Correio do Minho

Braga,

- +

Mudar de estilo de vida

Por uma responsabilidade individual de protecção mais inclusiva

Voz às Escolas

2010-05-17 às 06h00

Fausto Farinha Fausto Farinha

Nas últimas semanas, muito se tem falado de austeridade, de sacrifícios, de redução do poder de compra, de crise financeira e económica, terminando num conjunto de medidas que, de acordo com a imprensa, mereceu o acordo do partido do governo e do maior partido da oposição, e que afectam de imediato os rendimentos das famílias e das empresas.

Estranhamente, ou não tanto, os discursos políticos, pelo menos os mais mediatizados, não colocaram a tónica na eliminação de hábitos prejudiciais para a saúde e para o ambiente, promovendo hábitos simples e ajustados e que, no final, melhoravam o nosso estilo de vida, garantindo a qualidade que não advém apenas do consumo indiscriminado.

Claro que a aposta nos estilos de vida saudáveis tem sempre a oposição do conjunto das actividades organizadas ao redor da produção e comercialização de objectos sem sentido ou supérfluos, mas com fortes meios financeiros de promoção. Assim, a crise a que não escapamos, se centrada num discurso distinguindo claramente nível de vida/de qualidade de vida e apelando ao respeito pelo ambiente, à promoção de estilos de vida saudáveis, ao aproveitamento dos recursos naturais de forma sustentada e assente na promoção da cultura, poderá permitir-nos dizer que os sacrifícios suportados lançaram as bases de uma sociedade mais equilibrada, culta e justa e neste sentido ser uma janela de oportunidades.

A escola pode e deve dar um contributo significativo neste desiderato, não como ilha, mas inserindo e promovendo as suas actividades na comunidade escolar alargada. Por obrigação legal, a Educação para a Saúde faz parte do Plano Actividades das escolas com a grande finalidade de “dotar as crianças e os jovens de conhecimentos, atitudes e valores que os ajudem a fazer opções e a tomar decisões adequadas à saúde e ao bem-estar físico social e mental”.

Sabemos que a escola isolada não consegue modificar duradouramente os hábitos das crianças e jovens. Não basta restringir os produtos alimentares disponíveis no bufete, elaborar horários escolares equilibrados ou promover actividade física regular na escola, proibir no seu interior o consumo de substâncias psicoactivas para que se constituam hábitos saudáveis permanentes, se cada família não valorizar e praticar comportamentos modelares, com uma pedagogia proactiva em relação às excepções. Sabemos como, por exemplo, em Inglaterra foi necessário socorrerem-se de um famoso cozinheiro para levar algumas famílias a introduzirem no seu quotidiano uma refeição cozinhada em casa.

Não é pela falta de informação suficiente sobre quais os alimentos a evitar ou a promover, sobre os efeitos do tabaco ou do álcool e de muitas outras substâncias, ou da falta de actividade física que mantemos estes comportamentos. Mas este saber individual, para ser eficaz e tornar-se prática quotidiana, tem de ser valorizado socialmente sem quaisquer nuances. Daí o espanto, ou talvez não, da redução do nível de vida, não ser aproveitado para valorizarmos estilos de vida saudáveis, como referimos anteriormente. Assim terá de ser pelo exercício da cidadania que vamos dando pequenos passos e com eles transformando para melhor o nosso quotidiano.

Neste âmbito, desde Abril que na Escola Sá de Miranda se têm realizado um conjunto de actividades com o intuito de promover hábitos de vida saudável. Estrategicamente, envolveram-se os alunos, em especial os do 12.º ano da Área de Projecto, os professores, a Associação de Pais, a Coordenação da Educação para a Saúde, o Gabinete de Apoio ao Aluno e estabelece-ram-se parcerias com o Centro de Saúde e o Instituto da Juventude.

Estando ainda a decorrer as actividades, é cedo para qualquer balanço, mas sabendo que a escola não é uma ilha e que a maioria dos pais tem pouco tempo disponível, inclusive para participar nas actividades propostas, sugerem-se algumas recomendações, a partir das propostas elaboradas pelo Minis- tério da Educação. Os pais não só devem conhecer, mas igualmente acompanhar as sugestões da escola, pois só conjuntamente é possível transmitir saberes que permitam modelar comportamentos e estilos de vida mais saudáveis de forma duradoura.

Sem qualquer hierarquia, nem pretensão de tudo referenciar, algumas propostas:
- incentive o almoço no refeitório da escola, pois proporciona uma alimentação equilibrada (sopa, prato de carne ou peixe e sobremesa);
- não permita que o seu filho saia de casa sem tomar o peque-no almoço ( não esquecer que o exemplo é fundamental);
- conheça as refeições intermédias que os filhos consomem no bufete, estimulando o consumo de produtos lácteos. Por regra, os produtos recomendados são vendidos a preço de custo ou inferior;
- estipule um horário semanal como rotina e que, como tal, só excepcionalmente não deve ser cumprido, de acordo com os seguintes itens: hora de deitar e levantar, garantindo oito horas de sono; horário lectivo; horário de estudo; horas de ver televisão e videojogos, mas também actividades de lazer e dinâmicas (não esquecer que o Sábado e o Domingo deve ter horário, ainda que específico).

Da parte da escola também há ainda muito a fazer e, no balanço das actividades realizadas este ano, surgirão recomendações que teremos de colocar em prática, sabendo da dificuldade em quebrar hábitos e rotinas.

Deixa o teu comentário

Últimas Voz às Escolas

16 Setembro 2020

Todos implicados

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho