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O álibi da fome emocional

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O álibi da fome emocional

Escreve quem sabe

2020-04-19 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

Durante este período de isolamento, está-se mais susceptível às emoções. Emoções essas que resultam do cansaço emocional, e que culminam em momentos de tristeza, ataques súbitos de choro, e até naqueles que o silenciam chorando por dentro. Momentos também em que se discute por “tudo e por nada” , uma irritação incontrolável, que outrora não se daria sequer qualquer tipo de valorização.

As situações que causam desgaste podem ser mínimas: “ Se está desarrumado é por está. Por outro lado, se não está, deveria estar.”Também a falta de paciência enquanto casal, de um para o outro esquecendo-se que ambos tem co-responsabilidade na relação. As crianças que não podem brincar como gostariam e por vezes os pais não tem a sensibilidade de compreender isso. As crianças tem uma natureza cognitiva ainda em formação e nem sempre conseguem uma explicação para o porquê de não puderem rever os amigos. Por sua vez, os pais são pouco tolerantes na forma como abordam o problema perante as crianças. Uma criança não tem a capacidade de percepcionar e de entender as coisas como um adulto, por mais que os pais o desejem. Vive-se um tempo de mudança de tudo e de todos. Com as emoções “à flor da pele”, existe uma tendência para se canalizar e direcionar essas emoções menos positivas para a compulsão alimentar, como consequência da fome emocional . Importa primeiro , referir a diferença entre fome emocional e ter na verdade fome. Quando se tem fome, o organismo dá sinais, uma espécie de sensação de estomago vazio ( o que se diz popularmente quando a “barriga ronca”) . Mas o stress, e a ansiedade que se vive atualmente faz com que se valide uma fome ,que na verdade não se a tem, mas sim para compensar algo. Algo que se está a pensar no momento e onde se satisfaz esse vazio com a comida.

Basicamente e de uma forma clara, come-se porque se chateou, come-se porque não há nada para fazer, come-se porque se sozinho/a, come-se porque se está triste, come-se porque se procrastina ( adia-se) decisões da vida, come-se porque não se sabe o que futuro queo/a espera e come-se… porque apetece ou se está sem paciência para nada ou ninguém.
Por mais duro e doloroso que seja aceitar, na realidade são, desculpas de mau pagador, como diz o ditado popular. Na verdade, o ato de comer é o “alibi perfeito” das emoções tristes. A fome emocional avança após a refeição, a vontade incontrolável e desesperante de comer doces, salgados, etc. tudo o que seja muito calórico. E na maioria das vezes , após “ocupado esse vazio” logo a seguir , volta novamente. O álibi para aliviar o mal estar emocional , mas sem sucesso, devido ao sentimento de culpa imediato por ter comido em excesso que se impõe. No primeiro ponto, é perceber o porquê desta situação. O que está por detrás disto? Será mesmo o período de isolamento?

Ou isto já acontecia antes me agora intensificou-se?! Certamente estava disfarçado ou escondido. A verdade é que a fome emocional resulta de problemas mal resolvidos no passado e até no presente (decisões a tomar). Você não tem fome física , você tem é fome emocional fruto carências afetivas, de não ser escutado, de não ser valorizado enquanto pessoa, de não cuidarem de si, de não se cuidar em termos de saúde mental, de não ser amado/a. E nestas situações o melhor caminho é perceber que tem um problema e procurar ajuda psicológica. Não obstante diversos especialistas que se tem debruçado sobre esta temática evidenciaram alguns aspetos que permitem ter algum tipo de auto controlo na fome emocional. Seguem em seguida algumas dicas. Por mais que se sinta tentado/a, tente não comprar alimentos calóricos. Resista a compra-los no supermercado, mesmo que esteja a um preço apetecível. Ter em casa, é ter de comer depois. E quando for adquiri-los nunca vá com fome física, coma sempre algo antes de sair. Quando a fome emocional se manifestar, pense primeiro no pensamento que o/a está a fazer comer. Esse pensamento é o seu problema.

O problema que tem que obrigatoriamente que resolver. E de imediato, converse com alguém , seja em casa, ou se vive sozinho/a com um/a amigo/a pelas redes sociais ou telefone de forma a que esse pensamento se dissipe. Ocupe-se o mais que puder, mude a sua casa, faça reparações, faça exercício físico. Ocupar é desgastar energia, e assim ficará mais abstraído/a de pensar em comida. Porque a ansiedade leva a comer mais. Outra situação muito importante, é fazer uma calendarização do que vai comer durante a semana. Tente calendarizar refeições saudáveis e coloque por exemplo, afixada no frigorífico. Sempre que se sentir tentado/a a calendarização dar-lhe-á o alerta “Stop!”. Importa referir que ao redigir a calendarização, deve permita-se a “um miminho” de vez em quando.
Confie. Esta fase vai passar. Mantenha-se protegido/a e cuide da sua saúde física e mental.

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