Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Não há destinos sem amor

Carta aberta para sair da crise no sector do livro e da leitura

Escreve quem sabe

2018-02-11 às 06h00

Joana Silva

A vida humana é um verdadeiro enigma. Um enigma que envolve o amor, o tempo e a morte. A morte não precisa necessariamente de se restringir à morte em si, à partida de alguém no sentido lato de morrer. Refere-se muitas vezes, ao fecho de ciclos, alguns maus, outros nem sempre desejados talvez, porque ainda não se esteja preparado mas que mais à frente reconhecemos como benéficos (Ainda bem que aconteceu!). Observe, que para algo de bom lhe acontecer, há que obrigatoriamente encerrar ciclos. Quanto ao tempo, vivemos sobre pressão. Uma espécie de relação de inimizade. Mas o tempo está inocente. A pressão é imposta pela sociedade e não pelo tempo em si. Aliás, a decisão é de cada um de o utilizar como o quer. Surpreendido (a)? Repare que a grande dificuldade é na verdade de dizer não a padrões sociais como: X tempo para obter uma carreira de sucesso, X tempo para constituir família. São os padrões sociais que desgastam e fragilizam pela dificuldade de expressar não! Não, não estou preparado. Não eu não quero.

O tempo não impede a quem acredita e luta com o coração. Posto isto, ainda tem muito tempo para alcançar o que deseja. Relativamente ao amor, tem de reconhecer que é a força mais expressiva e bonita. O sentimento mais poderoso das relações humanas. O amor transforma. O amor une. O amor protege, mais que não seja, pelos benefícios que traz para a saúde, por exemplo. Sabia que quanto mais felizes mais elevadas estão as defesas do sistema imunitário?! Uma das expressões mais antigas e mais proferidas atualmente é: Não tenho sorte ao amor. O grande grosso das desilusões de vida deve-se à falta de amor. Muitas pessoas procuram-no incessantemente e dizem que não o encontram, outros deixam fluir na esperança de que um dia surja. Na realidade uma relação amorosa está ao alcance de cada um. O amor passa por nós, pela vida de todos nós mas, por vezes, teimamos em não querer vê-lo ou aceitar. Talvez porque nem sempre tem, o rosto que se deseja (mesmo que mais adiante se reconheça que estava errado, era o(a) tal!) Procuram-se relações cor-de-rosa, isto é, pessoas perfeitas com os seguintes critérios: bonitas, bem-sucedidas e inteligentes, com características humanas subjacentes (boas pessoas, compreensivas, que não discutam, etc.).

Se não reúne os requisitos, é imediatamente posta de lado. Talvez por isso o amor agora é volátil e depressa se perde o encanto. Não existem pessoas perfeitas. Existem sim, pessoas com defeitos e muitos em alguns casos, mas disponíveis para a amar e são capazes alterar algumas das suas características da personalidade menos positivas por amor. Também tem defeitos correto? Todos temos. Perdem-se muitas vezes, oportunidades de se ser feliz, por relações mal resolvidas, projetando- se para a relação presente , desconfianças e medos do passado afastando da vida pessoas que tem única e exclusivamente o objetivo de amar. Não é correto e justo responsabilizar por algo que não fez. Há quem não tenha namorado(a) e esteja cansado(a). Pensamento automático: responsabilizar os outros e até a sociedade pelo fracasso (Não há valores. Nada é como antigamente.). Falso. Na verdade a culpa não é exclusiva dos tempos modernos é também daquele(a) de quem procura o amor.

É importante reconhecer se o problema poderá ser também da própria pessoa. Por forma a clarificar, existem de facto pessoas que tem pretendentes e no entanto, quando se aproximam demais no sentido de expressar o que sentem e querem avançar para uma relação emocional, afastam-nas, atribuindo-lhes um sem fim de imperfeições. Não quer dizer que não desejem ter um(a) namorado(a), apenas não conseguem envolver e ativam um mecanismo de defesa no sentido de se protegerem por bloqueios passados (baixa autoestima e auto conceito; infância baseada em padrões culturais rígidos e de repressão). Para esta situação que não é tão incomum de acontecer é necessária muitas vezes ajuda especializada mas mais importante do que isso é a própria pessoa reconhecer que tem esse problema (existem muitas pessoas com este tipo de bloqueio). Quer um(a) namorado(a) é admirado(a) mas no entanto não consegue se vincular a uma relação por medo. Há quem também esteja um pouco impaciente e está disposto(a) a enveredar por uma relação toxica pelo medo de ficarem sozinho(a). Não vale a pena enveredar por algo a qual não vibra o seu coração, pois a médio prazo reconhecerá que não é feliz. Não há destinos sem amor!

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