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Braga, sábado

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Não nos esquecemos

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

Ideias

2019-01-20 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Assinala-se no próximo domingo, 27 de janeiro, o “Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto”. Este dia foi criado a 1 de dezembro de 2005, pela Assembleia Geral das Nações Unidas, porque a 27 de janeiro de 1945, as tropas da União Soviética libertaram o Campo de Concentração de Auschwitz, o mais mortífero de todos os que foram criados pelos Nazis.
Não nos esquecemos que em Auschwitz, na Polónia, foram mortos milhares de judeus, ciganos, homossexuais, negros, prisioneiros de guerra e todos os que eram considerados pelos nazis como seres inferiores aos alemães;
Não nos esquecemos que em Auschwitz os alemães davam as boas vindas aos prisioneiros, dizendo-lhes que iam para um chuveiro, mas em vez de água eram atingidos com Zyklon-B (cianeto) que os liquidava em poucos minutos;
Não nos esquecemos que das vítimas eram retirados os dentes em ouro, pelos próprios judeus. Tinham que fazê-lo quando os corpos ainda estavam quentes, pois uma vez arrefecidos era mais difícil este procedimento. Estes, depois de derretidos, eram transformados em barras de outro, posteriormente enviadas para os Bancos alemães;
Não nos esquecemos que por cada prisioneiro que fugia eram assassinados dez familiares ou outros prisioneiros que estavam próximo do fugitivo;
Não nos esquecemos que os cabelos das vítimas eram cortados e usados para fabricar cobertores e tapetes e ainda para o isolamento acústico dos submarinos;
Não nos esquecemos que nas filas de inspeções de prisioneiros eram colocados também os que morriam, cujos cadáveres eram amparados por outros prisioneiros;
Não nos esquecemos das celas em pedra, frias e escuras, onde os prisioneiros morriam à fome e por falta de oxigénio;
Não nos esquecemos que os primeiros prisioneiros eram fotografados, para registo, mas a chegada maciça de prisioneiros tornou impossível as fotografias, como registo, sendo substituídas por números no braço;
Não nos esquecemos que milhares de crianças foram atiradas vivas para os crematórios;
Não nos esquecemos que foram mortas cerca 1.600.000 pessoas (1.440.000 deles judeus);
Não nos esquecemos que morreram em Auschwitz cerca de 232 mil crianças e adolescentes (216 mil deles judeus).
Apesar de ter sido criada a ideia de que os alemães eram todos culpados, o certo é que a máquina nazi ocultava este extermínio dos próprios alemães. Em “A Provadora” (V. S. Alexander, 2018), revela-se que alguns oficiais alemães tiraram fotografias de Auschwitz e fizeram-nas chegar à Alemanha: “O segundo conjunto de fotografias era ainda mais pavoroso e fiquei sem cor ao ver os cadáveres amontoados e entrelaçados. Eram tantos que não se conseguiria dizer onde um corpo terminava e o outro começava. As fotografias mostravam pilhas de bagagens, sapatos e óculos, seguidas de montanhas de carne em decomposição. Fiquei atordoada. Na última fotografia, um homem nu jazia morto numa lage em frente de uma abertura que parecia a porta de um forno. Um prisioneiro – quase um cadáver ele próprio – erguia-se a seu lado, presumivelmente para se assegurar de que o corpo era cremado”.
Um dos casos mais emocionantes de um prisioneiro que sobreviveu em Auschwitz foi Aaron Lustiger. Judeu, nasceu na Polónia, em 1926, e foi com os pais para França onde se converteu ao Catolicismo. Tinha 14 anos. A sua mãe foi presa em Orleães (França), depois da denúncia de uma vizinha, e enviada para Auschwitz, onde morreu gaseada. O pai, que sobreviveu à Guerra, tentou anular a conversão do seu filho ao Cristianismo, mas sem sucesso. Em 1954 assistiu, desolado, à ordenação do seu filho como padre. Serviu em Paris, na paróquia de Sainte-Jeanne de Chantal, em Orleães, como Bispo; em 1981 o Papa polaco João Paulo II nomeou-o Arcebispo de Paris e dois anos depois Cardeal da mesma cidade, cargo que manteve até 2005.
Lustiger morreu em 2007 e nas cerimónias fúnebres Maurice Druon, da Academia Francesa, afirmou que “Vós fostes uma forma de milagre, o impossível existente, vós fostes o «Cardeal Judeu»”.
“Todos sofremos coisas aqui que a mente humana não consegue imaginar”, é uma das frases encontradas numa carta escrita pelo judeu grego Marcel Nadjari e enterrada no campo de concentração de Auschwitz.
“A cada dia preferia morrer, e cada dia lutava por sobreviver”, afirmou o judeu italiano Primo Levi.
Quando passam 72 anos da libertação de Auschwitz não nos esquecemos e devemos continuar a alimentar a democracia na Europa, no país, mas também na nossa comunidade, nas nossas escolas e no nosso círculo de amigos e familiares.

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