Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Na teia de um amor dependente

A União Europeia e os Millennials: um filme pronto a acontecer

Escreve quem sabe

2015-05-24 às 06h00

Joana Silva

Não há pessoa nenhuma que não aprecie ser amada e desejada por um(a) companheiro(a). Ter alguém com quem possa partilhar alegrias e tristezas. Alguém que escute e compreenda incondicionalmente. Dizem que as relações atuais alteraram-se face às de antigamente. As relações de “pedra e cal” em que mesmo na presença de conflitos emocionais sistemáticos subsistiam deram lugar às relações de “ Não funciona. Cada qual vai à sua vida!”. Mas será que as chamadas relações de “pedra e cal” estarão mesmo em extinção?! Talvez não.

Este tipo de relação é diferente de outras nomeadamente daquelas que se pautam pelos maus tratos físicos ou psicológicos. Este tipo de relação contrasta com um tipo de ligação/envolvimento dependente face à/ao companheira(o). A relação dependente reporta-se a ambos os sexos. Como identificar, uma relação dependente? Por exemplo, quando se verifica que a relação não está bem, pelo ciúme, pelas discussões, pela desconfiança, pelas infindas suposições de infidelidade, e ao mesmo tempo sente-se medo ou pavor de perder essa mesma relação não-saudável.

Uma relação dependente tem como perfil: o colocar de parte os próprios interesses e ceder sistematicamente face à/ao da(o) companheira(o) quando numa relação sadia deve haver ou existir cedências de ambas as partes; deixar de ser o(a) próprio(a), em que por exemplo, já não exterioriza tanto a vertente engraçada e humorística porque “aos olhos” do(a) companheiro (a) parece mal; o aceitar de situações que não são normais tais como: a traição e faltas de respeito onde mesmo na infelicidade “nua e crua” prevalece “gosto dela (e)!”; vulnerabilidade ou perda de vínculos sociais com amigos porque o foco mental centra-se no telefone quando na ocorrência de zangas; etc.

O ciclo vicioso emocional tende a aumentar e a perceção da fragilidade emocional de dependência por parte do(a) parceiro(a) pode ser desastrosa. Quem está de fora, amigos, colegas ou até familiares e acompanha este tipo de relação, por vezes, não entendem porquê e as razões que fazem permanecer nesta relação. São as emoções, também situações traumáticas da infância de carência afetiva e pensamentos/crenças “irrealistas”, tais como, “ Não vou conseguir encontrar mais ninguém ainda para mais com esta idade…”, “Receio ficar sozinho(a) para toda a vida.”, “Namorámos há tanto tempo, o que as pessoas irão pensar?!”, “O tempo encarrega-se de fazer gostar mais de mim”.

Na verdade, o tempo não ajuda a gostar mais; ficar numa relação por estar não é nunca sinónimo de felicidade; a felicidade verdadeira nunca dependeu do que “os outros pensam” nomeadamente numa sociedade em que cada vez mais, o “ser feliz” causa mal-estar e desconforto; e por último, quanto mais tempo e demora numa relação que não funciona mais tempo se adia uma outra relação que possa vir a ser mais feliz.Há quem diga que simplesmente não tem sorte ao amor pois todas as relações foram até ao momento falhadas.

O que explica tal situação? A infância e a adolescência. Estudos revelam que existe uma tendência “natural” para se procurar inconscientemente características dos pais nos (as) companheiros (as). As características são inúmeras, desde, impulsividade, retraimento, pobreza nas relações interpessoais etc. e podem variar de pessoa para pessoa, fazendo “cada caso um caso”. Nestas situações, é necessário o acompanhamento por parte de especialistas como os psicólogos. Há uma frase intemporal “Se não gostar de mim, quem gostará?”, por isso ame-se em primeiro lugar. Na vida há perdas que se tornam ganhos. O futuro está sempre “nas suas mãos”, no livre arbítrio de escolher e optar. Opte por tudo que faça vibrar a alma e o coração não importando o recomeço que tenha de fazer em qualquer altura da sua vida.

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