Correio do Minho

Braga,

Mobilidade é uma visão política

Escrever e falar bem Português: Um item complicado

Ideias Políticas

2016-04-05 às 06h00

Francisco Mota

A mobilidade será certamente um dos eixos centrais no planeamento, gestão e sustentabilidade da Cidade. No plano de desenvolvimento de Braga esta será também o grande fio condutor para que a nossa urbe se afirme como um verdadeiro e particular modelo de cidade.
Para isso é necessário uma visão de cidade, dando uma resposta simples a uma pergunta categórica: O que queremos para a nossa cidade? E com certeza queremos, enquanto agentes políticos, é que as pessoas estejam felizes, vivendo sem congestionamentos que ponham em causa a sua qualidade de vida.

A mobilidade é o grande desafio da sociedade contemporânea, pois interfere com todas as dinâmicas citadinas quer sejam elas económicas, sociais, financeiras, ambientais ou simplesmente urbanísticas. Enquanto resposta premente e reconhecida por todos, a melhoria da circulação das pessoas apenas depende de uma coisa: decisão política em querer efectivar soluções.
Independentemente dos custos ou dos investimentos públicos e privados Braga precisa de um caminho estratégico e uma nova visão no que à mobilidade diz respeito.

De nada nos adianta aumentar estradas, construir pontes e abrir mais circulares com o hipotético sentido de melhoria de circulação na cidade. Só existe uma maneira de evitar os congestionamentos: reduzindo a circulação automóvel, quer seja na oferta de opções capazes de ser verdadeiras alternativas ou simplesmente nocondicionamento do seu próprio uso. As cidades que mais evoluíram no mundo foi porque priorizaram o transporte colectivo e capitalizaram os modos suaves. Dessa forma o automóvel deve estar sempre em último plano.

Mais do que o investimento em grandes vias, usurpadoras de dinheiros públicos, teremos de valorizar a regeneração das avenidas e praças urbanas como elos de ligação entre si enquanto percursos de mobilidade colectiva ou individual. Elas contemplam a própria recuperação dos edifícios, a instalação das ciclovias, os percursos pedonais, a via para os autocarros e a via para a circulação automóvel.

Uma boa cidade é aquela onde as pessoas desejam e podem caminhar pelas ruas, onde não têm constantemente que embarrar com um dos maiores símbolos de falta de democracia em cidade: ter carros estacionados nos passeios.
Uma boa cidade é aquela que gere o seu território de uma forma inteligente. Já uma cidade inteligente é aquela que compreende os seus desafios, sabendo diante mão o que tem para oferecer e como usufruir, definindo o caminho que deve percorrer para corresponder às suas necessidades.

Poderemos tornar a cidade tecnologicamente evoluída, mas isso não a faz por si só inteligente, pois a optimização das diversas áreas e as respostas em rede é que vão trazer consigo uma gestão inteligente e para isso é necessário ter uma política de mobilidade inteligente, pois não tenham dúvidas que esta última é que vai ditar se Braga será ou não uma Cidade Inteligente.
Para terminar deixava um pensamento de Enrique Peñalosa que dizia: “As cidades sem carros não são uma ilusão hippie. Elas existem, e são as mais visitadas do mundo.”

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