso-eucaristico-nacional/

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