Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Não existem ‘patinhos feios’

Amarelos há muitos...

Escreve quem sabe

2013-12-15 às 06h00

Joana Silva

Quando questionadas acerca da sua beleza, as pessoas parecem ter dificuldades em se “avaliarem” se bonitos ou se feios. Prende-se, por vezes, pelo receio da opinião de outrem, do rótulo de “convencido” ou excesso de ego quem se considera bonito, ou então de “sem auto- estima” para quem se aprecia feio. O adjectivo feio, tem uma conotação fortemente negativa, independentemente da faixa etária. Todavia parece ter impacto mais acentuado na infância ou adolescência, porque é durante estas fases, sobretudo a última, que a personalidade se forma. Os parâmetros de beleza são relativos e diferenciados e pode dizer-se que depende muito da óptica de cada pessoa. A adolescência é marcada por uma panóplia de mudanças, físicas e intelectuais. Se em idades mais precoces como a adolescência parece-se valorizar mais o aspecto físico, em contrapartida na fase mais adulta o interior é mais apreciado, talvez pela consciencialização que a beleza se vai desvanecendo com o passar de anos. Os adolescentes tem uma tendência para focarem-se sobretudo, na imagem corporal dos mesmos muito por influencia do grupo de pares (rede de amigos). Esta imagem corporal é frequentemente distorcida, pois identificam “imperfeições” que não verídicas. Exemplificando, têm-se como menos bonitos , pelo facto de terem um nariz ou orelhas maiores, demasiado magros ou gordos, muito altos ou baixos, ou até pelo facto de usarem óculos ou aparelho dentário etc. Convencer um adolescente do contrário , isto é, explicar que o seu foco de percepção a essa característica “menos boa” está distorcido não é tarefa fácil. Também os pais, devem ter ponderação nas palavras. De uma forma inconsciente, por vezes, fazem comparações com irmãos ou primos, do tipo “ Este é o mais gordo, mas o outro meu filho é muito mais elegante e está tão bonito.” Não significa que os pais o façam de forma intencional mas para quem ouve é danoso, causa tristeza e desenvolve posteriormente a crença da não aceitação do seu aspecto físico. Uma auto - estima fragilizada mesmo depois numa vida adulta. Mais concretamente, “o patinho feio” de antigamente mesmo tornando-se num “cisne” em que as pessoas exteriorizam e verbalizam o quanto é bonito sentir-se-á sempre feio. Compreende-se igualmente que muitos pais tenham dificuldades em exteriorizar ou verbalizar sentimentos, porque razões variadas, uns não o desejam fazer, outros porém não dominam essa competência de comunicação parental, de valorizar, consequência de comportamentos ou atitudes apreendidas face aos pais durante a infância que não demonstravam explicitamente os afectos, salvo os negativos que tinham como consequências a punição. Os elogios sinceros são de extrema importância no desenvolvimento da personalidade. Igualmente num outro ponto de reflexão, parece importante referir que aquela pessoa que rotula sistematicamente de feias outras pessoas, na verdade é uma pessoa insegura projectando assim para essas aquilo que acha em si. Não existem pessoas feias, todos tem o seu encanto especial. Interrogue-se, ao perguntar-se a si próprio como se sentira se alguém dissesse que era feio?! Sem dúvida que há palavras que magoam umas mais que outras mas esta palavra, feio, é uma das que certamente ninguém gostará de ouvir. Cuidado com as palavras elas carregam sentimentos.

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