Correio do Minho

Braga, quarta-feira

- +

Muita desconfiança é patológica

Faça frente à Diabetes

Muita desconfiança é patológica

Escreve quem sabe

2019-11-17 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

Já ouviu com certeza alguém a exprimir-se da seguinte forma, “Sou como o São Tomé, ver para crer”, ou até, “Mais vale ser desconfiado(a) e não criar expectativas do que depois sofrer”. Desconfiar é saudável, em dose e medida certa. Desconfiar “na medida certa”, é como antecipar uma reflexão pessoal a fim de proteger de possíveis situações , porque um “pé atrás” , tal como diz o ditado popular não faz mal nenhum. O problema reside no facto, de quando não é apenas “um pé” mas os “dois pés”. E há pessoas que tem uma personalidade tão desconfiada que desconfiam de tudo, desde relações afetivas, no trabalho, na amizade, e até mesmo na relação afetiva com o/a companheiro/a. Como é possível viver assim?! É difícil, muito difícil. O/A desconfiado/a, desgasta-se a si próprio/a e aos outros. Desconfiar é uma espécie de ato mental que permite controlar todas as situações num cenário hipotético (de “acontecer ou não”) do ponto de vista negativo. Está relacionado com as experiências negativas que a pessoa viveu, sobretudo, se essas experiências adquiridas através da “Escola vida” forem bastantes. O nosso cérebro é uma espécie de computador que guarda memória e mais adiante projeta a outras situações.

Parece-lhe confuso? Vejamos, imagine que há cinco anos atrás conviveu com uma pessoa, que foi muito mal-intencionada consigo. Esse impacto emocional foi bastante nefasto na sua vida, fez-lhe sofrer muito. Suponha agora, que vai a uma entrevista de emprego, e na entrevista, você numa “primeira leitura” da pessoa que o/a está a entrevistar, começa a sentir-se desconfortável, e até tem uma atitude não muito simpatizante com a pessoa em questão. É quase como, dizer quando olha pela primeira vez para alguém e afirma de imediato, “Não gostei. Há qualquer coisa que me desagrada na personalidade.” Na verdade é o seu cérebro que faz associações múltiplas, desde voz, forma de estar, até traços físicos. Voltando ao exemplo anterior, suponha que o/a entrevistador/a tinha o mesmo timbre de voz da pessoa que conviveu, há cinco anos atrás e que foi mal-intencionada consigo. Inconscientemente, sem que se aperceba ou não tenha noção, o cérebro, faz o “cruzamento” dessas situações e por essa razão de imediato você sente que aquela pessoa é má ou pode vir a ser. Associa basicamente a memórias anteriores. Se na sua vida se se verificarem muitas experiencias e memórias negativas, tem mais tendência a tornar-se um/a desconfiado/a patológico. O excesso de desconfiança, indica frequentemente distúrbios psicológicos. A pessoa desconfiança para além de ser extramente critica, “vê tudo mal”, analisando ao pormenor todas as situações com o intuito de descobrir algo mal. Suponha que é extramente desconfiado/a e um/a amigo/a num evento social lhe diz genuinamente, “Estás bonito/a”.

A pessoa extremamente desconfiada não vê como um elogio, mas sim como uma mensagem implícita e despercebida no sentido negativo, “Estou feio/a.” Pode até mesmo desenvolver algum rancor e mágoa, sem mostrar, em relação à pessoa que teceu o comentário. Por outro lado, se não encontrar falhas no imediato, a sua forma de ver as coisas, vai arranjar factos sem existirem, quase como se fosse uma “obrigação emocional” para se sentir ela própria bem. As pessoas muito desconfiadas, tendem a criticar e a desprezar os outros, mas sentem como ofensa grave quando são rejeitadas ou desprezadas. Estão também convictas que as pessoas querem enganá-las ou prejudicar. Tem dificuldades em relacionamentos interpessoais (amizade nas redes de amigos, trabalho), porque ao não confiar, qualquer comentário que possam fazer sentem, que essa informação mais tarde será usada contra eles próprios. Perdem amigos, porque são muitas vezes importunos na forma como abordam as pessoas chegando até a serem agressivos. Perdem mais com as atitudes do que ganham. Pessoas excessivamente desconfiadas merecem um olhar atento, porque precisam de ajuda especializada. Se conhece alguém nestas circunstâncias, por mais que tenha as melhores das intenções, por mais que seja compreensivo/a, por mais que converse e tente chamar à razão, não é o suficiente. Infelizmente, irá olhá-lo/a como os outros, como uma ameaça. Neste sentido, o melhor caminho e solução é o encaminhamento para a psicoterapia.

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.