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O associativismo estudantil - a relacção com a sociedade e a empregabilidade

O espantalho

Escreve quem sabe

2015-12-13 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

No momento em que, ciclicamente, se sucedem grande parte das renovações das equipas dirigentes do Associativismo Estudantil por toda a Região, nas Universidades e Institutos Politécnicos públicos e privados, em resultado de um processo democrático que merece ser analisado, pelo seu significado e alcance no contexto da vida interna das instituições do ensino superior, da sociedade, da responsabilidade dos estudantes e da empregabilidade dos jovens diplomados.
A primeira nota acerca do seu significado. Envolve grandes equipas de estudantes em torno dos programas, que se inscrevem nas dimensões de representação, de reivindicação e, cada vez mais de concertação e colaboração com os órgãos de governo das instituições de ensino superior, ao nível da rede, da oferta formativa, da qualidade e avaliação, do financiamento, da ação social escolar, da investigação e inovação e da internacionalização.
Uma ação marcada pela independência, pela autonomia e pela responsabilidade de uma geração de dirigentes associativos de grande qualidade, determinados em participar ativamente, no presente por um caminho de futuro. Enquanto desígnio estratégico do sistema educativo, é processo vocacionado para a construção de um ensino superior de excelência, a que as organizações estudantis têm dado contributos significativos e de grande densidade, que constam nos documentos, que têm apresentado aos órgãos de decisão académicas e governamentais.
Uma vitalidade do movimento associativo, que tem concorrido de forma determinante, para a coesão institucional, com base numa participação cívica mais efetiva, em relação às politicas públicas com incidência no sistema de ensino superior, à dinamização cultural, recreativa e desportiva das academias. Um contexto, onde o empreendedorismo, a empregabilidade e o interface com o mercado de trabalho, têm vindo a assumir uma centralidade cada vez mais forte, na relação das universidades e politécnicos, com a sociedade e o mercado de trabalho.
Desiderato marcado pela responsabilidade tripartida, do Estado por uma lado, nas suas variadas dimensões, entre as quais, neste caso, pontua o apoio ao associativismo. As instituições de ensino superior, através das suas funções de ensino e formação, investigação, e a sua ligação com a comunidade, articulando-se com a responsabilidade das empresas, da economia social e das administrações públicas. Uma responsabilidade, que os jovens estão a assumir, por outro lado, ao nível da apresentação de propostas, e ao nível da organização de conferências, seminários, congressos, feiras de emprego, mostras tecnológicas e, desenvolvimento de estruturas de apoio ao empreendedorismo, com resultados diretos na promoção da empregabilidade e da ligação com os agentes empregadores.
Prática de concertação que está na ordem do dia, a avaliar pela postura colaborativa entre as associações estudantis e juvenis, em contexto académico, e o desenvolvimento /gestão dos gabinetes de empreendedorismo e empregabilidade, criadas no seio das instituições de ensino. Cooperação que se concretiza a três níveis, no âmbito das estruturas instituídas pelos órgãos de governo das universidades e institutos politécnicos, de organizações da iniciativa exclusiva dos estudantes e das iniciativas de participação mista, numa parceria mais efetiva, entre os diversos tipos de estruturas de apoio, em funcionamento.
Um ecossistema empreendedor, que se está afirmar, com resultados visíveis na promoção da empregabilidade dos estudantes e dos diplomados, cujo retorno já é visível e, reivindica um estudo mais aprofundado. Visibilidade que se revela pela “revolução silenciosa”, que os jovens têm assumido, nos mais variados contextos académicos. Uma mudança desenvolvida, através da implementação de um conjunto de eventos, projetos e ações concretas, que se assumem como imagens de marca das instituições de ensino superior, onde se realizam.
Iniciativas que desempenham um papel de interface com o meio, de montras promocionais dos cursos de graduação e pós-graduação de todas as áreas técnicas e científicas, com particular enfoque, nos que registam baixos índices de empregabilidade. Desafio evidente e desígnio prioritário, muito valorizados pelos organismos de decisão, no âmbito da manutenção dos cursos em funcionamento, nas universidades e nos politécnicos: empregabilidade dos ciclos de estudos; acesso à profissão e a relação com as ordens/organizações profissionais; o empreendedorismo e a criação do próprio emprego; a formação contínua; e o desemprego jovem qualificado.
Apesar de termos um percurso exigente pela frente nesta área, o “estado da arte” na Região Norte, manifesta muitas virtualidades e dispõe de um conjunto de mecanismos de apoio aos estudantes e diplomados, de ligação às empresas e às organizações empresariais, de espaços de incubação de ideias e de startups. Uma oferta, muito considerável, no contexto das instituições de ensino superior, dos centros tecnológicos, das organizações empresariais e da forte rede de incubadoras em funcionamento.
Dinamismo a que se deverá juntar uma nova “cultura de rede”, que está a dar passos significativos, com a nova geração de políticas públicas locais, onde se destacam os “Pactos para a Empregabilidade”, que estão a ser desenhados através das CIM - Comunidades Intermunicipais, com base na criação de redes de empreendedorismo/inovação social, cultural, desportivo, empresarial e tecnológico. Um processo, em que está envolvido um leque muito alargado de parceiros, que deverá integrar, também, a participação das plataformas representativas do associativismo estudantil e juvenil, como interlocutor importante junto das novas gerações, na perspetiva da dimensão intergeracional da problemática do emprego.

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