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Não percebo…

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Ideias

2010-11-26 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Não percebo e por isso estou confuso. Não percebo porque se gasta tanto dinheiro com a cimeira da Nato, organização que ainda não conseguiu provar que é útil ao mundo. É certo que os participantes pagaram a sua estadia. Mas quem pagou a mobilização de milhares de polícias e o encerramento dos estabelecimentos comerciais e das repartições públicas?

Entretanto sabe-se que Portugal admitiu o envio da GNR e a duplicação do número de formadores no Afeganistão. Mais uma vez, quem paga? Mas para além disso, trata-se duma tarefa inútil. O império britânico, no auge do seu poderio, tentou pacificar as tribos afegãs e depois de várias campanhas militares teve que retirar para o vale do Indo. A U.R.S.S. tentou impor um governo socialista e amigo em Cabul e acabou derrotada. Agora os países ocidentais pretendem impor uma democracia à ocidental, mas o presidente vive na capital, rodeado de seguranças. Deixem os afegãos em paz. Mas, sinceramente, não percebo esta teimosia.

Não percebo também o que está a acontecer com a crise. Quanto à Irlanda, país até há pouco apresentado como milagre económico, tudo indica que a crise resulta da ganância do sistema bancário que ameaça ruir. No auge da especulação aportaram à Irlanda milhares de milhões de Euro. Só Portugal terá € 31,1 mil milhões investidos. O que dizer dos alemães e franceses? E estes querem o seu pagamento; e como os bancos estão falidos, paga o Estado, isto é, os contribuintes irlandeses. É assim o mercado, que qual Minotauro, necessita de jovens para alimentar a sua voracidade.

Coisa parecida se deve estar a passar com os países do sul da Europa, nos quais se inclui Portugal. A Alemanha pagou e alimentou a euforia económica da zona euro, mas chegou a altura de cobrar os empréstimos. E como os países do sul são os mais gastadoras e menos produtivos é contra estes que se dirige a fúria dos mercados. Os mercados, de anjinhos rechonchudos converteram-se em deuses ferozes, devoradores de crianças, da mitologia azteca.

Mas entretanto, ou os países da periferia arrumam as suas finanças, de modo a pagar as dúvidas, ou são expulsos da zona euro. A Alemanha constrói, desta forma, a sua hegemonia no espaço europeu com países mais próximos da cultura alemã, com uma mão-de-obra mais educada e trabalhadora.
Qual o papel da França de Sarkozy no meio disto? - Não percebo porque faz parceria com a Sr. Merkel.

É altura de voltar à garagem e procurar os livros de Marx que há dezenas de anos tinha arrumado. É importante lê-los novamente à luz de nova realidade. Sempre pensei que um dia poderia precisar deles.
E, entretanto, é necessário arregaçar as mangas. O nosso país já esteve falido várias vezes, mas sempre sobreviveu. Depende do novo esforço, já que não há almoços grátis, como se verifica.

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