Correio do Minho

Braga, sábado

MURAL

Plástico - Pequenos passos no caminho certo

Ideias

2016-05-29 às 06h00

José Manuel Cruz

Não se detém o espírito em tema que estruture crónica coerente. Quisera exaltar o Braga, no mínimo fazer garrido brilharete como ‘psicólogo de bancada’, arriscar astúcia, estratagema, para que a próxima época seja radiosa, ou, sei lá, agitar fantasma, lavrar reza, que outras paragens faça menos apetecíveis a jogadores e treinador que tão gloriosamente inscreveram seu nome no coração de velhos e novos.
Quero discorrer sobre o Braga, mas o júbilo bairrista é atropelado por interferências de não sei que valor. E assim me vejo percutido pela opereta da destituição de Dilma, pelas mal acolhidas declarações de Rebelo de Sousa sobre o acordo ortográfico, pela historieta mirabolante do homem expropriado, para que mesquita se construa onde ele tinha casa, se calhar em praceta em que ninguém reza, e menos ainda com os olhos da alma postos na Caaba.
É procissão para muitos andores, o que me assalta. Ele é o cheirinho a insurreição que paira em França, as dúvidas sobre as origens de nova tragédia aérea, as tiradas prepotentes do encadeirado alemão, os refugiados, que crime parece balbuciar que não há hipótese de serem acolhidos e integrados.
Os refugiados, pois, em fundo das eleições austríacas. Um suspiro de alívio: o tipo da extrema-direita falhou a eleição. Por décimas!!! Entranhas politicamente correctas que se reviravam. Cintilavam coincidências: e logo em ano de reedição de texto aferrolhado e maldito!
Sete décadas transcorridas sobre o desaparecimento de Hitler, e eis o Mein Kampf de regresso. Obra dispensada por receita médica, para investigadores, mas que, ainda assim, acabou circulando em mercado secundário, na net, a dez vezes o preço de capa.
A clivagem em torno dos refugiados. Uma metade perdente dos austríacos não quer estrangeiros, islâmicos menos que todos. Uma comoção que se levanta contra tamanho atropelo aos direitos humanos, como se ‘não desejar’ equivalesse a odiar, equivalesse a estar disponível para aniquilar. Roçou perto, na Áustria: como será em França, dentro de um ano? A FN destaca-se nas primeiras voltas, e é engolfada por um verdadeiro frontismo de velhas guardas, num ‘todos contra um’, com liberais, centristas, conservadores, gaulistas, socialistas, ecologistas, e quem mais velha, a darem mãos, dispostos a tudo para que a Le Pen, família e acólitos, não ancorem no Poder. O dique é imponente, e eu lembro-me de Nova Orleães sob água: quem teria julgado possível?
Não escreverei sobre o Braga, hoje. Tenho tempo, que as emoções do Braga escorrem de mansinho, não sendo qualquer meia centena de anos que as esbate. Do mural de sensações dos últimos dias, recupero, por outra, a expropriação alfacinha, decisão de manga-de-alpaca assente em critério urbanístico de intocável seriedade, por dele não serem os prédios, pois o foram, e outras coordenadas teriam sido tiradas do saco. Funcionário de jurado profissionalismo e subida honorabilidade, que toda uma estrutura secundará em coro, esquecidas, por momentos, as críticas aceradas que se fazem aos primos de abstracto ofício em Bruxelas, esses que nos consomem com normas que nos inquinam a vida.
É possível que seja em nome do postal multiculturalista que fique bem uma mesquita na Mouraria, e, todos os senos, cossenos e tangentes apuradas, calhou o minarete no terraço de incrédulo Barroso. A malta do Poder tem destas: é sempre em nome do interesse comum que fazem os sarrabiscos. O Povo, inculto, é que não pesca. Valls diz o mesmo: o Código do Trabalho é bom, pena que 70% da população não o veja. São cataratas, por certo.

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