Correio do Minho

Braga, quarta-feira

- +

Mudou a hora no relógio de Braga

COVID-19: Quem testar? Que testes usar?

Ideias

2015-03-29 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Na noite passada, os relógios em Portugal foram adaptados à hora de verão, adiantando-se, dessa forma, sessenta minutos à hora de inverno.
Tanto Portugal como a União Europeia mudam a hora, passando a ter uma hora acima do tempo universal (tempo médio de Greenwich) e, curiosamente, vivemos hoje um dia de apenas 23 horas!
Em Braga, naturalmente, ocorreu o mesmo com o seu relógio mais emblemático, avançando uma hora. Mas já lá iremos…

O ritmo de vida das pessoas e da sociedade está marcado, cada vez mais, pelo controlo rigoroso do tempo, em casos extremos associado já não aos minutos, mas aos segundos. Esse controlo temporal regula-nos, quer nas atividades profissionais, quer familiares, quer pessoais.
Para controlar todas estas tarefas, hoje dispomos de um auxílio que nos marca e orienta: o relógio. No entanto, apesar de termos sempre connosco algo que nos controla (o relógio ou o telemóvel que, quase todos, possuímos), temos a tendência para olharmos para locais onde se encontre um relógio comum. As torres das igrejas são um desses locais, pois quase todas elas ostentam um relógio.

Em Braga, para além dos relógios que se encontram nesses edifícios religiosos, existe um que não passa despercebido e que é observado, provavelmente, por milhares de pessoas por dia.   Refiro-me ao relógio que se encontra no topo do edifício do Turismo. O relógio que antecedeu o atual estava situado também na Avenida Central, mas do lado oposto, ou seja, no topo do edifício do Banco do Minho (situado junto ao edifício da atual Caixa Geral de Depósitos). Todas as pessoas que passavam por este local não hesitavam em olhar o relógio e em saber a “quantas andavam”, no seu percurso diário.

O relógio colocado no topo do Banco do Minho apressava para o local de trabalho, apressava para as escolas, apressava para as missas e demais cerimónias religiosas, apressava para os transportes públicos…
Todo o tempo de Braga estava regulado por este relógio. Até os transportes públicos, de início os carros americanos e posteriormente os carros de tração elétrica, tinham o seu horário oficializado com base no relógio do Banco do Minho!

Em 1949 o edifício do Banco do Minho foi sujeito, durante longos meses, a obras de remodelação, e teve que ficar oculto durante esse período, por uma fachada em madeira que impedia as pessoas de verem o que lá se passava e protegia, ainda, todos de eventuais incidentes, provocados pelas obras. Durante esse período, surgiu em Braga o boato de que o relógio do Banco do Minho iria ser retirado do seu lugar, o que causou preocupação, indignação até, a todos os que estavam habituados a orientar o percurso das suas vidas pelo relógio do Banco do Minho!

Apesar dos boatos que surgiram, muitos não o acreditavam, tal era a utilidade e o valor sentimental que o mesmo tinha para os bracarenses. No entanto, quando, em finais de fevereiro de 1950, foi retirada a madeira que tapava as obras e todos puderam verificar que o relógio não se encontrava lá, a indignação surgiu de imediato, interrogando-se: “Mas para onde foi o relógio?”!

A grande renovação a que o edifício do então Banco do Minho foi sujeito, fez com que o relógio, que lá se encontrava, fosse retirado. Apesar das críticas a esta decisão e apesar das sugestões de vários setores de Braga e de individualidades que pediam para que o relógio fosse novamente colocado nesse edifício, este nunca mais lá regressou.

Perante esta situação, surgiram novos pedidos a solicitar um relógio na autêntica sala de visitas de Braga, que era e é, a Avenida Central, então Avenida Combatentes da Grande Guerra, não faltando quem apresentasse propostas para um novo local onde o mesmo deveria ser colocado. E foi nesse ambiente que o jornal “Diário do Minho”, na sua edição de 7 de março de 1950, trouxe a público a ideia do edifício do Posto de Turismo, como o local ideal para a colocação do relógio.

Nessa edição, referiam que o “Turismo, por exemplo, já indicado por alguns devotados bracarenses, não passa despercebido a ninguém. A construção é moderna, possuidora de linhas dinâmicas, mas que muito lucraria com um relógio, que todos nós queremos, que todos nós precisamos, como indicador das horas boas e más”.
A indignação pela ausência de um relógio em Braga era de tal forma que o mesmo jornal, nessa mesma edição, concluiu dizendo que “Queremos um relógio. Precisamos de um relógio”!

O edifício da sede do Turismo em Braga foi inaugurado nas vésperas do S. João de 1937 (dia 22 de junho) e constituiu um enorme motivo de orgulho para toda a cidade de Braga, nela participando as mais destacadas figuras da região, nomeadamente o Arcebispo Primaz, o Governador Civil de Braga, o Presidente da Câmara Municipal de Braga e, naturalmente, o autor da obra, o arquiteto João de Moura Coutinho. Foi nesse local, mesmo no topo do edifício, que lá colocaram um relógio que, de novo, orientou o ritmo de vida de todos os que por lá passavam e passam.

Findos mais de 65 anos desde a sua colocação, verificamos com agrado que o relógio que se situa no edifício do posto de Turismo de Braga ainda se mantém e, apesar das novas formas de controlo do tempo, todos gostamos, quando por lá passamos, de levantar um pouco a cabeça e ver as horas que o relógio nos dá.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho