Correio do Minho

Braga, sábado

O 25 de Abril, a história de um povo e os desafios da pós modernidade

Escrever e falar bem Português

Ideias Políticas

2014-04-29 às 06h00

Francisco Mota

Volvidos alguns dias das comemorações dos 40 anos do Golpe de Estado de 1974 não poderia deixar de esclarecer o que verdadeiramente deve ser repensado a quando desta efeméride.

O 25 de Abril há uns anos a esta parte passou a ser uma data “vendável” do ponto de vista jornalístico e muito particularmente televisivo. Facilmente se consegue colocar no topo das prioridades da história de um povo e de uma nação com mais de oito séculos de história, sem que se consiga dar o destaque, merecido, àquela que ficou conhecida como a revolução dos cravos.
Admitindo, sem qualquer carga ideológica, a sua importância não poderia também deixar de referir o quanto somos iludidos pelo excesso de protagonismo e euforia no contexto da História de Portugal.

Deixando de lado a verdadeira vitória da liberdade, apenas alcançada no 25 de Novembro de 1975, questiono-me se as novas gerações não devem comemorar com maior afinco datas como o 10 de Junho (dia de Portugal) o 24 de Junho (Batalha de S.Mamede) 14 de Agosto (Batalha de Aljubarrota) ou o 1 de Dezembro (Independência de Portugal)? E o 25 de Abril é uma data importante? Sem dúvida que sim. Mais importante que 14 de Agosto ou 1 de Dezembro que até nem são feriados? Sem dúvida que não.

Certa Comunicação Social já nos habituou a certas euforias despropositadas ou encomendadas, mas será o que temos enquanto o permitirmos.
Quanto aos desafios futuros da nossa liberdade enquanto nação, aproveito para transcrever o texto, elucidativo, do nosso grupo municipal do CDS-PP de Braga.

“Sou o Capitão da minha alma, o Senhor do meu destino”, há 40 anos, estas palavras de Nelson Mandela encontraram eco na coragem de outros capitães que mudaram o nosso destino coletivo. Todos os que construíram a democracia, alicerçada nos valores humanistas, são tributários do nosso reconhecimento e homenagem.

Atualmente a sociedade vê-se confrontada com uma crise de identidade que, provoca a incapacidade de se repensar e de se adaptar aos novos paradigmas que a pós modernidade tem exigido dos seus atores, quer sejam eles políticos, governantes, ou cidadãos em geral. Os novos tempos, a pós modernidade, têm que ter em conta uma época e um tempo histórico, as suas expressões culturais e a sua forma mais típica de pensamento. Não podemos olhar para os novos tempos, amarrados aos paradigmas do passado.

O presente obriga-nos a repensar os princípios de convivência social e de atuação política. Impõe-se, atualmente, um foco nas gerações futuras. Se é certo que o 25 de Abril, enquanto princípio, nos ensinou a pensar e viver a democracia, essa não será possível sem a necessária equidade intergeracional que a nova Era nos obriga a equacionar.

As gerações presentes não podem, nem devem, vincular ou constranger o desenvolvimento das gerações futuras, senão na exata medida do benefício que aquelas utilizarão. Mais que isso, e os novos tempos o exigem, as gerações futuras têm que repensar o princípio da produção do valor de uso, sem o qual o desenvolvimento é impossível.

A base da democracia portuguesa assentou na Revolução dos Cravos. Contudo, vivemos um novo tempo, em que se exige uma “nova Mudança” de paradigma e de políticas. Os conceitos alteram-se em função dos tempos e os desafios propõem-nos novas abordagens.
Este é o momento para Recuperar a Esperança, para Acreditar na Mudança. Este é o momento para fazer Cumprir Portugal.

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