Correio do Minho

Braga, terça-feira

O bolo alérgico

‘Tu decides’ e o AE Maximinos move-se pela cidadania

Conta o Leitor

2018-07-15 às 06h00

Escritor

Autora: Sandra Oliveira

Era uma vez um menino chamado Tomás que gostava muito de fazer experiências. Um dia resolveu experimentar fazer um bolo. Queria perceber o que acontecia à massa para no fim ficar com aquela textura.
- Mãe vou fazer um bolo. – diz Tomás entrando na cozinha como um relâmpago.
- Oh Tomás, tu e as tuas experiências. Não mudas mesmo! Como pensas tu fazer um bolo se nem sabes o que é preciso? – reclama a mãe do Tomás.
Sempre que o Tomás inventa alguma coisa para as suas novas experiências, acaba com o cabelo em pé, o quarto de pernas para o ar e a experiência mal feita... Será que é desta que a sua experiência vai resultar?
A Dona Maria avisou o filho que ia limpar a sala mas para ele não fazer asneiras porque ela não estaria assim tão longe e que o podia colocar de castigo. Mas o Tomás acenou, positivamente, com a cabeça, lançando um sorriso malandro à mãe. Aproveitou que a sua mãe saiu da cozinha e pôs logo mãos à obra. Pegou numa bacia, abriu o frigorífico e o armário e pôs-se a falar sozinho:
- Eu já vi a minha mãe fazer este... Huummm e ficava tão delicioso... Preciso de um ralador. Ora deixa-me ver onde a minha mãe o guardou. Eu sei que ela tem um, porque eu já vi.
O Tomás abriu as gavetas todas, mas lá conseguiu encontrar o ralador. Estava na gaveta mais alta do armário. Até teve de pegar numa cadeira para conseguir lá chegar. Este Tomás é mesmo traquinas. Podia ter pedido ajuda à mãe mas foi teimoso e conseguiu desenrascar-se. Descascou as cenouras, ralou-as e começou a falar sozinho outra vez:
- Vou misturar 3 cenouras raladas com 400gr de açúcar... Se calhar, agora vou pegar noutra bacia para bater os ovos... Preciso de 6...
Pegou noutra bacia, partiu os ovos e bateu-os. E digo-te uma coisa, ele até tem jeito para pasteleiro. Mas pronto, gosta de falar sozinho, porque voltou a pôr-se a falar com ele próprio:
- Era mesmo assim que a minha mãe fazia... Ai, já estou a ficar com água na boca... a cenoura já está a ficar tão suculenta... - suspira o menino.
- Tomás, até tenho medo de entrar nesta cozinha... É melhor nem olhar... - afirma a Dona Maria ao ir à cozinha para verificar se o seu filho estava bem.
- Não te preocupes, desta vez estou a fazer tudo direitinho mas não me distraias senão ainda me esqueço de algum ingrediente... Ui já me ia esquecer da farinha, vês? E aqui vão 400gr para a bacia e... abracadabra e... plim! – brinca o Tomás.
- Ai, ai, ai, ai, ai... - ouve-se no meio do silêncio.
- Ui acho que me enganei no feitiço, já estou a ouvir vozes... - diz o Tomás, muito sério.
- Tu não te enganaste no feitiço, deitas-te foi o ingrediente errado... Coitada de mim, até já estou a ficar às pintas vermelhas... - ouve-se, novamente, no meio do silêncio. - Ui, quem está aí? Aviso já que mais te vale fugir ou vais levar com o rolo da massa... - ameaça, começando a gaguejar com receio - Eu... eu... eu... eu sei que a
minha mãe o tem por aqui... - acrescenta ele.
- Sou eu, aqui em baixo... Guarda lá o rolo senão vais sujar a cozinha e a tua mãe
não vai gostar nada!
- Uh...uh... Farinha?! A falar?! – assusta-se, muito depressa, o Tomás, dando um
salto para trás.
- Claro que falo! Ainda não ouviste? Eu sou a fa-ri-nha! – soletra a farinha, para
ver se o menino compreende melhor que é mesmo a farinha a falar com ele - E não gosto de ovos nem de nada que seja lacticínio! – reclama ela.
- Mas os bolos levam ovos e farinha... A minha mãe deita sempre isso e nunca ouvi nada a se queixar! Tinha que me calhar agora uma resmungona... - responde todo zangado.
- Ai, ai, ai, ai, ai... Assim não pode ser... Eu só gosto de água! Por isso faz favor de fazer o que te mando! Respeitinho é bonito e é o que se quer! – reclama a farinha.
- Não conheço esse ingrediente... O que é respeitinho? – questiona o Tomás.
- Mas devias conhecer, só te fazia bem... Respeito é um sentimento que nos impede de fazer ou dizer coisas desagradáveis a alguém. Mas pronto, vai lá buscar outra bacia e põe lá a farinha do meu pacote com água q.b. e depois junta fermento e a cenoura suculenta para puder ir ao forno na forma... - pede a farinha.
- Ai que eu acho que agora é que me vai sair tudo mal e ainda vou ficar de castigo... - diz o menino, com olhar receoso do que sairá daquela situação.
- Claro que não. Estás-me a ajudar, senão ainda ia parar ao hospital por causa da minha alergia...
O bolo foi ao forno a 180o e ao fim de 45 minutos foi desenformado... O Tomás cheio de medo lá foi oferecer uma fatia à mãe.
- Até tenho medo filho... Mas deixa cá provar... Ai está tão bom! Como o fizeste? – pergunta ela.
- Nem queiras saber da aventura mas vou contar-te tudo... - diz o Tomás a sorrir, com ar aliviado.
- Vou fazer um sumo de laranja para nós bebermos enquanto comemos o teu bolo e já me contas essa aventura. – diz a Dona Maria.
A mãe do Tomás fez o sumo enquanto o menino ficou sentado no sofá da sala que já estava com um cheirinho perfumado da limpeza que tinha sido feita. Depois regressou para a beira do filho e sentou-se muito atenta e curiosa por saber como o filho tinha feito aquele bolo tão delicioso que lhe parecia diferente do dela. O Tomás estava muito entusiasmado e começou logo a contar como tinha feito a sua experiência.
- Sabes mamã, primeiro disse-te que ia fazer um bolo e depois decidi que ia fazer um bolo de cenoura como o teu. Sabes que é o meu bolo preferido. Fiz como sempre te vi a fazer. Primeiro fiz aquele xarope, aquele que fazes quando estou com tosse.
- O xarope de cenoura? – questiona a Dona Maria.
- Sim, mamã. Ficou mesmo docinho. Depois bati os ovos e juntei a farinha como tu costumas fazer mas esta farinha era maluca. – diz o Tomás a rir-se.
- Maluca?! Como assim? – pergunta ela intrigada.
- A farinha falava e queixava-se muito. Acreditas que ela até tem alergia aos ovos? Primeiro tive medo mas depois ela até me ajudou a fazer um bolo diferente do teu. Ela disse-me para colocar água na vez dos ovos porque com os outros ingredientes o bolo crescia na mesma. Mas está bom, não está mamã?
- Está delicioso. Ainda ficou melhor do que o meu. Gosto da tua imaginação, meu pequenino. Depois tens de me apresentar a essa farinha. Combinado? – incentivando o filho por reparar no seu entusiasmo.
- Claro que sim, mamã. – diz o Tomás, contente por a mãe ter gostado imenso do seu bolo.
- Hoje tiveste uma aventura mesmo engraçada, Tomás. E portaste-te muito bem, estou muito contente. – afirma a Dona Maria.
Hoje o Tomás divertiu-se imenso na cozinha da sua casa e deixou a mãe muito orgulhosa e contente com ele. Agora vamos ter de esperar para ver qual a próxima aventura em que o Tomás se irá envolver. Não te esqueças que ele é um verdadeiro aventureiro. É assim que ele aprende muita coisa. Aproveita e faz a experiência do bolo de cenoura. Vais gostar.

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