Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Nas escolas, só os professores envelhecem!

Parabéns ao IPCA

Voz às Escolas

2014-09-11 às 06h00

José Augusto

Em cada início de ano, as escolas renovam-se. Na nossa Escola Secundária de Caldas das Taipas, em todas as escolas de Guimarães, em todas as escolas do Minho, em todas as escolas do país entram novos alunos e, com eles, entram todas as esperanças e todos os problemas da sociedade. Entram todos os problemas e esperanças das pessoas que neles moram. Entram todos os problemas e esperanças das suas famílias e do país.

Às escolas pede-se tudo e cada vez mais. A Escola não pode tudo. Ainda assim, acredito que a Escola Pública pode fazer a diferença para muitos. Seja qual for a idade, alguns chegam já com marcas profundas de vidas que nem os adultos deviam viver. Mais adiante, no seu percurso escolar, a essas marcas, foram acrescentando outras de insucesso escolar.

Por todas essas razões, alguns procuram refúgio naquilo que sentem dominar melhor e que, frequentemente, gera mais reconhecimento dos pares e maior atenção dos adultos: o comportamento divergente na sala de aula, a recusa do trabalho escolar, a atitude alternativa na relação com os outros. Ainda assim, a Escola Pública deve acolher todos e acreditar que pode melhorar o destino de cada um deles.

Novos alunos representam novos recomeços com os desafios de sempre. Na minha opinião, os professores mais eficazes são os que conseguem ser melhor sucedidos a inspirar confiança nos alunos. Inspirar autoconfiança e autonomia, porque os professores não ensinam, apenas ajudam a aprender. E aprender é, primeiro que tudo, acreditar em si próprio. O sucesso escolar dos jovens depende muito da sua capacidade para esperar gratificações diferidas no tempo. A lógica, hoje dominante, da satisfação imediata, articula-se mal com a lógica da aprendizagem escolar.

A aprendizagem é um processo longo e difícil, implica esforço e perseverança, por vezes com resultados incertos e, apenas, com promessas de recompensas futuras. Atualmente, na família e na sociedade, domina a lógica do “sim” e do “já”. Porém, a construção individual do conhecimento é lenta mas significa acumular o único capital que fica a salvo de todo o tipo de banditismo. Só o conhecimento habilita permanentemente a recompensas futuras. Recompensas de “ter” e de “ser”, desde logo, ser livre, porque só o conhecimento liberta.

Em cada início de ano, as escolas renovam-se com a entrada de novos alunos. Simultaneamente, os professores, para o bem (muito) e para o mal (algum), são maioritariamente pessoas que entraram na escola aos seis anos e nunca de lá saíram. Contudo, uma vez professores, têm o imenso privilégio e o tremendo desafio de, em cada novo ano, trabalhar com gente sempre jovem.

Apesar das mudanças geracionais, a adaptação dos docentes às novas culturas juvenis é facilitada pela renovação rápida dos seus grupos de alunos. Enquanto pais, com o tempo, deixamos de ter filhos jovens. Só mais tarde, cada vez mais tarde, os netos voltam a refrescar essas memórias. Nas escolas não, os nossos alunos têm sempre a mesma idade. Por isso, muitos professores ficam eternamente cativados por esse contacto permanente com a juventude e nele encontram energia para novos recomeços. Por isso, resistem a tudo o que os fustiga e se mantêm professores.
Em cada início de ano, as escolas renovam-se. Nas escolas, só os professores envelhecem!

PS: O Correio do Minho merece o nosso reconhecimento pela atenção que dá aos temas da nossa região e, em particular, aos assuntos da Educação. Ao abrir este espaço de opinião a mais comunidades escolares, afirma-se ainda mais como espelho da vida e do pensamento do vasto espaço territorial e humano que transporta no seu nome. Muito obrigado!

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