Correio do Minho

Braga, segunda-feira

No rescaldo das autárquicas

Macron - Micron

Ideias

2013-10-11 às 06h00

Margarida Proença

Estas últimas eleições têm merecido alguma atenção, mas na verdade o debate tem sido desinteressante e tristonho, como aliás o foi sempre durante mesmo o período de campanha eleitoral; uns porque perderam, outros porque ganharam mas não como e quanto queriam, porque houve surpresas não antecipadas, porque há atribuições de culpas e ameaças de sanções, quase parece que todos querem, rapidamente, ir para a frente e esquecer. E entretanto sobrepõem-se novas histórias. Mas na verdade pergunto-me o que estaremos a discutir daqui a quatro anos, qual o perfil do autarca que terá sucesso, qual o peso político dos partidos nas estruturas locais.
Estamos no meio duma crise económica e financeira muito profunda que moldará os próximos vinte anos, provavelmente muito mais do que isso. Penso que já todos temos consciência disso; os jovens que entraram no mercado de trabalho com salários mais baixos tenderão a manter esse diferencial durante muito tempo, e as perdas salariais nos setores onde ocorreram, como por exemplo na função pública, vão ser permanentes. E quem puder, que vá preparando o futuro pessoal a longo prazo, poupando para ter uma reforma, poupando para pagar a formação dos filhos, poupando para pagar despesas de saúde - porque é por aí que coisa vai. O investimento vai demorar a arrancar ainda porque as empresas estão muito endividadas e com perdas de rendibilidade.
E nas câmaras municipais? Mais ou menos endividadas, todas elas defrontarão os próximos anos com escolhas diferentes daquelas para as quais se prepararam vendo os demais. Assistiram nos últimos anos, nas ultimas décadas, a uma construção crescente, ao desenhar mais ou menos eficiente e cuidado do ponto de vista arquitetónico das cidades, à oferta quase contínua de novos equipamentos traduzidos em mais instalações desportivas, salas de espetáculos, etc., e á generalização e implantação de um ponto de vista muito curioso no mundo em que vivemos, de que tudo, toda essa oferta se auto justifica com base na noção de proximidade absoluta. Como se numa época em que a distância perdeu claramente a dimensão que tinha, só fizesse sentido se todos tivéssemos tudo a cinco minutos de casa. São basicamente formas de rivalidade.
Pois é; só que a reprodução deste modelo não vai ser fácil, até porque muitas dessas coisas já estão feitas, e por outro lado o acesso fácil às fontes de financiamento acabou, e não voltará de certeza ao longo destes próximos quatro anos, mesmo descobrindo petróleo. E aqui voltamos ao tal novo perfil do autarca de sucesso daqui a quatro anos, a uma outra forma de fazer a política, de envolver os cidadãos e contribuir para o desenvolvimento. Como? Não sei, não sou autarca. Provavelmente mais participante para que as pessoas não se continuem a desinteressar pela coisa pública e a desacreditar dos políticos e dos partidos. Provavelmente levando muito a sério de que festas e bolos para impressionar os vizinhos no fim têm de ser pagos.

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