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Voz às Escolas

2021-04-08 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

Pelo segundo ano consecutivo, o desenvolvimento das aprendizagens dos alunos está comprometido, pese embora o trabalho hercúleo dos professores, numa tentativa que mobilizou todos os recursos pedagógicos passíveis de serem utilizados.
Efetivamente, pelo segundo ano consecutivo, os alunos foram privados do contacto físico com a escola, entenda-se escola como o centro por excelência do desenvolvimento de conhecimentos, de capacidades e de atitudes das futuras gerações de decisores de qualquer país.
Os factos que sustentaram a tomada de decisão sobre o reincidente encerramento das escolas, sobejamente conhecidos e difundidos, não nos permitem assacar qualquer tipo de responsabilidade aos decisores, tendo em conta que, em questões de saúde pública, sobretudo da envergadura do problema que enfrentamos, nos encontramos todos no mesmo patamar, independentemente dos cargos que exerçamos.
Mas, se por um lado não podemos assacar responsabilidades sobre a tomada de algumas decisões, tal não deve, de forma alguma, condicionar a reflexão consciente e sustentada sobre as repercussões das inevitáveis alterações à normalidade do funcionamento do país, aos mais diversos níveis, perspetivando o delineamento de planos de recuperação que nos permitam retomar, com o menor prejuízo possível, a nossa habitual forma de vida.
A educação, enquanto alicerce do desenvolvimento de qualquer sociedade, deve, nessa perspetiva, ser olhada com especial atenção, pelo que é expectável que, atempadamente, sejam tomadas medidas de fundo que permitam a recuperação e a consolidação das aprendizagens, comprovadamente comprometidas pelos longos períodos de ensino à distância, períodos esses que acabaram por interferir com o trabalho delineado para os últimos dois anos letivos.
Este é o momento para refletirmos sobre as consequências do afastamento físico da escola dos nossos alunos e, sobretudo, para exigirmos condições para repor a normalidade possível, na defesa dos interesses inquestionáveis dos mesmos, não permitindo que o investimento que começa a ser feito na dotação de recursos digitais secundarize a necessidade de alterar algumas diretrizes para a programação do próximo ano letivo.
Independentemente das circunstâncias em que possa vir a desenrolar-se, é imprescindível a criação de condições potenciadoras da recuperação de um trabalho que, comprovadamente, não alcança os almejados resultados quando realizado de forma não presencial, o que só poderá ser exequível com a alteração das regras de preparação do próximo ano letivo, desde logo o número de alunos por turma.
Nesta, como em tantas outras matérias, as decisões deveriam ser tomadas com realismo, com os pés bem assentes no chão, como diz o povo, para que não venhamos, num futuro próximo, a ser confrontados com problemas irresolúveis, como o nível de proficiência dos alunos afetados pela alternância, reincidente, entre o ensino presencial e um ensino que, independentemente de todos os esforços, não chega sequer a ser um ensino à distância para um número significativo de alunos.
E se, em tempos normais, é extremamente difícil responder à heterogeneidade em turmas com elevado número de alunos, não precisamos de nos esforçar muito para percebermos que, nas atuais circunstâncias, este fator condicionará o sucesso de qualquer plano de ação para a melhoria das aprendizagens, pese embora a eloquência dos discursos que, na tentativa de justificar o injustificável, enquadram os normativos referentes à programação de um ano letivo.
Embora conscientes de que a crise que atravessamos tem repercussões diretas na economia de qualquer país, devem ser priorizadas áreas de intervenção, adiando alguns investimentos que, na atual conjuntura, poderemos rotular de “extravagâncias”, focando-nos no que é, realmente, essencial.
E criar condições para o desenvolvimento de competências é, para além de essencial, uma obrigação de quem tem forçosamente de ter uma visão estratégica de futuro e, cumulativamente, o poder de decidir, pelo que devemos colocar na ordem do dia as necessárias alterações às regras para o lançamento do próximo ano letivo, operacionalizando a afirmação contida na introdução do PASEO “a escola tem que se ir reconfigurando para responder às exigências destes tempos de imprevisibilidade e de mudanças aceleradas.”
Haverá história recente de tempos de maior imprevisibilidade e de mudanças aceleradas?...

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