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Não vamos falar de Covid!

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Não vamos falar de Covid!

Voz às Escolas

2020-10-07 às 06h00

Flora Monteiro Flora Monteiro

Não!!! Definitivamente não quero falar de Covid! Esta foi uma frase que um aluno do ensino secundário me disse há uns dias!!
Veio ter comigo (salvaguardando as devidas distâncias) e pediu-me autorização para conversar um pouco comigo. Queria parabenizar a escola, estendendo o seu louvor a todos os docentes e pessoal não doente. Disse-me que gostaria de os estender a outras escolas do AEAmares, pois tinha irmãos e primos que as frequentavam. “E então?” - questionei! “Fazemos todos os dias o nosso melhor. Mas, refere-se concretamente a que situação?”.
Agradecido, falou do sentimento de segurança que os adultos tentaram passar às crianças e jovens. Referiu as apertadas regras de segurança e higiene e ainda me disse as palavras mágicas... “Todos estão a agir com o coração, de forma humana!” Exatamente da forma como tive a oportunidade de pedir e motivar e alertar toda a comunidade para lidarem com os alunos (e com outros adultos)... Com assertividade, mas com bastante compreensão e capacidade de manter (e ajudar a manter) a serenidade.
Conversei com o aluno e percebi que o que o motivava era realmente a possibilidade de ter uma escola o mais normal possível, apesar de todos mascarados, apesar de um silêncio muito diferente dos anos anteriores. Os intervalos são mais sossegados, os corredores são menos buliçosos, os professores andam menos apressados e os alunos chegam com mais calma. “Conseguiram um milagre, professora” – dizia o António.
E eu disse! Também não quero falar de covid! E hoje, também não me apetece.
Quero falar de comunidade educativa em tempos diferentes, em tempos difíceis!
Um orgulho! Tantos velhos do Restelo anunciaram a indisciplina total, a incapacidade de cumprir regras, a dificuldade em obececer, a falta de experiência na utilização da máscara, as máscaras a inundar os recreios das escolas, o gel a servir de desinfetante do piso, os borrifadores a serem utilizados como armas de carnaval...
Nada disso! A maioria respeita, cumpre e mostra uma serenidade fundamental nestes tempos quotidianos. Os alunos iniciaram a sua utilização de forma tranquila, correta. São poucos e pequenos os abusos... são aqueles próprios destas idades (ou já esquecemos?).
E a máscara? Faz parte da sua indumentária, como os phones nos ouvidos ou o telemóvel no bolso. O percurso ao sair e ao chegar à escola é feito com máscara. É o que posso verificar na maioria das vezes. Alguns encarregados de educação dizem que já saem de casa com a máscara. Nunca é esquecida.
Dentro da escola circulam pelos percursos definidos nos planos de acessibilidade sem grandes desvios ... às vezes para verem um ou outro amigo que ficou do lado de lá do bloco, como me referia estes dias uma menina do 8º ano. “Dei uma corrida porque estava com muitas saudades da Maria”. E lá perdoei, porque a postura foi de humildade e de imediata correção do desvio de rota. E porque há desvios que são perdoáveis.
E os pais? A maioria aprendeu a lidar com os medos e as ansiedades e, na sua maioria, respeitam as opções da escola.
É uma época diferente. Não somos o que queremos, nem fazemos tudo o que consideramos correto. Fazemos o que neste momento é obrigatório para dar garantias de segurança.
“E o que querem, para este ano?”, tenho perguntado aos alunos, – “Aprender!!” - têm-me respondido alguns. Na semana anterior, um deles (inserido num grupo, no recreio, com a distância devida) dizia-me... – “Não preciso de aprender mais nada sobre o vírus... são tantos vídeos, tantas notícias, tantos memes... Quero é aprender coisas de escola”... E, metendo-se um pouco comigo (que sou docente de Filosofia) dizia – a Sra. Diretora não me quer explicar os mistérios que tem a Filosofia, a minha disciplina nova deste ano. É que ouço falar em mistérios e ando a tentar percebê-los.
Sorri e disse-lhe que perderia o interesse se lhe contasse. “É mistério e vais adorar ir desvendando.”.
Vamos desvendando o ano, passo a passo, com cautelas, mas com a segurança de quem quer continuar a viver tudo e de forma intensa, porque só se vive com entrega e com paixão.
Mais uma vez... Um excelente ano para todos, com três grandes S: Serenidade, Sabedoria e Segurança.

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