Correio do Minho

Braga,

(Não) olhes para o que eu faço

Mercado de trabalho em Portugal: pontos fortes e pontos fracos

Escreve quem sabe

2014-03-09 às 06h00

Joana Silva

O adágio popular “Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”, num contexto de reflexão mais psicológico e social, poderá remeter para os modelos de comportamento que os pais adoptam face aos filhos. Neste prisma, tome-se em atenção os seguintes cenários. É muito frequente os pais recomendarem aos filhos para não comerem comidas pouco saudáveis (exemplo, trocar o prato da refeição por um doce), que no senso comum, se apelida de “comer porcarias”.

Também, quando pretendem colocar regras, por vezes, veêm- se num registo de grande exaltação, a falar mais alto do que o deveriam fazer para com a criança. Indignam-se também com as mentiras dos filhos (mesmo as mentiras “mais inocentes”) expressando que esta “tem perna curta”. Há aqueles pais que por estarem chateados por comportamentos inadequados da criança amuam à frente desta.

Os pais de facto, dão “bons conselhos aos filhos” que nada mais, nada menos, pretendem salvaguardar o bem-estar da criança. Todavia, existem alguns factores que os pais inconscientemente costumam descurar pois de nada adianta o “olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço”. Basicamente, os pais recomendam hábitos saudáveis, por exemplo, aos filhos, quando os próprios não têm esses hábitos.

Os filhos “leem” os comportamentos dos pais e tendem a imitá-los. Amuar, vozear, “fazer de conta que não está a ouvir”, não saber escutar as angstias do filho, não comunicar de forma assertiva, isto é, comunicam de forma exaltada com tendência para linguagem inconveniente, violência física para impôr disciplina, fumar ou beber, a chantagem emocional, o não elogio ou o elogio desmedido, sedentarismo entre outras atitudes, são as imitações mais habituais das crianças que advém do “efeito espelho” dos pais.

Neste sentido, mais importante do que nunca os adultos devem dar o exemplo às crianças. É sobretudo interpretar e gerir emoções. Emoções estas que passam pela compreensão do saber falar, saber estar e saber ouvir. E existem formas de se chamar atenção à criança que não pelo “deitar a baixo” que nada mais, nada menos contribuirá para lesar a auto - estima. Quando um pai está aborrecido com alguma conduta desadequada da criança e se nesse preciso momento estiver “com os nervos à flor da pele” deve aguardar alguns minutos a fim de se acalmar e posteriormente dialogar com a mesma.

Assim evitará críticas com forte componente emocional. Consciencializar as crianças para práticas de alimentação saudáveis, o não fumar ou beber pressupõe uma explicação ajustada dos efeitos nefastos para o organismo. De ressalvar que esta consciencialização não deve ficar na teoria. Esta deve estar sempre aliada à prática pelos filhos e pais. A criança também deve ser reforçada nas suas conquistas através de um elogio. Um bom elogio e sincero é como um “rebuçado” para a auto-estima. Portanto é urgente trocar palavras como “Não sabes nada” por “Acredito que ainda podes fazer melhor”.

Em suma, o acto de chamar a atenção implica uma linguagem clara e precisa para que a criança compreenda o motivo da crítica. A criança deve ser ouvida tranquilamente pelo adulto que avalia o que a mesma diz face à situação. De recordar, que a sensibilidade é factor determinante, pois colocar-se no lugar da criança permite perspectivar o que se sentiria ao escutar determinadas “sentenças”. Alterar comportamentos sejam de “graúdos os dos mais pequenos” não é fácil, tudo depende do querer e da força de vontade.

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