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Não são só memórias

Os passos seguros de Pedro Nuno Santos

Não são só memórias

Escreve quem sabe

2023-12-03 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

As memórias afetivas são aquelas que nos unem a lugares e a pessoas. Memórias que nos interligam ao sistema límbico dos cinco sentidos: a visão, o tato, o paladar, a audição e ao olfato. Não será, portanto, invulgar que uma memória de um passado curto ou longínquo seja interligada a uma memória no presente. Seguramente, que se recorda de alguma guloseima e/ou prato da infância confecionado por alguém que lhe é ou lhe foi especial. Ou no sentido inverso e negativo, talvez se recorde de algum alimento do qual não gostava e ainda hoje essa memória está gravada. A titulo de uma memória afetiva olfativa talvez se recorde do cheiro característico da sala da escola do ensino primário, em que no momento presente, a ida ou entrada, num espaço com muito livros, como por exemplo, uma biblioteca ou quando abre um livro numa livraria, lhe ative essa memória antiga do período escolar, pelo olfato. Ou por outro lado, e no sentido oposto, essa experiencia olfativa lhe faz ativar uma memoria mais triste que viveu na escola, porque nem todas as pessoas vivenciaram momentos felizes no período referido. A memoria afetiva da audição quando se reouve aquela musica especial, intemporal que por mais que os anos avancem, e onde se esteja, quando a escuta lhe faz lembrar algum momento que eternizou na sua memória, quer de forma feliz, quer de forma mais triste. Gosta de abraços? A memória afetiva do tacto. O tacto, de receber um abraço, ou um gesto cujo poder emocional é tão impactante e preciso que aproxima ou desaproxima laços para quem ofereceu e quem recebeu. A memória afetiva pela visão. A visão de estar em lugares que marcam para sempre e em que se fecha ou olhos, nos volta a ver novamente. Ou em contrário, a imagem de encontrar reaver alguém, seja ao longe, seja de perto em que a emoção remete a uma memória afetiva negativa que não deseja rever. Porque se lê, bem ou mal, comportamentos de pessoas e neste sentido, consegue-se sempre perceber a má intencionalidade de um olhar. O bom ou o mau, ninguém esquece. Tem tendência a perdurar intemporalmente. As memórias afetivas acabam por inter-relacionar a situações, contextos e até no relacionamento interpessoal com pessoas que se conhece ou que ainda se irá conhecer. Neste sentido, tende –se de forma inconsciente a refletir o passado no futuro, pois por vezes, perde-se grandes oportunidades por o resultado das marcas negativas que se carrega. Parece confuso? Repare que as memórias afetivas podem estar afetas ao poder da primeira impressão, tal como se diz na linguagem popular, impressões “à primeira vista”. Quantas vezes, entrou pela primeira vez num sitio ou lugar e “sem mais nem menos”, sentiu-se desconfortável, ou desejou sair dali no imediato?! Já lhe aconteceu certamente ser-lhe apresentado/a alguém, em que essa pessoa lhe disse “Olá. Muito prazer em conhece-lo/a.” e você sentiu que não devia confiar ou até não gostou, simplesmente sem ter nada em concreto “para apontar” a essa pessoa?! Na verdade, reflita não chegou a conhecer verdadeiramente essa pessoa. Não se deduz a personalidade de alguém num momento imediato, num primeiro olhar ou num comportamento estático como se estivesse a ver uma fotografia. Para se conhecer verdadeiramente alguém, há que haver um contacto mais próximo e sistemático. No entanto, na verdade acontece um fenómeno – a primeira impressão. O nosso cérebro é como um computador. Regista e guarda todas as informações importantes. Voltando ao exemplo de estar a conhecer determinada pessoa pela primeira vez. Suponha que há muitos anos atrás esteve em contacto por exemplo no trabalho com alguém com quem teve uma má experiencia por ter uma atitude duvidosa consigo e com outro colegas de trabalho no ambiente profissional. Passaram muitos anos, e já não se recorda do nome, mas tem bem presente na memória o tom de voz com que essa pessoa falava consigo. Por conseguinte, de forma inconsciente o seu cérebro vai “cruzar os dados” e vai alerta-lo/a em situações futuras. Assim sendo a informação anterior do timbre de voz ao ser parecida com a voz de quem está a conhecer no presente, pela memoria afetiva, dar-lhe o alerta que poderá estar diante de uma pessoa como a que conheceu anteriormente. Daí que na maior parte das vezes, ao não se dar a possibilidade de conhecer realmente a pessoa em si, perde-se a oportunidade de conhecer verdadeiramente a pessoa. Alguém que poderia construir em conjunto consigo memórias felizes. Não seja nunca as memorias afetivas negativas do seu passado, seja a ação de vínculos seguros e felizes do seu presente. Se algum dia perceber que está errado/a pode ser começar de novo, quando e como quiser.

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