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Não tenham medo do futuro…

Comunicação em Crises e Emergências

Não tenham medo do futuro…

Voz às Escolas

2020-10-28 às 06h00

João Graça João Graça

Perante momentos tumultuosos, de instabilidade e incerteza a nível global, a frase “não tenham medo do futuro” pode parecer estranha e duvidosa!

A vida de cada um de nós é, claramente, a construção resultante da tríade passado, presente e futuro, sendo que este último é condicionado pelas ações e opções do passado e do presente. É evidente que, por vezes, no futuro temos de fazer ajustamentos, redirecionar, lamentar, regozijar... e assumir o presente, a vida que construímos. Nestas incertezas reside a beleza da vida!

O Papa Francisco tem, nos últimos anos, exortado para que não tenhamos medo, e que devemos “manter viva a alegria e a não ter medo de olhar para o futuro com confiança”.

Assim, neste cenário apocalítico de pandemia, neste mundo em permanente convulsão a escola é a chave.

De facto, a escola potencia o espírito crítico, o pensamento autónomo, o discernir reflexivamente o certo e o errado, a capacidade de tolerância e o respeito, sentimento cívico e de participação democrática na sociedade, numa perspetiva de comunidade e de contributo para o bem comum. E todos estes aspetos são essenciais para esbater movimentos populistas e de profetismo bacoco e de promessas vazias e demagógicas, assentes em frases feitas e obsoletas.

Este combate ao medo, no concernente a todas as dimensões, quer sejam elas de ordem política, religiosa, ambiental, económica… faz-se com pessoas mais competentes, mais habilitadas, mais esclarecidas, mais aptas a refletir e a questionar. Estes elementos são os verdadeiros fundamentos e antídotos para se acreditar num futuro próspero, de qualidade e de felicidade.

No seu mais recente livro, Eduardo Marçal Grilo considera que uma formação sólida deve integrar três pilares: os conhecimentos, as atitudes/comportamentos e os valores.

Quanto ao primeiro pilar, refere a importância de áreas estruturantes, como por exemplo, a língua, a matemática e a história. Considera-as basilares para a aprendizagem de outras áreas do conhecimento. Não descora a importância das artes e da música no sentido de desenvolver a criatividade e a imaginação. Reforça a importância do livro e da leitura.

Quanto às atitudes e comportamentos, considera que, ao longo do percurso escolar, deve ser desenvolvida a autonomia e a independência de pensamento, bem como uma cultura de exigência, que deve ser valorizada pelas famílias e pela escola. Importa que cada um, e todos, carreguem consigo a ideia de exigência e a ponham em prática todos os dias, no mais corriqueiro momento.

Por fim, o último pilar são os valores. Refere que, numa época de fake news, importa distinguir o verdadeiro do falso, o que só está ao alcance dos que constroem opinião tendo como referência os factos.

É fácil olhar com olhos de ver e tomar consciência de que o medo do futuro se esbate se a escola for capaz de trabalhar estes novos paradigmas de aluno e de educação. Uma escola dos tempos modernos tem que estar habilitada para estas várias dimensões, para o previsível e para o imprevisível.

A Escola Secundária de Vila Verde conseguiu garantir a contratação de um psicólogo e de uma artista residente, na sequência do Plano de Desenvolvimento Pessoal-Social-Comunitário, que se enquadra “nas medidas de apoio ao acompanhamento dos alunos no regresso às aulas presenciais, visando o acolhimento dos alunos, o reforço das suas aprendizagens, a dinamização de atividades promotoras de bem-estar psicológico, o fomento de competências sociais e a interação com a comunidade.” Este será, garantidamente, um valioso recurso para uma escola que privilegia a valorização do conhecimento, do sentido estético, da responsabilidade, da exigência, da argumentação e da construção da verdade. Medo do futuro?! O medo decorre da nossa existência humana, mas há que traçar um bom itinerário e munir-nos dos melhores instrumentos para ultrapassar os obstáculos.

É esta escola multidimensional que se está a construir, em que as diferentes partes que a constituem se articulam de uma forma quase orgânica, em que o todo se faz com todos!

Uma Escola faz-se com Todos!

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