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Na senda das bibliotecas e dos livros

Para reflexão...

Na senda das bibliotecas e dos livros

Voz às Bibliotecas

2022-05-12 às 06h00

Aida Alves Aida Alves

Na senda das bibliotecas e dos livros, os hábitos de leitura são uma das maiores preocupações que devemos ter, pois são os livros, a leitura e os hábitos de ler que no limite, são a justificação para a existência de bibliotecas, que, contudo, não se esgotam nestas temáticas.
E, neste sentido, um recente inquérito aos hábitos de leitura dos portugueses, indicou-nos que é real a preocupação que possamos ter, pois o inquérito revela que há um percurso muito grande a fazer por parte do governo e suas políticas públicas, e por parte dos municípios, estabelecimentos de ensino, famílias, bibliotecas, livrarias e alfarrabistas, entre outros equipamentos com missão específica para promover o aumento dos índices de leitura junto da comunidade. Há necessidade de traçar estratégias que aproximem o cidadão à leitura, independentemente do seu suporte físico ou digital.
As conclusões do inquérito às práticas culturais dos portugueses, realizado nos últimos meses de 2020 pelo Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, com financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), revela os hábitos de leitura dos portugueses dos 12 meses anteriores ao inquérito, onde 61% dos portugueses responde que não leu um único livro em papel, e, dos 39% que afirmavam ter lido, a maioria revelou ter lido pouco.
Inquiridos sobre a prática leitora de livros digitais, os portugueses responderam que, apenas 1 em cada 10 inquiridos leu nesse suporte. Do universo de quem leu, identificaram-se as classes dos “pequenos leitores” (27%, que leram entre um e cinco livros impressos), seguida dos “médios leitores” (7%, que leram entre 6 e 20 livros) e “grandes leitores” (apenas 1% leu mais do que 20 livros num ano). A mesma relação se encontra entre a população leitora de livros digitais: 5% de pequenos leitores, 1% de médios leitores e 0% de grandes leitores. Os grandes leitores preferem o papel como suporte, os pequenos têm uma maior tendência para a leitura digital. A grande maioria dos inquiridos assume que os pais nunca os levaram a uma livraria (71%), a uma feira do livro (75%) ou a uma biblioteca (77%). Interessa reter estes dados para a nossa reflexão. Em primeiro lugar, que a leitura de livros em formato digital pode ser um incentivo para os pequenos leitores. Em segundo lugar, perceber o quanto é importante o ambiente em que crescemos para que os hábitos de leitura se desenvolvam.
As visitas a livrarias, onde os livros estão em acesso livre, a ida a uma feira do livro, ou a uma biblioteca de leitura pública que permite o acesso livre aos livros e ao empréstimo domiciliário gratuito, é um programa que os pais deveriam considerar como objetivo nos finais de tarde, após o horário laboral, ou no fim de semana, aos sábados. Complementarmente podem fazer um roteiro de visitas às coleções dos diferentes museus da cidade ou território vizinho é outro objetivo, assistir a um espetáculo de teatro, música ou dança. Tudo pode fazer parte de um desejado enriquecimento cultural que se deve perseguir e tnetar incutir nos mais novos.
Outra estratégia desafiante é associar a prática da escrita a desafios de correspondência na família, concursos e práticas nas escolas ou bibliotecas.
As crianças, adolescentes e jovens adultos em idade escolar têm já por base a obrigação de ler os manuais e os textos de apoio às disciplinas. Há, no entanto, interesse de promover a leitura por prazer, no universo recreativo e autónomo fora do contexto escolar.
Importa também refletir que os adultos não leem muito. E uma parte da resposta poderá estar neste ciclo vicioso em que não fomos estimulados a ler quando crianças e, por isso, não o iremos fazer aos nossos filhos. É importante quebrar este ciclo e inaugurar uma era em que os livros e os habitos de leitura façam parte da nossa riqueza pessoal. Como a bondade, o altruísmo, a capacidade de reflectir e fazer escolhas, a capacidade de nos maravilharmos com o mundo e de caminhar na direcção certa durante todas as fases da nossa vida.

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