Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Na pele de um estagiário

Um futuro europeu sustentável

Escreve quem sabe

2015-04-26 às 06h00

Joana Silva

A aprendizagem é contínua e ao longo da vida. Se antigamente o percurso académico estava comprimido a determinada idade atualmente e felizmente não há entraves para quem quer aprender. Muitos dos ciclos de estudos pressupõe para além do corpo teórico um campo prático. O estágio é de certa forma a porta de alavanca e é o primeiro passo que se tem com o mercado de trabalho, sejam eles de natureza curricular ou profissional.

O estágio é uma etapa marcante para um estagiário. Esta etapa pode ser gratificante ou não. Todas as entidades que acolhem estagiários selecionam à partida um orientador. Há orientadores que são colaborantes, e comprometem-se a ajudar e partilhar os conhecimentos explicando ao estagiário as dinâmicas institucionais.

Outros porém, dispensam ou como se diz popularmente “passam a pasta”, apesar de serem eleitos, pelos órgãos de chefia como orientadores. Também o próprio ambiente organizacional interfere no sucesso ou não do estágio. Os mais cépticos e renitentes aos estágios (aqueles que afirmam que os estagiários “só dão trabalho e preocupações desnecessárias”) na verdade podem sentir-se ameaçados pelo receio de que o estagiário possa ameaçar/abalar o “lugar intelectual pelos conhecimentos novos que trás, pela criatividade ou até pela visibilidade que possa alcançar dentro da instituição/entidade. Por estas razões, podem acontecer comportamentos inadequados para com o estagiário, colocação ou realização de trabalhos que outros não pretendem ou que não se enquadram nos objetivos de estágio, ou até em outras situações não dão ao estagiário.

Também a própria linguagem ou trato pode ser ambivalente ou rude “Vai já para ali…” ou ironicamente “ Vês afinal com os estudos nem sempre se aprende tudo… não sabes isto”. Desconhecem que por vezes o esta-giário pode “fingir” que não sabe só para não arranjar mais chatices ou problemas quando se apercebe que alguém não simpatiza consigo. Em outras situações o estagiário é tratado como se pertencesse a uma “categoria inferior” na medida em que ignoram a sua presença mesmo em situações simples de um simpático “bom dia” em que não é retribuído, do género “Se estavas aí, não me lembro…” ou não autoriza que o estagiário se relacione com outras hierarquias superiores. Há quem se dedique de corpo e alma e por mais que o empenho e a dedicação seja muita a nota atribuída no final pode não corresponder à de facto simplesmente por má-fé.

A maioria dos órgãos máximos pode desconhecer o drama diário do estagiário, como se tudo fosse camuflado, por adopção de comportamentos antagónicos. Mais concretamente, na presença das chefias “muitos sorrisos”, quando na não presença, indiferença. Um estagiário é igualmente pessoa e deve ser respeitado como tal , e nem sempre ou quase nunca lhes é permitido responder e sofrem em silêncio sobretudo porque dependem de uma nota para terminar o seu percurso escolar ou académico.

Quantos e quantos estagiários não “prendem” o choro e até pensam em desistir. Partilham em jeito de desabafo a vivência do estagio com os familiares ou entes queridos , deixando os igualmente tristes. A autoestima e o auto conceito ficam fragilizados por comentários depreciativos que não correspondem à verdade. Comentários que pretendem… travar sonhos! O estágio é um ciclo com um início e um fim de tempo. As memórias permanecem e não é à toa que por mais anos que passem as lembranças do estágio vem sempre ao pensamento , “Eu adorei..” ou “Eu fui muito maltratado, pensei em desistir”.

O “mundo é redondo” e o estagiário de hoje amanhã poderá ser aquele que é reconhecido por mérito em determinada área e talvez surja a necessidade da sua colaboração para a empresa/entidade onde estagiou. Mas aí as lembranças têm o seu peso… se por motivos positivos ou negativos.

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