Correio do Minho

Braga, sábado

Nível de vida dos portugueses ainda longe da média da União Europeia

Plástico - Pequenos passos no caminho certo

Ideias

2017-01-07 às 06h00

António Ferraz

Dados estatísticos recentes do Instituto Nacional de Estatística de Lisboa (INE) e Eurostat da Uni- ão Europeia (UE 28) e para o ano de 2015 revelam que o chamado índice de nível de vida ou poder de compra em Portugal se situava ainda bem longe da média da UE 28 (UE 28 = índice 100). Em concreto, o nível de vida ou poder de compra dos portugueses era de apenas 76,8% da verificada na UE 28 (média), um valor igual ao verificado no ano anterior e após dois anos de ligeira melhoria em resultado de algum crescimento económico entretanto registado no País (e que se seguiu a sucessivos anos de recessão económica com a forte austeridade imposta aos portugueses entre 2010 e 2012). Por outro lado, o nível de vida ou poder de compra em Portugal (2015) se posicionava, desta forma, na 22ª posição entre os países da UE 28, de uma lista liderada pelo Luxemburgo (índice = 263,9%). De igual forma, Portugal ocupava o 5º lugar mais baixo na área do Euro (UE-19). Refira-se que o índice de nível de vida ou poder de compra é calculado com base no chamado “Produto Interno Bruto (PIB) por habitante” e expresso em “Paridades de Poder de Compra (PPP), isto é, no PIB “por habitante” corrigido da inflação, permitindo assim fazer comparações entre países.
Um outro aspecto importante a retirar das estatísticas é o elevado grau de dispersão do nível de vida ou poder de compra entre os países da UE 28, o que mostra a ainda elevada desigualdade existente em termos de desenvolvimento económico. Este facto não deixa como seria de esperar de criar dificuldades à existência de uma moeda única, neste caso, do Euro, dado não estarmos perante aquilo que os economistas designam por uma “Área Monetária Óptima”, que exige a existência de um elevado grau de nivelamento entre os países parceiros da moeda única em termos de produtividade e de desenvolvimento económico. Consequentemente, face ao advento de “choques agregados negativos” haverá efeitos mais ou menos díspares sobre as economias nacionais integrantes da moeda única e, logo, a adopção de uma política monetária comum expansionista pelo Banco Central Europeu (BCE) não terá certamente a mesma eficácia em todas essas economias.
Mais, podemos inferir das estatísticas (amostra para 37 países europeus) que nos lugares de topo quanto ao nível de vida ou poder de compra encontravam-se: Luxemburgo (com 263,9%); Irlanda (com 177,1%); Suíça (com 161,7%); Noruega (com 160,4%). Pelo contrário, em piores situações estavam: Macedónia (com 36,4%); Albânia (com 29,7%); Bósnia (com 28%). Por sua vez, o país da UE 28 com pior nível de vida ou poder de compra foi a Bulgária (com 47%).

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Portugal tem de percorrer ainda muito caminho para melhorar substancialmente o nível de vida ou poder de compra dos portugueses.

Em suma, houve uma clara pioria do índice de nível de vida ou poder de compra dos portugueses nos anos de aplicação de austeridade excessiva entre 2010 e 2013. Porém, a partir de 2014 com a existência de uma ligeira recuperação na economia portuguesa observou-se também alguma melhoria no nível de vida ou poder de compra dos portugueses, pese embora a sua estabilização em 76,85 da média da UE 28 nos dois anos mais recentes de 2014 e 2015. Quer dizer, Portugal tem de percorrer ainda muito caminho para melhorar substancialmente o nível de vida ou poder de compra dos portugueses.
E como fazê-lo?
Antes de mais atenda-se que sendo a economia portuguesa muito aberta em última instância tudo dependerá da evolução da economia mundial, nomeadamente no que se refere a União Europeia. Contudo, tal não significa que a governação portuguesa não possa tomar desde já medidas visando uma maior melhoria do nível de vida ou poder de compra dos portugueses, tais como:
(1) Promoção de um crescimento económico sustentável e gerador de emprego;
(2) Realização de mais investimento público estrutural;
(3) Criação de incentivos fiscais e não estimulando o investimento privado;
(4) Dignificação do trabalho, combatendo a precariedade no emprego e os baixos salários;
(5) Reforço da coesão económica e social pela adopção de políticas adequadas de redistribuição de rendimentos;
(6) Defesa nas estruturas de poder da União Europeia de uma maior flexibilidade das “regras orçamentais” e por uma justa renegociação das dívidas públicas soberanas (130% do PIB em Portugal!).

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