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No Dia Mundial do Livro (23 de Abril), Camões

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No Dia Mundial do Livro (23 de Abril), Camões

Voz às Bibliotecas

2024-04-18 às 06h00

Aida Alves Aida Alves

ODia Mundial do Livro é comemorado no próximo dia 23 de abril, por decisão da UNESCO. Este ano, a Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas dá destaque aos 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões, prestando assim um tributo a uma das maiores referências da literatura portuguesa. Segundo a DGLAB “Luís de Camões foi uma figura singular no universo das letras portuguesas e um dos poetas mais proeminentes da literatura mundial. Esta comemoração não reverencia apenas o legado literário do poeta, mas também pretende destacar a vastidão do seu conhecimento e a influência duradoura que exerce sobre as culturas de língua portuguesa em todo o mundo.”
Sobre Luís Vaz de Camões, abreviamos pontos da sua vida que podem mostrar o espírito mais inquieto e explorador de um homem que associou o conceito de liberdade de expressão e pensamento ao poder e uso da palavra. José H. Saraiva, na sua obra Vida Ignorada de Camões, considera que o poeta, no Canto X d’ Os Lusíadas, narra factos da sua adolescência que o marcaram para sempre. A partir da análise desse poema e de muitos outros, tece uma biografia de Camões. Estima-se que nasceu em Lisboa, por volta de 1524. Viveu a sua infância na época das grandes descobertas marítimas e também no início do Classicismo em Portugal. Foi aluno do colégio do convento de Santa Maria e tornou-se um profundo conhecedor de história, geografia e literatura. Em 1537, o rei D. João III transferiu a Universidade de Lisboa para Coimbra, onde Camões terá vivido e onde aprendeu latim. Camões iniciou o curso de Teologia, mas segundo algumas fontes bibliográficas, vivia de forma irrequieta, turbulenta, evidenciando mais a sua fama de conquistador que a sua vocação para a Igreja. Em 1549, Luís de Camões regressou a Lisboa, tendo uma vida ainda mais descomedida. Foi membro da corte, na condição de poeta lírico, embora tenha assumido uma vida desleixada, que o conduziu a um autoexílio em África. Foi lá, como militar do exército português, que perdeu o seu olho direito, acabando por voltar a Portugal. Em 1553, devido a um incidente com um empregado do Paço, foi preso e permaneceu um ano encarcerado. Neste período, enquanto decorriam as conquistas ultramarinas, em viagens por mares desconhecidos para a descoberta de novas terras, escreveu o primeiro canto de sua imortal poesia épica, Os Lusíadas. Saiu em liberdade da prisão em 1554, e com o seu espírito afoito, embarcou para as Índias. Esteve em Goa, e tomou parte de várias outras expedições militares. Camões foi nomeado provedor em Macau, na China e durante esse período, escreveu mais seis narrativas do seu poema épico. Em 1556 partiu novamente para Goa, tendo a sua embarcação naufragado na foz do rio Nekong, na China Meridional. Dizem algumas fontes que Camões se conseguiu salvar nadando, trazendo consigo os originais d’ Os Lusíadas. Em Goa, foi preso novamente, em consequência de novas confusões. Em 1569, Camões regressa de novo a Portugal. Chegou a Cascais a 7 de abril de 1570, depois de 16 anos longe do seu país. Faleceu em Lisboa, Portugal, no dia 10 de junho 1579 ou 1580, em situação de pobreza, sendo enterrado em cova rasa. Mais tarde, em 1594, Dom Gonçalo Coutinho, numa síntese biográfica, mandou esculpir campa lisa de mármore com a frase: "Aqui jaz Luís de Camões,/ Príncipe dos Poetas de seu tempo./ Viveo pobre e miseravelmente, / e assi morreo" (fonte: Gutenberg - https://www.gutenberg.org/files/31509/31509-h/31509-h.htm).
Luís de Camões redigiu poemas, peças de teatro, poesia épica e poesia lírica. É muito conhecido pelos seus sonetos, elegias e vilancetes, versando sobre vários temas, com especial destaque para “O ser português” e o “Amor”. Foi um dos expoentes no Classicismo em Portugal, dentre outros grandes autores à época. Camões nos seus vários textos poéticos, sobretudo sonetos, já refletia bem os conceitos de mudança, de nação, de identidade, de liberdade, naturalmente integrados à sua época, mas com cenários e valores que ainda hoje se mantêm vivos. São notórios, por exemplo, nos textos “Portugal, Tão Diferente de seu Ser Primeiro”, “Ao nosso Portugal, que agora vemos / Tão diferente de seu ser primeiro, / Os vossos deram honra e liberdade. […]”. “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades / Muda-se o ser, muda-se a confiança;/ Todo o mundo é composto de mudança, / Tomando sempre novas qualidades.” […]
Realizaram-se, pela primeira vez, no dia 10 de junho de 1977, após a Revolução de Abril, as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das comunidades portuguesas. Num ano em que se comemoram os 50 anos da revolução dos cravos, como importante marco histórico de libertação de um regime de ditadura, fazemos uma rápida viagem a uma das grandes figuras literárias que também este ano comemora os 500 anos e que ao seu jeito também soube registar a memória e a identidade do seu país. Cinquenta anos do nascimento da liberdade em Portugal, e quinhentos anos do nascimento provável do poeta português mais emblemático que primou por ser livre e deixou um legado universal.

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