Correio do Minho

Braga, sábado

- +

Novos mercados de trabalho e novas profissões

Viagem a Viena

Escreve quem sabe

2015-05-17 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

“Novos Mercados de Trabalho e Novas Profissões”, é um tema que está na agenda global dos estados, que desafia a economia europeia e é uma prioridade estratégica das políticas públicas de emprego e educação. É, também, o título de um estudo prospectivo, coordenado pela Profa. Ana Cláudia Valente da Universidade Católica, prefaciado pelo Prof. Roberto Carneiro, que foi realizado no âmbito do Consórcio Maior Empregabilidade, constituído por 13 instituições de ensino superior, públicas e privadas, da responsabilidade da Forum Estudante.
Um consórcio com a missão de realizar um conjunto de estudos, conferências e eventos que visam promover a maior empregabilidade dos jovens recém-diplomados do Ensino Superior, apostando na valorização de competências transversais para uma maior empregabilidade, identificando a lacunas existentes, através da identificação de novas profissões, novos mercados de trabalho e oportunidades de emprego.
Tendo sido publicado, neste contexto, mais um estudo “Preparados Para Trabalhar? que merecerá, proximamente, uma abordagem mais detalhada, pelo seu contributo na caracterização o processo de transição do ensino superior para o trabalho, na Identificação das competências profissionais, na avaliação do grau de confiança dos diplomados na sua capacidade e na contribuição do percurso académico para sua preparação para o exercício profissional.
Por agora, vamos fixar a nossa atenção nos setores com futuro e nas novas oportunidades profissionais, no momento em que o desemprego jovem é um dos principais problemas da Europa, que se agravou drasticamente, com a crise económica. Onde, apesar de tudo, os jovens mais qualificados estão em vantagem, ao registarem taxas de desemprego mais baixas, terem salários mais elevados e estarem menos propensos ao desemprego de longa duração.
Estando previsto um aprofundamento desta vantagem, a avaliar pelas projeções do CEDEFOP - Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional, que prevêem um crescimento de 2,2% do emprego até 2025, que representam 2,4 milhões oportunidades de emprego, em que 1,4 milhões vão exigir qualificações médias ou superiores, focalizando a sua atenção nos trabalhadores mais qualificados. Este estudo de Ana Valente identifica seis setores com futuro. O sector dos serviços vai representar mais de metade dos empregos na próxima década. Tecnologias de Informação (TIC), Turismo, Saúde e economia verde vão estar em destaque, até 2025 prevê-se que o sector dos serviços às empresas, será o que mais vai crescer. Esperando-se dos novos profissionais uma condensação de competências tecnológicas, comerciais e de empreendedorismo, uma forte orientação para o cliente, capacidade negocial e de gestão de contratos, gestão de projetos e capacidade para trabalhar em equipas multidisciplinares e ainda a “proficiência” em línguas estrangeiras.
O sector terciário será ainda responsável pela maioria das oportunidades de emprego na próxima década, pela via do aparecimento de novas profissões e expansão da economia, em que as estimativas que apontam para que, em cada dez oportunidades de emprego na próxima década em Portugal, três sejam profissões altamente qualificadas, o que inclui gestores e dirigentes, quadros superiores e especialistas, técnicos e profissionais intermédios, nas mais diversas áreas.
De acordo com este estudo, à semelhança dos países da União Europeia, “estas oportunidades de emprego são essencialmente alimentadas, em mais de 90%, pelas necessidades de substituição de mão-de-obra em empregos já existentes”, um dos contrapontos da entrada dos recém graduados no mercado de trabalho, que necessita ser balanceado com eficiência.
Estando ainda, em claro destaque ao longo da próxima década, em Portugal e em toda a Europa, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), onde vão ser precisos mais de um milhão de trabalhadores no conjunto dos países da União Europeia, a avaliar pelo ritmo acelerado de avanços nesta área, vai ditar uma grande procura de profissionais. Especialistas em big datam e cloud computing, empreendedores digitais, especialistas em análises de negócios e integração de sistemas de informação e comunicação, empresários e gestores com competências de “e-business” e “e-leadership”.
Ao nível europeu prevê-se a criação de 13 milhões de novos empregos nas áreas da saúde e serviços sociais, apesar de em Portugal esta a tendência estar mais centrada na substituição de mão de obra. Nestas áreas como noutras, é essencial criar novos modelos dos serviços potenciadores de emprego para dar resposta a necessidades emergentes, sendo o estímulo ao empreendedorismo social e da saúde, uma aposta que tem vindo a merecer a atenção das associações estudantis e dos responsáveis pelas instituições de ensino superior.
Já os chamados “empregos verdes” e as “competências verdes” trazem boas novidades.”As possibilidades de superação destes constrangimentos abrem novas oportunidades de emprego, exigindo uma mão-de-obra altamente qualificada no desenvolvimento exploração e manutenção de novas tecnologias”. Prevendo a criação de emprego na ecoindústrias, auditoria e certificação energética, instalação e manutenção de tecnologia, segurança energética, agricultura e floresta sustentável, ecoturismo, monitorização ambiental, conservação da natureza e planeamento de infraestruturas verdes. Destacando-se ainda, o sector da indústria, mais particularmente as profissões relacionadas com formação em ciências, tecnologias, engenharias e matemática (STEM).
O turismo assume um contributo fundamental para a economia europeia, gerando 10% do PIB e empregando mais de 10 milhões de pessoas. Em Portugal, as estimativas apontam para um crescimento muito significativo do emprego no turismo, no horizonte de 2025 (19,6%), revelando o potencial de expansão que o sector poderá vir a ter na próxima década, com a criação de mais de 57 mil postos de trabalho. Um sector, com necessidades de inovação e diversificação da oferta, que poderá traduzir-se no desenvolvimento de segmentos específicos de turismo, destacando-se o potencial de crescimento do turismo sustentável, turismo social, turismo acessível e turismo sénior. O estudo “Novos Mercados de Trabalho e Novas Profissões” é um excelente contributo para um problema, que está longe de encontrar as respostas às necessidades de uma geração que desponta, numa sociedade marcada pela mudança estrutural, pelas incertezas sobre o futuro da Europa e do nosso país, onde precisamos injetar uma nova esperança.

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

28 Junho 2020

Verbos traiçoeiros

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho