Correio do Minho

Braga, terça-feira

O Centenário do Caminheirismo (II)1

Um caminho diferente

Escreve quem sabe

2018-09-21 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Omito dos “Cavaleiros da Távola Redonda” dominou o imaginário e a mística do caminheirismo, em Portugal, leia-se no Corpo Nacional de Escutas, até ao final dos anos sessenta, dando corpo ao pensamento de Baden-Powell (B.-P.) expresso no seu livro “A Caminho do Triunfo” que, no prólogo à segunda edição, em setembro de 1930, escreve:
«após a primeira edição, dois fatores novos se deram no Caminheirismo.
Um é ter-se agora estabelecido em bases sólidas, após evolução constante, a secção dos Caminheiros. Daí a necessidade de se refundir, de acordo com as sugestões feitas pelos próprios caminheiros, o último capítulo, que trata da Organização e Regulamento.
O segundo facto foi o ter-se adotado e desenvolvido a tal ponto o Caminheirismo noutros países, que este constitui já o núcleo de uma Fraternidade Universal de jovens orientados pelo mesmo ideal de SERVIR, ligados pelos laços da amizade e bom entendimento.»

Assim, as décadas de 70 e 80 são anos de análise e de síntese por causa da alteração social e política resultante do Movimento dos Capitães de Abril, que, em bom rigor, no CNE começou em 1962, com as alterações estatutárias aprovadas em Conselho Nacional, mas que a censura política não aprovou e no Caminheirismo este despertar manifestou-se no XIV Acampamento Nacional de Marrazes (Leiria) em 1973, era a suave brisa da mudança que anunciava o alvorecer de Abril.
A Secção dos caminheiros estava, sob o ponto de vista estrutural, relativamente bem organizada, pois, ao longo dos tempos, sempre houve uma espécie de “proposta educativa”, isto é, um conjunto de recomendações metodológicas e curriculares, mais ou menos definida. Poderemos dizer, sem fugir à verdade, que em 1973, a «Flor de Lis» publicou, em anexo, um documento estruturante, alicerçado na experiência da Região de Lisboa e baseado no “que está regulamentado, traduzido e adaptado”, sob o título “Caminheiros”. Este texto viria a ser reescrito para publicação nas «Flor de Lis» de janeiro, fevereiro, março, abril, junho e julho/agosto de 1978, sob o título “Caminheiro78”, como texto dinamizador do Rover do XV AcNac1978, realizado na Gafanha da Nazaré, em Ílhavo - Aveiro.

Este Rover, liderado pela Região de Setúbal, colocou enfoque dominante o “serviço comunitário” e isto deu-lhe uma dimensão inovadora que ajudou a “relançar” o caminheirismo, se coloco entre aspas a expressão é porque ela corresponde ao subtítulo do último texto da Flor de Lis de julho/agosto, já referida.
Imagino que os caminheiros deste AcaNac, sempre que passam pela Gafanha da Nazaré, devem sentir um orgulho, humilde e nostálgico, ao verem o “seu jardim de infância”, que construíram para aquela comunidade, ainda lá permanece “garboso” e ao serviço das crianças.

Estas orientações e vivências vieram mostrar que o “serviço” tem que ser exercido, sobretudo, fora das comunidades escutistas, mostraram-nos a importância de sairmos das nossas zonas de conforto, para, aí sim, procurarmos deixar o mundo melhor do que o encontramos.
Foi, por isso, com naturalidade que, em 1984, a nova Junta Central tivesse como ponto central da sua visão estratégica a revisão e (re)definição das Propostas Educativas de cada uma das quatro Secções do Escutismo Católico.
Foi uma opção clara da Divisão Pedagógica Nacional e da Junta Central que as Propostas Educativas tivessem como ponto de partida a nossa realidade concreta, bem como as tendências que se verificavam no universo escutista, nas ciências da educação e nos movimentos sociais juvenis.

O primeiro “Rover Ibérico”, realizado na Serra de Gredos, em Espanha, nos dias 5 a 14 de Agosto de 1985, em pleno Ano Internacional da Juventude, com três grandes polos de ação:
• Participação (o mundo é a nossa casa)
• Desenvolvimento (o Caminho da renovação)
• Paz (etapa por etapa, caminhando para a paz)
adotando o slogan do AIJ, para marcar o pensamento de B.-P. que definiu o Caminheirismo como uma fraternidade do ar livre e do serviço. Foi uma atividade que marcou a mudança de paradigma nos acampamentos de Caminheiros, sendo ainda a primeira atividade internacional realizada conjuntamente pelo CNE e pelo MSC e que também serviu de “campo de observação” para a elaboração da futura Proposta Educativa da IV Secção do CNE.

O tema terá continuidade em próxima crónica.

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

20 Novembro 2018

Oportunamente

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.