Correio do Minho

Braga, terça-feira

- +

Não percebo

Plano, Director e Municipal …

Ideias

2015-12-26 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Neste final do ano da graça de 2015, existem muitas coisas que não percebo, ou pelo menos não sou capaz de encontrar uma explicação. Assim:

1. Foi publicado recentemente um Relatório Oficial do FMI em que se assume que a melhor forma de fazer frente à crise financeira de países como Portugal seria fazer logo à partida a reestruturação da dívida. Ainda segundo o Relatório, o programa aplicado pela troika não melhorou as debilidades da estrutura económica do país e, se algumas melhorias existiram, são aparentes porque realizadas em condições económicas favoráveis ( intervenção do Banco Europeu, baixa das taxas de juro, baixa dos preços do petróleo, etc. ). O ajustamento criou pobreza e desemprego, não justificando a consolidação orçamental. Em que ficamos? Não era a austeridade uma verdade indiscutível e absoluta do governo? Seria bom que esses senhores confessassem o seu erro, tal como o FMI, por acaso o membro mais importante da troika.

2. Outra coisa que não consigo perceber é a política bancária. Primeiro foi o BPN (banco cavaquista); depois o BPP (banco duma elite de novos ricos) ; de seguida, o BES (banco do regime); e, finalmente, (finalmente não, porque já se fala do Montepio e nas dificuldades da Caixa Geral de Depósitos) o Banif. No início de 2013 o Estado comprou mais de 50% do capital do banco, mas a situação foi-se deteriorando até ao começo deste ano, data em que se verificou que se tornava insustentável, mas o governo nada fez; não lhe convinha por causa das eleições; pretendia apresentar um país das maravilhas, um país de sucesso invejado por meia Europa. Segundo o governo só não acreditavam alguns malfeitores que estão contra tudo. E agora sobram para os contribuintes mais de dois mil milhões de euros. É quanto custou branquear a realidade e ganhar as eleições. Entretanto que tem feito o Banco de Portugal? Nada que se saiba e, todavia, é a entidade reguladora. Segundo o Relatório do Banco de Portugal,” Portugal goza de estabilidade financeira invejável”!... É caso para perguntar se o governador se vai demitir, ou vai ser demitido? O que fazem centenas de economistas, empregados do Banco de Portugal? Entretanto o povo paga e apuramento de responsabilidades não há.

3. Discute-se atualmente o fim dos exames de acesso à profissão de professor. Os futuros advogados fazem exames de acesso; os médicos também; e qualquer quadro passa por um período experimental em que se mede a capacidade de aplicação da teoria aprendida na Universidade. Segundo os sindicatos, as universidades são idóneas para a certificação de acesso à profissão docente. Ora, em primeiro lugar, há muitas universidades, umas boas, mas outras francamente más.Além disso desde quando as universidades têm capacidade para avaliar a prática do ensino. O argumento sindical só faz sentido se se pensar a profissão docente como de terceira categoria. Mas não pode ser o caso.

4. Decididamente não percebo este povo dum país onde, as instituições “ formalmente muito boas”, mas que não funcionam. É um país de faz de conta.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias

30 Novembro 2020

Um Natal diferente

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho