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O claxom

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

O claxom

Ideias

2018-11-30 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Acompanho a soberba magistratura de influência do senhor presidente da república. Não fora a sua atenção pertinente, com que lentidão não andariam os assuntos de Pedrogão e de Tancos, onde não viria a ocultar-se o assunto de Borba? E quão assertivos não são os seus alertas para algumas das questões que nos afligem, como a da pobreza e a dos sem-abrigo? Oportuno, nos dias de hoje, traz a lume o sufoco da comunicação social. Urge uma operação de resgate, profere. Mas como? Poderá o estado subsidiar empresas, injectando fundos, isentando de impostos? A união europeia irá nisso? Salta-me à vista uma solução: não criar o governo um subsídio de urbanidade, tipo abono de família, de tal modo que o pleno dos portugueses se visse compelido a assinar um diário e um semanário de actualidade social e política, mais duas ou três revistas, títulos de filosofia, de história, ou coisa do género, mas que fizessem algum sentido, e que puxassem o zé povinho para cima. Pode ser cidadania à força, mas os jornais, ao menos, saíam do aperto.
Estou em crer que o senhor presidente da república entende que as suas chamadas de atenção remetem para um mesmo sujeito, a saber, para a cascata de imperfeições transitórias deste nosso maravilhoso país. A dada altura, porém, deixa de ser possível fazer de conta que cada caso é um caso, e que nenhuma ligação existe entre os diversos pecados. Custar-nos-á assim tanto concluir que não temos Estado que funcione ao encontro do mérito e das necessidades dos cidadãos, observando critérios rigorosos e impessoais? Custar-nos-á assim tanto concluir que a hierarquia do Estado se está nas tintas para o destino da Nação, tal como ela se projecta e reproduz em cada um de nós, ainda que aprovem manuais escolares gratuitos, mais umas vacinas, mais uns quantos arranjos menores?
Nesta urgência de revivificar a imprensa nacional, de a catapultar para o que de mais nobre ela possa visar, é certo e sabido que eu estou com o senhor presidente da república. Inteiramente! Eu só não sei, entretanto, e por isso escrevo, é se o senhor presidente da república se preocupa realmente com a imprensa, ou qualquer dos assuntos que vá aflorando, por muito que seja o presidente dos afectos e beijoquices. Permitam-me o cínico mea culpa: é que eu já fingi, e alvo fui de fingimentos alheios. E, quanto ao que me respeita, tudo me pareceu tão verdade, no que posso aduzir.
Sugere, uma comunicadora ressuscitada, que o senhor presidente da república se comporta como se um relações-públicas do governo fora. Não será, antes, um habilidoso de oficina do condomínio, desses que consertam um cano que rompe e um quadro que salta? Um mago que desentope e que maquinetas ajeita? De norte a sul, do litoral à raia, qual professor pardal, cruza o senhor presidente da república a terra prometida da geringonça. Os males são muitos, mas a dona elvira é robusta, e recheada a maleta das ferramentas, com chaves milagrosas e parafusos de mágico ajuste. Desenferruja aqui, lubrifica acolá; passa um bate-barbas a este, puxa o lustro àquele… o enguiço, porém, tem cama e calo.
Com correcções casuísticas não saímos do marasmo, senhor presidente da república. Vimos habituados à bucha e ao caldo de couves, vimos habituados ao capataz e à jorna, ao despacho que não sai e à obra que não arranca. Em Portugal tudo é lento, tão lento que a imbecilidade leveda em patamares onde jamais deveria ter-se alçado. E assim lhe digo, isto para o caso de acompanhar a imprensa regional: de subsídio, pensão, renda ou tença, até eu precisava. Eu, entre milhões de portugueses. O abafa da imprensa é a falta de ar generalizada do País. No entanto, por muito que uns dinheiritos fizessem cá um jeitaço, mais arranjados ficaríamos com uma contestação à la française. E conto consigo nas barricadas. Era homem para marcar presença onde bule, acredito. Ah! E traga o Berardo, para fazermos umas contas.

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