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Braga, sábado

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Natal europeu. Passou e não paramos...

A irresponsabilidade social da construção civil

Natal europeu. Passou e não paramos...

Ideias

2021-01-09 às 06h00

Pedro Madeira Froufe Pedro Madeira Froufe

Passou-se. Reencontrou-se alguma serenidade. Uma serenidade esperançosa. O Natal do confinamento passou-se. Houve Natal, afinal! Diferente? Reinventado? O essencial da tradição pôde ser mantido. E o Pai Natal não foi barrado em nenhum controle de fronteira entre concelhos.
Passou-se, mas a pandemia continua. Ou seja, vamos continuar a reinventar-nos. Mesmo com a vacina no horizonte agora (muito) próximo. Amanhã, todos os Estados membros da UE (todos, mesmo!) terão os primeiros lotes da vacina e começarão o processo de resgate de uma relativa tranquilidade. E essa garantia e esse “timing” igualitários são, em parte, um presente de Natal da União. Assim como o Programa de Recuperação e de Resiliência que, com os seus 750.000 milhões de Euros, garantirá uma primeira ajuda a todos, um primeiro passo para a reconstrução das nossas vidas de cidadãos (também europeus). Uma garantia particularmente importante para Estados, como o nosso, que dificilmente, sozinhos, desintegrados, teriam capacidade e recursos para iniciar uma reconstrução, à procura do “novo normal”.

Na véspera de Natal, houve outra prenda. O acordo comercial entre a União e o Reino Unido. O acordo da tranquilidade possível, pós-Brexit. Um presente para todos, para a União, para o Reino Unido e – espera-se – para o futuro próximo. Pessoalmente, não acreditava que fosse possível alcançar-se esse acordo. Desde logo porque – prevendo-se algumas dificuldades e turbulência no Reino Unido (mais do que na União) – conviria a Boris Johnson ter um “bode expiatório” para politicamente fazer face a tais dificuldades internas. Dar-lhe-ia jeito culpa- bilizar a União. Principalmente, depois de não ter conseguido fragmentar a coesão da posição comum dos 27 Estados-membros através da tentativa de telefonemas (não atendidos) para Macron e para Merkel – e não para Von der Leyen ou para o representante/negociador da União! Mas, na verdade, conseguiu-se!

Passou-se, também, a este respeito, a inquietação e a perspetiva de cortes de abastecimento abruptos e de uma turbulência social e política agudas que seria muito má para todos! Uma saída “a bem”, tanto quanto possível, entre “amigos dos dois lados da Mancha” (expressão que tem sido muito utilizada, enfatizada, ultimamente, por ambas as partes…), permite também – pelo menos, como hipótese, ainda que não provável a curto prazo – pensar-se que o futuro poderá voltar a institucionalizar um caminho comum. Na verdade, a lição da História legitima esse pensamento.

Na realidade, o projeto europeu foi, de certo modo, “lançado” também por Churchill, no famoso discurso proferido na Universidade de Zurique, na ressaca do pós-Guerra (em 1946), avançando com a hipótese de uns “Estados Unidos da Europa”. Porém, em 1951 e em 1957 (sobretudo, em 1957, com a celebração do Tratado de Roma CEE) o Reino Unido sempre rejeitou a ideia de integrar a construção europeia. Um erro que rapidamente reconheceu. E rapidamente, também, avançou para uma espécie de construção alternativa e concorrente, meramente comercial: a criação da EFTA, uma zona de comércio livre na qual poderia ser dominante! No entanto, ainda a EFTA (criação britânica, recorde-se) dava os primeiros e titubeantes passos e o Reino Unido, logo em 1961, pediu a adesão á CEE. Pedido esse recusado pela França de De Gaulle. Pedido e reencontro com a (ainda pequena) Europa integrada que foi reiterado em 1967 e, novamente, “chumbado” por De Gaulle, criando-se uma espécie de trauma psicológico, uma relativa humilhação política que, naturalmente, nunca haveria de ser totalmente superada. Finalmente, com a chegada de Pompidou à Presidência da França, o Reino Unido acaba por aderir (1973). É aceite e muito bem-vindo. O projeto de integração poderia, então, construir-se com um dos seus naturais e, em termos geopolíticos, incontornáveis atores.

A ideia britânica de Europa sempre foi, tendencialmente, contra a integração política; o que a Inglaterra sempre quis, foi um mercado comum (Mercado Interno), apenas... Note-se, a Inglaterra, mas já não a Escócia! Mas, em 1961, o próprio poder política que recusou a integração, também rapidamente reconheceu o seu erro (perante os resultados económicos dos primeiros passos da integração) e quis reencontrar-se com o projeto. Acabou por aderir já na década de 1970.
Quem sabe se, mesmo com outras aparências e “vestes”, com outras circunstâncias e fatores determinantes, a História não se repetirá?

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