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Braga, sexta-feira

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O assustador incêndio que ocorreu em Santa Tecla

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

Ideias

2017-06-25 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Portugal foi assolado, há uma semana, por uma das maiores tragédias que se abateram sobre o nosso país. O incêndio ocorrido no concelho de Pedrógão Grande, e nos concelhos vizinhos, provocou 64 mortos e mais de duas centenas de feridos, e ficou associado a um sofrimento que nos deixa a todos profundamente impressionados e comovidos.
Não querendo focar-me naquilo que aconteceu há uma semana, pois esperamos que esta tragédia seja devidamente analisada vou, no entanto, recordar um dos incêndios mais assustadores que ocorreu em Braga, passam agora exactamente 100 anos. Foi um incêndio que ocorreu na noite de Natal de 1917 e que, apesar de não ter causado danos humanos, impressionou pela destruição que causou.

Eram duas horas do dia 25 de dezembro quando o incêndio deflagrou num prédio situado na rua Bernardo Sequeira, pouco passava da meia-noite. Este prédio era um dos 40 que constituíam o então “Bairro Operário”. Na altura, a maioria destes edifícios tinha construções de tabique, ou seja, tectos e divisórias ligadas entre si por ripas horizontais pelo que o fogo rapidamente tomou conta do edifício e de outros que se situavam nas imediações.
Quando foi dado o alarme, às 2 horas da manhã, de imediato saiu dos Bombeiros Voluntários de Braga uma parelha de animais, transportando sete bombeiros! Também dos Bombeiros Municipais saiu um veículo que transportava uma bomba de água.

Quando chegaram ao local, o fogo já tinha atingido outros quatro prédios e as chamas tinham tomado proporções alarmantes. No combate ao fogo foram utilizados todos os meios ao dispor dessas corporações de Bombeiros, tendo os Bombeiros Voluntários utilizado duas agulhetas e os Bombeiros Municipais três!

Com estes meios ao seu dispor, a astúcia dos bombeiros tornava-se determinante para o sucesso desta operação. Desta forma, o corajoso Raul Pimenta, o “2.º patrão” dos Bombeiros Voluntários, colocou-se em cima de um friso da cornija e, com uma agulheta, começou a lançar para as chamas a maior quantidade de água que conseguia! Noutro local do edifício, colocaram-se três elementos dos Bombeiros Municipais, lançando igualmente para as chamas o máximo de água possível.

O fervor com que os bombeiros combatiam as chamas acabou por causar alguns incidentes, que não foram mais graves apenas pela sorte que acompanhou alguns. Assim, o bombeiro Raul Pimenta foi atingido com violência por um jacto de água, lançado involuntariamente por um bombeiro da outra corporação, que lhe originou a queda do topo do edifício em chamas. A sorte deste bombeiro foi ter caído em cima de uma vinha que se encontrava perto e que lhe amorteceu a queda! Da mesma forma o bombeiro Virgílio da Conceição foi atingido no incêndio, ficando ferido com alguma gravidade!

Para além destes bombeiros, houve vários feridos, que foram atingidos por tábuas queimadas e por pedaços de pedra que saltavam dos edifícios. Também algumas pessoas que viviam nesses prédios, entre as quais duas crianças, conseguiram sobreviver, graças à astúcia de alguns praças municipais.
O perigo de expansão do fogo a outros prédios era bem real, devido às enormes labaredas que se geraram nesse momento. E basta recordar que eram 40 os edifícios que se encontravam próximos destes que ardiam e que constituíam o “Bairro Operário”!

De referir que os cinco prédios incendiados pertenciam a Francisco Sotto Maior, na altura proprietário de uma grande fábrica de moagem de farinhas que se situava nas traseiras destes prédios, em Santa Tecla.
Os festejos de Natal, associado ao frio da época, eram propícios a fogueiras. Assim, o incêndio teve origem num quarto habitado por uma família muito pobre e rapidamente se propagou ao rés-do-chão, que estava repleto de palha! Daí, a deflagração do incêndio aos outros quatro prédios demorou escassos minutos!

Passados 100 anos, o nosso país assistiu a um dos maiores e mais impressionantes incêndios que há memória em todo o mundo.
Dotados hoje de meios materiais modernos de combate ao fogo, com corporações de bombeiros altamente preparadas e especializadas, com vários organismos de Proteção Civil articulados, com um sistema de prevenção e alerta meteorológico aparentemente eficaz (tinham decretado aviso vermelho para esse fim de semana), com apoio internacional sempre disponível para ajudar, a questão que continua a intrigar é esta: como foi possível que tivesse ocorrido uma tragédia desta dimensão no nosso país?
Passada uma semana desta tragédia, continua a ser difícil acreditar que tudo isto aconteceu!

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