Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Novos Desafios do Escutismo (III)

Um futuro europeu sustentável

Escreve quem sabe

2014-11-28 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Dando continuidade aos artigos publicados no passado mês de outubro de 2014, sob o título: ‘Novos Desafios do Escutismo’, onde me detive, ainda que sumariamente, sobre a problemática: das novas questões de género, do espaço interclassista e transgeracional, das (in)tolerâncias pessoais, sociais e religiosas e do fenómeno da globalização, pelo que, hoje, procurarei enquadrar dois novos temas mantendo a ordem sequencial para que autor e leitor não percam as referências com o passar do tempo entre artigos.

5. O sentimento ambientalista e de defesa do património natural
O sexto artigo da Lei do Escuta: “O Escuta protege as plantas e os animais” obriga o método escutista a contemplar esta ação, não só na perspetiva do «saber» ou até mesmo do «saber fazer» mas também na área do «ser» pois ela envolve comportamentos e atitudes e ainda o caráter, é um elemento distintivo da personalidade do escuteiro pois para além de ser o objeto de trabalho é também o meio onde a educação, leia-se, a autoeducação de crianças e jovens se desenvolve.
É, por isso, que Baden-Powell no livro fundador «Escutismo para Rapazes» inscreve como subtítulo «Manual de Educação Cívica pela Vida ao Ar Livre» elegendo a vida ao ar livre, isto é, em plena natureza, como o habitat educativo por excelência do escutismo.
Só assim se apreende na plenitude o significado do conselho “o estudo da Natureza mostrar-vos-á as coisas belas e maravilhosas de que Deus encheu o mundo para vosso deleite. Contentai-vos com o que tendes e tirai dele o maior proveito que puderdes. Vede sempre o lado melhor das coisas e não o pior.”, que o fundador nos deixou na sua última mensagem.

6. As práticas de cidadania e de autogovernação
Baden-Powell no livro dedicado aos jovens adultos, os Caminheiros, «A Caminho do Triunfo» recomenda “sê Homem de visão larga” e ainda que “se entrares na vida pública [deve ser] com o desejo humilde de servir a comunidade, colaborar no espetáculo para o bem da maioria”, finalmente adverte que “o perigo das democracias está no homem que não quer pensar por si nem aprender a pensar bem, como aprende a andar direito.” Estes pensamentos escritos em 1922 mantêm a mesma pertinência e atualidade e se lermos cuidadosamente a intervenção que o Papa Francisco realizou no Parlamento Europeu, no passado dia 25 de novembro, e que termina: “a Europa tem uma necessidade imensa de redescobrir o seu rosto para crescer, segundo o espírito dos seus Pais fundadores, na paz e na concórdia, já que ela mesma não está ainda isenta dos conflitos.

Queridos Eurodeputados, chegou a hora de construir juntos a Europa que gira, não em torno da economia, mas da sacralidade da pessoa humana, dos valores inalienáveis; a Europa que abraça com coragem o seu passado e olha com confiança o seu futuro, para viver plenamente e com esperança o seu presente. Chegou o momento de abandonar a ideia de uma Europa temerosa e fechada sobre si mesma para suscitar e promover a Europa protagonista, portadora de ciência, de arte, de música, de valores humanos e também de fé. A Europa que contempla o céu e persegue ideais; a Europa que assiste, defende e tutela o homem; a Europa que caminha na terra segura e firme, precioso ponto de referência para toda a humanidade!”

Em ambos os autores, cujos textos estão separados por 92 anos, vemos a preocupação comum de redescobrir as boas práticas de cidadania ativa e participativa que conduza a uma autogovernação. Num movimento que ajuda os jovens a tornarem-se cidadãos solidariamente ativos e agindo à luz dos valores universais e da fé que professam, estas práticas são sempre um desafio permanente em cada geração e que nunca podem ser encarados como resolvidas para sempre, se o foram num determinado momento, tal como o ribeiro que conhecemos desde a nossa meninice parece sempre o mesmo, mas quando olhamos para ele com atenção verificamos que a água que lhe dá vida muda constantemente e que as próprias margens também se adaptam as diversas estações. Assim saibamos todos nós, sobretudo os educadores, manter estes ribeiros com água viva para que a vida da comunidade floresça.

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